Paciente do sexo feminino de 17 anos de idade apresenta quadro progressivo de epistaxe, associada ao aparecimento de equimoses e petéquias distribuídas por todo o corpo. Duas semanas antes, apresentou quadro de infecção respiratória leve e sem maiores complicações tendo utilizado apenas dipirona. Está em bom estado geral, corada, anictérica e afebril. Abdome palpável sem visceromegalias. Restante do exame físico sem alterações. O hemograma apresenta apenas plaquetopenia, sem outras anormalidades e a análise da medula demonstra expansão megacariocítica. O quadro descrito é mais compatível com o diagnóstico de:
Questão
Paciente do sexo feminino de 17 anos de idade apresenta quadro progressivo de epistaxe, associada ao aparecimento de equimoses e petéquias distribuídas por todo o corpo. Duas semanas antes, apresentou quadro de infecção respiratória leve e sem maiores complicações tendo utilizado apenas dipirona. Está em bom estado geral, corada, anictérica e afebril. Abdome palpável sem visceromegalias. Restante do exame físico sem alterações. O hemograma apresenta apenas plaquetopenia, sem outras anormalidades e a análise da medula demonstra expansão megacariocítica. O quadro descrito é mais compatível com o diagnóstico de:
Alternativas
A) Leucemia linfocítica crônica.
B) Hemofilia B.
C) Púrpura de Henoch-Schonlein.
D) Deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase.
E) Púrpura trombocitopênica idiopática.
Explicação
Passo a passo do raciocínio clínico-laboratorial:
- Quadro clínico típico de sangramento por plaquetopenia
- Epistaxe, petéquias e equimoses são manifestações clássicas de hemostasia primária (alteração quantitativa/funcional de plaquetas).
- Plaquetopenia isolada no hemograma
- O enunciado diz que o hemograma apresenta apenas plaquetopenia, sem anemia e sem leucopenia/leucocitose. Isso afasta causas de falência medular global e várias neoplasias hematológicas que cursam com citopenias múltiplas.
- Medula óssea com expansão megacariocítica
- Aumento de megacariócitos sugere que a medula está respondendo e tentando compensar a queda de plaquetas.
- Esse padrão é típico de destruição periférica de plaquetas, como ocorre na PTI (púrpura trombocitopênica idiopática/imune).
- Contexto pós-infecção viral em adolescente
- História de infecção respiratória leve 2 semanas antes é um gatilho comum para PTI, por mecanismo autoimune (anticorpos antiplaquetários), especialmente em crianças/adolescentes.
- Sem visceromegalias e bom estado geral
- A ausência de hepatoesplenomegalia e o bom estado geral tornam menos prováveis diagnósticos como leucemias/linfomas com infiltração sistêmica.
Analisando as alternativas:
- A) Leucemia linfocítica crônica: ocorre tipicamente em idosos e costuma cursar com linfocitose e/ou outras alterações hematológicas; não é compatível com 17 anos e plaquetopenia isolada.
- B) Hemofilia B: é distúrbio de coagulação (hemostasia secundária) com hemartroses/hematomas profundos; não dá petéquias e não causa plaquetopenia.
- C) Púrpura de Henoch-Schönlein (vasculite por IgA): costuma ter púrpura palpável em MMII, dor abdominal, artralgia e possível acometimento renal; plaquetas geralmente normais.
- D) Deficiência de G6PD: causa hemólise (anemia, icterícia, reticulocitose), não plaquetopenia isolada.
- E) PTI: explica perfeitamente petéquias/equimoses + epistaxe + plaquetopenia isolada + megacariócitos aumentados + pós-infecção.
Alternativa correta: (E).