“Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará?” Friedrich Nietzche, Gaia Ciência Para lidar com a transvaloração dos valores no pensamento de Nietzsche, a anunciação da "morte de Deus" é essencial. Qual alternativa que reflete esse conceito?
Questão
“Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará?” Friedrich Nietzche, Gaia Ciência
Para lidar com a transvaloração dos valores no pensamento de Nietzsche, a anunciação da "morte de Deus" é essencial. Qual alternativa que reflete esse conceito?
Alternativas
A) A morte de Deus impossibilita a superação dos valores hoje aceitos.
B) A morte de Deus gera necessariamente um ambiente de caos e anarquia.
C) A morte de Deus implica a perda das sanções sobrenaturais sobre os valores.
D) A morte de Deus é apenas uma metáfora apresentada pelo autor.
E) A morte de Deus desvaloriza o mundo.
Explicação
Em Nietzsche, a expressão “Deus está morto” não é (apenas) uma provocação religiosa, mas um diagnóstico cultural: a crença no Deus cristão — e, com ela, toda uma estrutura metafísica que garantia um fundamento absoluto para a verdade e para a moral — perdeu sua força normativa no Ocidente.
Como consequência, os valores tradicionalmente aceitos (bem/mal, verdadeiro/falso, sentido da vida, deveres morais) deixam de ter uma “garantia” transcendente. Ou seja, eles já não contam com sanções sobrenaturais que os legitimem como universalmente obrigatórios. Isso abre o cenário para a transvaloração dos valores: se os valores não são mais assegurados por uma instância divina/metafísica, eles podem (e devem) ser reavaliados, criticados e recriados.
Analisando as alternativas:
- A é falsa: a morte de Deus não impossibilita; ela é justamente a condição histórica para questionar e superar os valores herdados.
- B é exagerada: pode haver niilismo e desorientação, mas não “necessariamente” caos e anarquia.
- C expressa corretamente a ideia central: a perda do fundamento sobrenatural que sancionava os valores.
- D é insuficiente: é metáfora, mas com conteúdo filosófico forte (diagnóstico histórico-cultural), não “apenas” figura de linguagem.
- E é imprecisa: Nietzsche aponta o risco do niilismo (desvalorização), mas o conceito não se reduz a “desvalorizar o mundo”; trata-se do colapso do fundamento dos valores e da necessidade de sua recriação.