A campanha publicitária “Nova Masculinidade” (2019), do Governo do Estado da Bahia configura-se como uma das políticas de enfrentamento à desigualdade de gênero. Esse tipo de ação passou a ser desenvolvido no Brasil a partir de conquistas dos movimentos feministas, que, gradativamente, têm possibilitado à mulher ocupar novos espaços, alcançar direitos e conquistar respeito, embora a violência contra a mulher continue existindo, o que tem sido um dos maiores desafios a ser enfrentado nas políticas de gênero. Texto adaptado do artigo O DISCURSO SOBRE MASCULINIDADE TÓXICA EM UMA CAMPANHA PUBLICITÁRIA GOVERNAMENTAL de Fábio Araújo Oliveira e Nádia de Jesus Santos. Baseado nos Estudos desenvolvidos na Disciplina, responda: O que configura uma masculinidade como tóxica?

Questão

A campanha publicitária “Nova Masculinidade” (2019), do Governo do Estado da Bahia configura-se como uma das políticas de enfrentamento à desigualdade de gênero. Esse tipo de ação passou a ser desenvolvido no Brasil a partir de conquistas dos movimentos feministas, que, gradativamente, têm possibilitado à mulher ocupar novos espaços, alcançar direitos e conquistar respeito, embora a violência contra a mulher continue existindo, o que tem sido um dos maiores desafios a ser enfrentado nas políticas de gênero.

Texto adaptado do artigo O DISCURSO SOBRE MASCULINIDADE TÓXICA EM UMA CAMPANHA PUBLICITÁRIA GOVERNAMENTAL de Fábio Araújo Oliveira e Nádia de Jesus Santos.

Baseado nos Estudos desenvolvidos na Disciplina, responda:

O que configura uma masculinidade como tóxica?

Resposta

92%

Uma masculinidade é considerada “tóxica” quando o modelo de ser homem é construído e valorizado a partir de normas rígidas e hierárquicas de gênero (machistas), que associam a identidade masculina ao domínio, à agressividade e ao controle, gerando prejuízos tanto para as mulheres quanto para os próprios homens.

Passo a passo (características centrais):

  1. Rígida imposição de papéis de gênero: define que “homem de verdade” deve agir de um único modo (forte, dominante, provedor), desqualificando outras formas de masculinidade.
  2. Valorização da violência e do controle: naturaliza atitudes de intimidação, ciúme possessivo, coerção e uso da força como meios legítimos de resolver conflitos ou “afirmar respeito”.
  3. Sexismo e misoginia: reforça a superioridade masculina e a subordinação do feminino, sustentando práticas discriminatórias e a tolerância social à violência contra mulheres.
  4. Repressão emocional: incentiva a negar vulnerabilidades (“homem não chora”), dificultando comunicação, autocuidado e busca de ajuda.
  5. Homofobia e policiamento do masculino: pune homens que fogem do padrão (sensíveis, não competitivos, não heterossexuais), usando humilhação e violência simbólica/física.
  6. Impactos sociais: contribui para desigualdade de gênero e pode favorecer assédio, agressões e outras formas de violência; ao mesmo tempo, aumenta sofrimento psíquico, comportamentos de risco e relações pouco saudáveis entre os próprios homens.

Em síntese, o “tóxico” não é o fato de ser homem, mas um padrão cultural de masculinidade que se afirma pela dominação, pela negação de emoções e pela desvalorização do feminino, produzindo danos e perpetuando a desigualdade de gênero.

Explicação

A questão pede um conceito explicado com base em estudos de gênero: o que faz uma masculinidade ser chamada de “tóxica”. Em termos analíticos, trata-se de um conjunto de normas e expectativas sociais sobre “como um homem deve ser” que, quando adotadas como padrão superior e obrigatório, passam a produzir danos (violência, desigualdade e sofrimento).

  1. Primeiro, masculinidade “tóxica” aparece quando a identidade masculina é vinculada a poder e hierarquia: ser homem passa a significar mandar, controlar, impor-se e ser “superior” ao feminino. Essa lógica reforça desigualdades de gênero.

  2. Em seguida, esse modelo costuma normalizar a agressividade e a violência (física, psicológica, simbólica) como meios de afirmar respeito e resolver conflitos. Isso pode se expressar em ciúme possessivo, coerção, ameaças, humilhações e outras práticas abusivas.

  3. Outra dimensão é a repressão emocional: a cultura diz que homem não pode demonstrar medo, tristeza, fragilidade ou pedir ajuda (“homem não chora”). Isso empobrece a vida afetiva, dificulta relações saudáveis e pode agravar sofrimento mental.

  4. Há também o policiamento do masculino por meio de homofobia e ridicularização de comportamentos tidos como “não masculinos”. Assim, qualquer homem que fuja do padrão é punido socialmente, o que sustenta intolerância e violência.

  5. Por fim, o critério do “tóxico” é o efeito social: esse padrão prejudica mulheres (ao legitimar desigualdade, assédio e violência) e prejudica homens (ao incentivar risco, silenciamento emocional e relações baseadas em dominação).

Conclusão: configura-se como “tóxica” a masculinidade construída por normas rígidas e machistas que valorizam dominação, violência e repressão emocional, sustentando desigualdade e violência de gênero. Alternativa correta: (sem alternativas).

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