Filosofia: De acordo com Andrés Torres Queiruga, o processo cultural explicitou que todo mal concreto tem sua causa histórica. Sendo assim, não há razões para acusar nem justificar a Deus. Diante do mal físico, não há espaço para a queixa religiosa nem para o protesto ateu: Sabendo que a enfermidade da criança foi causada por bacilos muito concretos, nem a teodiceia nem o ateísmo são respostas lógicas. Seria possível um mundo-sem-mal? Não, pois a raiz última do mal, sua condição de possibilidade, radica-se na finitude, e esta é a condição mesma de sua existência. Caso contrário, o mundo não existiria, porque Deus não poderia "dar tudo sem fazer um deus". A experiência demonstra que o mal físico e o mal moral são constitutivos do mundo em processo de realização, "sua dura aparição tem sido, e é será inevitável." Pensar um mundo-finito-sem-mal equivale a pensar em um círculo-quadrado ou em um ferro-de-madeira. Essa é a tese da reflexão moderna. Então, segundo Queiruga, é correto afirmar que:
De acordo com Andrés Torres Queiruga, o processo cultural explicitou que todo mal concreto tem sua causa histórica. Sendo assim, não há razões para acusar nem justificar a Deus. Diante do mal físico, não há espaço para a queixa religiosa nem para o protesto ateu: Sabendo que a enfermidade da criança foi causada por bacilos muito concretos, nem a teodiceia nem o ateísmo são respostas lógicas. Seria possível um mundo-sem-mal? Não, pois a raiz última do mal, sua condição de possibilidade, radica-se na finitude, e esta é a condição mesma de sua existência. Caso contrário, o mundo não existiria, porque Deus não poderia "dar tudo sem fazer um deus". A experiência demonstra que o mal físico e o mal moral são constitutivos do mundo em processo de realização, "sua dura aparição tem sido, e é será inevitável." Pensar um mundo-finito-sem-mal equivale a pensar em um círculo-quadrado ou em um ferro-de-madeira. Essa é a tese da reflexão moderna. Então, segundo Queiruga, é correto afirmar que:
a) A causa do mal no mundo é antropológica: o homem e a mulher são os causadores do mal no mal (criação).
b) A teologia atual deve reforçar o intervencionismo divino no mundo, sobretudo diante de um sentimento de impotência antropológica perante os males físico e moral.
c) O dilema de Epicuro é anacrônico, pois vem de um pensamento que já passou, e carece de sentido, pois apoia-se num pseudoconceito. Tem tão pouco significado perguntar se Deus quer e não pode criar um mundo-sem-mal quanto perguntar se Ele quer e não pode fazer círculos-quadrados.
d) Temos, dentro da teodiceia atual, cinco tendências na abordagem do mal: a relativização ou desontologização do mal; a dualista, para a qual Deus não é responsável pelo mal; a antropologização do mal, presente nas filosofias cristãs, que coloca no homem a origem do mal; a tendência de limitar a onipotência divina, seja porque Deus, ao criar, respeita o que é composto de bem e de mal; e a tendência que articula os atributos de bondade e onipotência em Deus e afirma um final feliz da história, quando, então, o mal será superado.
e) Nenhuma das alternativas anteriores é correta.
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O enunciado resume a tese de Andrés Torres Queiruga: todo mal concreto tem causa histórica (dentro do mundo finito) e, portanto, não faz sentido nem “acusar” Deus (protesto ateu) nem “justificá-lo” por meio de uma teodiceia intervencionista.
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Para Queiruga, a possibilidade do mal está ligada à finitude: um “mundo-finito-sem-mal” seria uma contradição lógica, como “círculo-quadrado” ou “ferro-de-madeira”. Logo, não é coerente perguntar por que Deus não cria um mundo finito sem mal, porque isso equivaleria a pedir o impossível (um “pseudoconceito”).
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Entre as alternativas, a (c) expressa exatamente essa ideia central ao aplicar a analogia do “círculo-quadrado” ao dilema de Epicuro, afirmando que ele se torna anacrônico/sem sentido por pressupor algo logicamente impossível (mundo finito sem mal).
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As demais alternativas não correspondem ao foco do texto: (a) reduz a causa do mal ao humano de forma geral; (b) defende intervencionismo divino, contrariando o trecho; (d) lista tendências de teodiceia, mas não é a inferência direta pedida “segundo Queiruga” a partir do argumento do mundo-finito-sem-mal.
Alternativa correta: (c).