O estudo do período composto baseado apenas na localização/identificação da conjunção não é suficiente no estudo das orações, visto que, muitas vezes, a mesma palavra pode fazer parte de enunciados com sentidos totalmente diferentes, o que resulta também em mais de uma classificação. No que se refere a essa questão, analise o texto a seguir, sobretudo a conjunção 'como'. Sobre isso, avalie as assertivas a seguir, considerando (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas:
Questão
O estudo do período composto baseado apenas na localização/identificação da conjunção não é suficiente no estudo das orações, visto que, muitas vezes, a mesma palavra pode fazer parte de enunciados com sentidos totalmente diferentes, o que resulta também em mais de uma classificação. No que se refere a essa questão, analise o texto a seguir, sobretudo a conjunção 'como'.
Sobre isso, avalie as assertivas a seguir, considerando (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas:
Alternativas
I. A conjunção “como”, em todas as orações subordinadas estabelece o sentido de comparação, colaborando a construção de sentidos pretendidos pelo autor, o qual busca mostrar as atitudes passadas das personagens e as atuais, destacando o modo como a mudança colaborou para que o dia amanhecesse em paz.
II. Nos versos “Então, ela se fez bonita/Como há muito tempo não queria ousar”, a oração subordinada adverbial conformativa, introduzida pela conjunção “como”, destaca o sentido de conformidade da mulher que já havia se habituado com as atitudes do companheiro.
III. No trecho “E não maldisse a vida/Tanto quanto era seu jeito de sempre falar”, há uma comparação estabelecida pela oração subordinada adverbial comparativa introduzida pela locução conjuntiva “tanto quanto”, relativa às atitudes negativas da personagem feitas no passado.
IV. O verso “Tantos gritos roucos como não se ouvia mais” é formado por duas orações subordinadas adverbiais comparativas: a primeira introduzida pela conjunção “tanto” e a segunda por “como”, as quais, juntas, estabelecem o sentido de comparação entre diferentes ações das pessoas, frente às realizadas pelo casal.
Explicação
Pelo texto do poema “Valsinha”, a palavra “como” aparece em contextos diferentes, e nem sempre introduz comparação.
I. Falsa. A assertiva diz que “como”, em todas as orações subordinadas, estabelece comparação. Porém, no poema há ocorrências como “Como há muito tempo não queria ousar” e “Como há muito tempo não se usava dar”, em que “como” tem valor de tempo (equivalente a “há muito tempo”, “já fazia muito tempo que”), não de comparação. Logo, não é “sempre” comparativa.
II. Falsa. Em “Então, ela se fez bonita / Como há muito tempo não queria ousar”, “como” não indica conformidade (não é “conforme”), mas ideia temporal (há muito tempo ela não ousava). Portanto, não é oração subordinada adverbial conformativa.
III. Verdadeira. Em “E não maldisse a vida / Tanto quanto era seu jeito de sempre falar”, a locução “tanto quanto” estabelece uma relação típica de comparação (oração subordinada adverbial comparativa), contrapondo a intensidade do “maldisse” ao padrão habitual (“seu jeito de sempre falar”).
IV. Falsa. Em “Tantos gritos roucos como não se ouvia mais”, há uma estrutura correlativa tanto(s)… como que expressa comparação, mas não se trata de “duas orações subordinadas adverbiais comparativas” separadas (não há uma oração introduzida por “tantos”; “tantos” funciona como intensificador no grupo nominal, e a oração com verbo está em “como não se ouvia mais”). Além disso, o sentido é de comparação com o que “não se ouvia mais” (o passado), não “entre diferentes ações das pessoas frente às do casal”, como afirma o item.
Gabarito (V/F): I-F, II-F, III-V, IV-F.
Alternativa correta: (I).