Rafael sempre investiu em Tesouro Selic e CDBs. A convite de uma amiga, ela participou de um evento para investidores, sobre o mercado internacional e descobriu a renda fixa no exterior como uma possibilidade. Nas palestras, ele ouviu falar sobre títulos do Tesouro americano e perguntou a você, profissional certificado, se não é muito arriscado investir fora, já que “o dólar varia muito”. Você explica a dinâmica da renda fixa internacional e, ao comparar com o mercado brasileiro:
Questão
Rafael sempre investiu em Tesouro Selic e CDBs. A convite de uma amiga, ela participou de um evento para investidores, sobre o mercado internacional e descobriu a renda fixa no exterior como uma possibilidade. Nas palestras, ele ouviu falar sobre títulos do Tesouro americano e perguntou a você, profissional certificado, se não é muito arriscado investir fora, já que “o dólar varia muito”. Você explica a dinâmica da renda fixa internacional e, ao comparar com o mercado brasileiro:
Alternativas
a) reforça que os títulos internacionais são mais arriscados porque os emissores podem não pagar e que a taxa de juros americana é sempre inferior à brasileira.
b) destaca que os títulos americanos são considerados referência de segurança e que uma estratégia de câmbio médio pode diluir o efeito do câmbio.
c) orienta a evitar qualquer exposição internacional, pois a oscilação do câmbio anula qualquer benefício da diversificação.
Explicação
Na renda fixa internacional existem dois riscos principais: (1) o risco de crédito do emissor (ele pagar ou não) e (2) o risco cambial, pois o retorno em reais depende também da variação do dólar.
Ao comparar com o mercado brasileiro:
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Títulos do Tesouro dos EUA (U.S. Treasuries) são, em geral, considerados a referência global de segurança (baixo risco de crédito), justamente por serem títulos soberanos emitidos pelo governo americano. Portanto, não faz sentido dizer que “são mais arriscados porque os emissores podem não pagar” como regra (isso contraria a noção de benchmark de risco baixo).
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A fala “o dólar varia muito” é verdadeira, mas o investidor pode administrar o risco cambial. Uma forma comum é fazer aportes ao longo do tempo, formando um câmbio médio (dollar-cost averaging no câmbio): em vez de comprar dólar em um único ponto, o investidor compra em vários momentos e dilui o impacto de entrar justamente no pico ou no vale da moeda.
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A alternativa que manda evitar qualquer exposição internacional é incorreta, porque a diversificação internacional pode trazer benefícios de redução de risco da carteira (inclusive por descorrelação), e a oscilação cambial não “anula necessariamente” esses benefícios — depende do horizonte, da estratégia e do tamanho da exposição.
Logo, a orientação correta é reconhecer a segurança relativa dos Treasuries e explicar que o efeito do câmbio pode ser mitigado com estratégia de aportes ao longo do tempo.
Alternativa correta: (b).