(Enem 2010, 2ª aplicação) No século XX, o transporte rodoviário e a aviação civil aceleraram o intercâmbio de pessoas e mercadorias, fazendo com que as distâncias e a percepção subjetiva das mesmas se reduzissem constantemente. É possível apontar uma tendência de universalização em vários campos, por exemplo, na globalização da economia, no armamentismo nuclear, na manipulação genética, entre outros. HABERMAS, J. A constelação pós-nacional: ensaios políticos. São Paulo: Littera Mundi, 2001 (adaptado). Os impactos e efeitos dessa universalização, conforme descrito no texto, podem ser analisados do ponto de vista moral, o que leva à defesa da criação de normas universais que estejam de acordo com

Questão

(Enem 2010, 2ª aplicação) No século XX, o transporte rodoviário e a aviação civil aceleraram o intercâmbio de pessoas e mercadorias, fazendo com que as distâncias e a percepção subjetiva das mesmas se reduzissem constantemente. É possível apontar uma tendência de universalização em vários campos, por exemplo, na globalização da economia, no armamentismo nuclear, na manipulação genética, entre outros. HABERMAS, J. A constelação pós-nacional: ensaios políticos. São Paulo: Littera Mundi, 2001 (adaptado).

Os impactos e efeitos dessa universalização, conforme descrito no texto, podem ser analisados do ponto de vista moral, o que leva à defesa da criação de normas universais que estejam de acordo com

Alternativas

A

os pactos assinados pelos grandes líderes políticos, os quais dispõem de condições para tomar decisões.

B

os sentimentos de respeito e fé no cumprimento de valores religiosos relativos à justiça divina.

C

os valores culturais praticados pelos diferentes povos em suas tradições e costumes locais.

D
Resposta certa

os sistemas políticos e seus processos consensuais e democráticos de formação de normas gerais.

E

os imperativos técnico-científicos, que determinam com exatidão o grau de justiça das normas.

Explicação

  1. O texto descreve um processo de “universalização” (globalização, armamentismo nuclear, manipulação genética etc.) que gera problemas e decisões que ultrapassam fronteiras nacionais.

  2. Jürgen Habermas, na perspectiva da ética do discurso, defende que a validade moral de normas que pretendem ser universais depende de sua justificação por meio de processos racionais de deliberação pública, com participação e possibilidade de consenso entre os envolvidos (procedimentos democráticos/consensuais), e não por autoridade de líderes, religião, costumes locais ou determinismos técnico-científicos.

  3. Analisando as alternativas:

  • (A) Líderes políticos: apelo à autoridade, não garante validade moral universal.
  • (B) Valores religiosos: particularismo religioso, não universalizável em sociedades plurais.
  • (C) Tradições/costumes locais: relativismo cultural, não fundamenta norma universal.
  • (D) Processos consensuais e democráticos: corresponde ao proceduralismo habermasiano (normas legítimas por deliberação e consenso).
  • (E) Imperativos técnico-científicos: ciência descreve meios/fatos, não determina por si só o “justo” (falácia naturalista).

Logo, a defesa de normas universais, em Habermas, deve estar de acordo com processos consensuais e democráticos de formação de normas.

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