Um paciente com doença arterial coronariana conhecida (DAC) será submetido a uma cirurgia de grande porte no pulmão (cirurgia torácica não cardíaca). O cardiologista alerta sobre o risco de eventos cardíacos no pós-operatório, devido ao estresse cirúrgico. Por que procedimentos cirúrgicos não cardíacos aumentam o risco de complicações cardiovasculares (como infarto ou arritmias)?
Questão
Um paciente com doença arterial coronariana conhecida (DAC) será submetido a uma cirurgia de grande porte no pulmão (cirurgia torácica não cardíaca). O cardiologista alerta sobre o risco de eventos cardíacos no pós-operatório, devido ao estresse cirúrgico.
Por que procedimentos cirúrgicos não cardíacos aumentam o risco de complicações cardiovasculares (como infarto ou arritmias)?
Alternativas
A) Porque esses procedimentos sempre causam infecção direta do miocárdio (miocardite).
B) O trauma operatório desencadeia respostas hemodinâmicas, metabólicas e hormonais (liberação adrenérgica) que aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial, sobrecarregando o coração.
C) A cirurgia não cardíaca exige o uso de circulação extracorpórea (CEC), que causa inflamação sistêmica.
D) Todo procedimento cirúrgico não cardíaco leva, obrigatoriamente, à formação de um aneurisma aórtico.
E) A anestesia geral utilizada destrói as valvas cardíacas, causando cardiopatia reumática.
Explicação
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Em cirurgias de grande porte (como torácicas), o organismo responde ao trauma operatório com uma resposta ao estresse.
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Essa resposta envolve:
- Ativação simpática/adrenérgica (catecolaminas) e liberação de outros mediadores hormonais;
- Alterações hemodinâmicas: aumento da frequência cardíaca (taquicardia), da pressão arterial e da contratilidade;
- Aumento da demanda miocárdica de oxigênio.
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Em pacientes com DAC, existe limitação do fluxo coronariano por placas/estenoses. Assim, quando a demanda aumenta (taquicardia/hipertensão), pode ocorrer desbalanço oferta–demanda de O₂, precipitando isquemia/infarto.
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Além disso, o estresse cirúrgico pode favorecer arritmias por:
- maior tônus simpático;
- flutuações de volume intravascular, dor, hipóxia, distúrbios eletrolíticos e inflamação.
- Avaliando as alternativas:
- A) Miocardite infecciosa direta não é mecanismo típico/“sempre” presente.
- C) Circulação extracorpórea é característica de muitas cirurgias cardíacas, não de cirurgias não cardíacas.
- D) Aneurisma aórtico não é consequência obrigatória.
- E) Anestesia geral não “destrói” valvas nem causa cardiopatia reumática.
Logo, o aumento do risco cardiovascular no pós-operatório decorre principalmente da resposta neuro-hormonal e hemodinâmica ao estresse cirúrgico, elevando trabalho cardíaco e consumo de oxigênio.
Alternativa correta: (B).