Homem de 55 anos, hipertenso e com diabetes tipo 2, em acompanhamento na UBS apresenta episódios recorrentes de artrite aguda em primeira metatarsofalângica, com dor intensa, edema e hiperemia local. Relata consumo frequente de álcool e dieta rica em carnes vermelhas. Exames prévios evidenciaram hiperuricemia persistente. Sobre o manejo e a fisiopatologia da gota nesse contexto, assinale a alternativa CORRETA:

Questão

Homem de 55 anos, hipertenso e com diabetes tipo 2, em acompanhamento na UBS apresenta episódios recorrentes de artrite aguda em primeira metatarsofalângica, com dor intensa, edema e hiperemia local. Relata consumo frequente de álcool e dieta rica em carnes vermelhas. Exames prévios evidenciaram hiperuricemia persistente. Sobre o manejo e a fisiopatologia da gota nesse contexto, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

A) A hiperuricemia na maioria dos pacientes decorre predominantemente de aumento da produção de ácido úrico, sendo a redução da excreção um mecanismo menos frequente.

B) O tratamento da crise aguda deve priorizar o início de terapia redutora de urato, como alopurinol, para controle da inflamação.

C) Colchicina e glicocorticoides são opções terapêuticas eficazes na crise aguda, sendo mais efetivos quando iniciados precocemente.

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D) A colchicina deve ser evitada na maioria dos pacientes devido à baixa eficácia e alto risco de efeitos adversos.

E) A introdução de terapia redutora de urato é recomendada para em todos os pacientes no primeiro episódio de gota, independentemente de recorrência ou comorbidades.

Explicação

O quadro clínico (artrite aguda recorrente em 1ª metatarsofalângica, com hiperuricemia persistente, álcool e dieta rica em purinas) é típico de gota, causada pelo depósito de cristais de urato monossódico nas articulações. Esses cristais ativam resposta inflamatória intensa (com recrutamento de neutrófilos e liberação de citocinas), o que explica dor, edema e hiperemia.

Na crise aguda, o objetivo é controlar rapidamente a inflamação. As principais opções são:

  • Colchicina (especialmente eficaz quando iniciada nas primeiras horas do início dos sintomas);
  • AINEs (quando não houver contraindicações);
  • Glicocorticoides (via oral, intra-articular ou parenteral), úteis sobretudo quando AINEs/colchicina não podem ser usados. Assim, é correto afirmar que colchicina e glicocorticoides são eficazes e funcionam melhor quando iniciados precocemente.

Analisando as alternativas incorretas:

  • A) Falsa. Na maioria dos pacientes, a hiperuricemia ocorre principalmente por redução da excreção renal de urato (subexcreção), e não por hiperprodução.
  • B) Falsa. Não se inicia alopurinol “para controlar a inflamação” da crise; fármacos redutores de urato (ex.: alopurinol, febuxostate) têm papel de controle crônico e não são anti-inflamatórios. (Em geral, evita-se iniciar durante crise se o paciente não usava; se já usava, costuma-se manter.)
  • D) Falsa. A colchicina não tem baixa eficácia; ela é efetiva, porém exige atenção a dose, interações e função renal/hepática por risco de efeitos adversos.
  • E) Falsa. Terapia redutora de urato não é indicada para todos no primeiro episódio; é recomendada conforme gravidade/risco (ex.: recorrências, tofos, doença renal crônica, nefrolitíase, urato muito elevado, etc.).

Alternativa correta: (C).

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