Criança de 4 anos é levada à unidade básica com queixa de dor intensa em ouvido há 2 dias. A mãe relata piora importante ao tocar a orelha e durante o banho. Nega febre. Ao exame, a criança apresenta diminuição da mobilidade do pavilhão auricular, além de edema e hiperemia difusos do conduto auditivo externo, com secreção espessa. A membrana timpânica não é adequadamente visualizada. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada.

Questão

Criança de 4 anos é levada à unidade básica com queixa de dor intensa em ouvido há 2 dias. A mãe relata piora importante ao tocar a orelha e durante o banho. Nega febre. Ao exame, a criança apresenta diminuição da mobilidade do pavilhão auricular, além de edema e hiperemia difusos do conduto auditivo externo, com secreção espessa. A membrana timpânica não é adequadamente visualizada. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada.

Alternativas

A) Otite média aguda — iniciar amoxicilina via oral.

B) Otite externa difusa — realizar limpeza do conduto auditivo e prescrever antibioticoterapia tópica associada a corticoide.

94%

C) Mastoidite aguda — encaminhar para internação e iniciar antibioticoterapia venosa.

D) Furunculose do conduto auditivo — prescrever antibiótico sistêmico e indicar drenagem imediata.

E) Otite externa necrosante — iniciar ciprofloxacino sistêmico e investigar imunossupressão.

Explicação

1) Interpretação do quadro clínico

  • Dor intensa no ouvido há 2 dias, com piora importante ao tocar a orelha (manipular pavilhão/trágus) e durante o banho (umidade/água): isso é muito típico de otite externa.
  • Edema e hiperemia difusos do conduto auditivo externo + secreção espessa: reforça inflamação/infeção do conduto (não do ouvido médio).
  • Sem febre: compatível com otite externa não complicada.
  • Membrana timpânica não visualizada por edema/secreção: comum na otite externa difusa; não permite confirmar/afastar otite média ao exame, mas o conjunto de sinais aponta para o conduto.

2) Por que não são as outras alternativas?

  • A) Otite média aguda (OMA): costuma cursar com otalgia sem piora tão marcada à tração do pavilhão/trágus, e o achado-chave seria membrana timpânica abaulada/hiperemiada com mobilidade reduzida (o problema é no ouvido médio). Aqui o destaque é conduto externo edemaciado e doloroso à manipulação.
  • C) Mastoidite aguda: geralmente complicação de OMA com febre, toxemia e dor/edema retroauricular com possível protrusão do pavilhão; não é o quadro descrito.
  • D) Furunculose do conduto: tende a ser lesão localizada (folículo piloso) com dor intensa, mas não costuma dar edema e hiperemia difusos de todo o conduto; drenagem “imediata” não é conduta padrão inicial em todos os casos.
  • E) Otite externa necrosante (maligna): é típica de idosos diabéticos/imunossuprimidos, com dor desproporcional, possível tecido de granulação e evolução mais grave; improvável em criança de 4 anos previamente hígida.

3) Diagnóstico mais provável

  • Otite externa difusa (a “otite do nadador”, frequentemente bacteriana, como Pseudomonas e S. aureus).

4) Conduta inicial adequada

  • Limpeza do conduto (toalete/aspiração quando possível) para remover secreção e permitir melhor ação do medicamento.
  • Antibioticoterapia tópica associada a corticoide (gotas otológicas), que reduz inflamação/edema e trata o agente bacteriano.
  • Em casos com edema importante, pode ser necessário pavio (wick) para facilitar penetração das gotas, mas a alternativa já contempla o essencial: toalete + ATB tópico + corticoide.

Alternativa correta: (B).

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