Um homem de 34 anos, técnico de enfermagem, sem queixas ou alterações ao exame físico, consulta com você apresentando os seguintes exames: HbsAg reagente, AntiHbc IgG reagente, Anti-Hbs não reagente, HbeAg reagente, Anti-Hbe não reagente, TGO = 39 mg/dl (referência = <40 mg/dl) e TGP = 62 mg/dl (referência = <40 mg/dl), exames de função hepática e renal preservados. Sorologias de hepatite C e HIV negativas. Coletou carga viral de hepatite B, mas ainda sem resultado. Sobre o caso, assinale a melhor conduta neste momento:
Questão
Um homem de 34 anos, técnico de enfermagem, sem queixas ou alterações ao exame físico, consulta com você apresentando os seguintes exames: HbsAg reagente, AntiHbc IgG reagente, Anti-Hbs não reagente, HbeAg reagente, Anti-Hbe não reagente, TGO = 39 mg/dl (referência = <40 mg/dl) e TGP = 62 mg/dl (referência = <40 mg/dl), exames de função hepática e renal preservados. Sorologias de hepatite C e HIV negativas. Coletou carga viral de hepatite B, mas ainda sem resultado. Sobre o caso, assinale a melhor conduta neste momento:
Alternativas
A) Vacinar 3 doses contra hepatite B e continuar screening de hepatocarcinoma.
B) Continuar acompanhando de 6 em 6 meses, com screening de hepatocarcinoma, pois neste momento não preenche critérios para tratamento de hepatite B crônica.
C) Iniciar tratamento de hepatite B crônica.
D) Aguardar resultado da carga viral e tratar ou não hepatite B crônica conforme o resultado.
E) Realizar screening de hepatocarcinoma e caso presente, postergar tratamento da hepatite B crônica em detrimento do tratamento da neoplasia.
Explicação
Pelos marcadores sorológicos, este paciente tem infecção crônica pelo HBV (HBsAg reagente + anti-HBc IgG reagente) e replicação viral ativa (HBeAg reagente, anti-HBe não reagente). O anti-HBs não reagente confirma que ele não está imunizado (e, portanto, não faz sentido vacinar alguém que já é HBsAg positivo).
A decisão de iniciar ou não tratamento na hepatite B crônica não deve ser tomada apenas com HBeAg positivo: ela depende principalmente de:
- Nível de DNA-HBV (carga viral);
- Grau de atividade/inflamação (ALT/TGP) e se a elevação é persistente;
- Presença de fibrose/cirrose (por elastografia, biópsia ou outros métodos).
No caso:
- Ele está assintomático, com exame físico sem alterações.
- TGP = 62 (acima do limite), mas é uma elevação leve e não sabemos se é persistente.
- Função hepática preservada e sem dados de cirrose.
- A carga viral ainda não está disponível, e ela é determinante para classificar fase da infecção (por exemplo, fase imunotolerante vs. fase imunativa HBeAg positiva) e indicar tratamento.
Assim, a melhor conduta agora é aguardar o DNA-HBV para decidir tratamento conforme critérios (associando isso à avaliação seriada de ALT e estadiamento de fibrose). Tratar imediatamente sem o DNA-HBV pode levar a tratamento desnecessário em fases como a imunotolerante.
Analisando as alternativas:
- A: errada, não se vacina HBsAg positivo; e rastreio de CHC não é “automático” para todo homem de 34 anos sem cirrose.
- B: errada, porque ainda faltam dados essenciais (DNA-HBV e estadiamento) para concluir que não há critérios.
- C: errada, porque falta critério objetivo (especialmente DNA-HBV e avaliação de fibrose/atividade).
- D: correta, pois o resultado da carga viral é necessário para definir indicação de tratamento.
- E: errada; além de não haver dado de neoplasia, presença de CHC não é motivo para “postergar” automaticamente manejo do HBV dessa forma.
Alternativa correta: (D).