Joana, primigesta, 35ª semana de gestação, com pré-natal irregular, comparece ao pronto atendimento de sua cidade referindo cefaleia, turvação visual e epigastralgia há cerca de 1 dia. Relata que nunca apresentou sintomas similares anteriormente. Nega antecedentes patológicos ou demais sintomas. Ao exame: FC: 80 bpm; PA: 140x90 mmHg; FR: 18 irpm; SatO2: 98%; edema de membros inferiores 2+/4+. Considerando o diagnóstico mais provável, assinale a melhor conduta ser seguida:
Questão
Joana, primigesta, 35ª semana de gestação, com pré-natal irregular, comparece ao pronto atendimento de sua cidade referindo cefaleia, turvação visual e epigastralgia há cerca de 1 dia. Relata que nunca apresentou sintomas similares anteriormente. Nega antecedentes patológicos ou demais sintomas. Ao exame: FC: 80 bpm; PA: 140x90 mmHg; FR: 18 irpm; SatO2: 98%; edema de membros inferiores 2+/4+. Considerando o diagnóstico mais provável, assinale a melhor conduta ser seguida:
Alternativas
A) Analgesia, prescrição de anti-hipertensivo via oral e acompanhamento ambulatorial.
B) Prescrição de analgesia e benzodiazepínico via oral e acompanhamento ambulatorial.
C) Internamento hospitalar e administração de anti-hipertensivo de ação rápida.
D) Internamento hospitalar e administração de sulfato de magnésio.
E) Internamento hospitalar para indução de parto.
Explicação
- Quadro clínico e diagnóstico mais provável
- Gestante de 35 semanas com PA = 140x90 mmHg (hipertensão na gestação) e sintomas neurológicos/viscerais de gravidade: cefaleia, turvação visual e epigastralgia.
- Esses sintomas são considerados sinais de gravidade (sugestivos de pré-eclâmpsia com sinais graves), mesmo que a PA não esteja em níveis de “crise” (≥160x110). O pré-natal irregular aumenta o risco de não ter diagnóstico prévio.
- Edema não é critério diagnóstico isolado, mas reforça a suspeita no contexto.
- Conduta imediata mais adequada
- Na suspeita de pré-eclâmpsia com sinais graves, a prioridade é: a) Internação para monitorização materno-fetal e investigação (proteinúria, plaquetas, enzimas hepáticas, creatinina, etc.). b) Profilaxia/tratamento de convulsões com sulfato de magnésio, pois há alto risco de evolução para eclâmpsia diante de sintomas neurológicos e epigastralgia.
- Anti-hipertensivo de ação rápida é indicado principalmente quando PA ≥ 160x110 mmHg (hipertensão grave). Aqui, a PA está no limiar de hipertensão (140x90), então não é a “melhor conduta” isolada/primeira entre as opções.
- Indução do parto pode ser necessária após estabilização e avaliação materno-fetal (e frequentemente é indicada em pré-eclâmpsia com sinais graves com idade gestacional ≥34 semanas), mas, dentre as alternativas, o passo mais crítico e imediato para reduzir risco de eclâmpsia é o sulfato de magnésio.
- Análise das alternativas
- A e B: inadequadas por proporem manejo ambulatorial apesar de sinais de gravidade.
- C: internação é correta, mas focar em anti-hipertensivo de ação rápida não é a principal medida imediata com PA 140x90.
- D: internação + sulfato de magnésio é a melhor conduta imediata para pré-eclâmpsia com sinais graves.
- E: pode fazer parte do manejo definitivo, porém após estabilização; a alternativa não contempla a medida imediata essencial de prevenção de convulsões.
Alternativa correta: D.