Um paciente com doença arterial coronariana conhecida (DAC) será submetido a uma cirurgia de grande porte no pulmão (cirurgia torácica não cardíaca). O cardiologista alerta sobre o risco de eventos cardíacos no pós-operatório, devido ao estresse cirúrgico. Por que procedimentos cirúrgicos não cardíacos aumentam o risco de complicações cardiovasculares (como infarto ou arritmias)?

Questão

Um paciente com doença arterial coronariana conhecida (DAC) será submetido a uma cirurgia de grande porte no pulmão (cirurgia torácica não cardíaca). O cardiologista alerta sobre o risco de eventos cardíacos no pós-operatório, devido ao estresse cirúrgico.

Por que procedimentos cirúrgicos não cardíacos aumentam o risco de complicações cardiovasculares (como infarto ou arritmias)?

Alternativas

A) Porque esses procedimentos sempre causam infecção direta do miocárdio (miocardite).

B) O trauma operatório desencadeia respostas hemodinâmicas, metabólicas e hormonais (liberação adrenérgica) que aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial, sobrecarregando o coração.

97%

C) A cirurgia não cardíaca exige o uso de circulação extracorpórea (CEC), que causa inflamação sistêmica.

D) Todo procedimento cirúrgico não cardíaco leva, obrigatoriamente, à formação de um aneurisma aórtico.

E) A anestesia geral utilizada destrói as valvas cardíacas, causando cardiopatia reumática.

Explicação

  1. Em cirurgias de grande porte (como torácicas), o organismo responde ao trauma operatório com uma resposta ao estresse.

  2. Essa resposta envolve:

  • Ativação simpática/adrenérgica (catecolaminas) e liberação de outros mediadores hormonais;
  • Alterações hemodinâmicas: aumento da frequência cardíaca (taquicardia), da pressão arterial e da contratilidade;
  • Aumento da demanda miocárdica de oxigênio.
  1. Em pacientes com DAC, existe limitação do fluxo coronariano por placas/estenoses. Assim, quando a demanda aumenta (taquicardia/hipertensão), pode ocorrer desbalanço oferta–demanda de O₂, precipitando isquemia/infarto.

  2. Além disso, o estresse cirúrgico pode favorecer arritmias por:

  • maior tônus simpático;
  • flutuações de volume intravascular, dor, hipóxia, distúrbios eletrolíticos e inflamação.
  1. Avaliando as alternativas:
  • A) Miocardite infecciosa direta não é mecanismo típico/“sempre” presente.
  • C) Circulação extracorpórea é característica de muitas cirurgias cardíacas, não de cirurgias não cardíacas.
  • D) Aneurisma aórtico não é consequência obrigatória.
  • E) Anestesia geral não “destrói” valvas nem causa cardiopatia reumática.

Logo, o aumento do risco cardiovascular no pós-operatório decorre principalmente da resposta neuro-hormonal e hemodinâmica ao estresse cirúrgico, elevando trabalho cardíaco e consumo de oxigênio.

Alternativa correta: (B).

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