Sexo feminino, 58 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, procura atendimento relatando dor torácica retroesternal em aperto, com irradiação para o ombro esquerdo. Refere que há cerca de dois meses apresentava dor apenas aos esforços moderados, com alívio completo após repouso em poucos minutos. Entretanto, nos últimos cinco dias, passou a apresentar crises mais frequentes, desencadeadas por esforços progressivamente menores, sem aumento importante da duração da dor e com alívio após repouso. Nega episódios prolongados de dor em repouso. Ao exame físico, encontra-se consciente, orientada, corada, com pressão arterial de 145/90 mmHg, frequência cardíaca de 84 bpm, sem sinais de insuficiência cardíaca. O eletrocardiograma inicial não mostra supradesnivelamento do segmento ST, e não há informações de elevação de marcadores de necrose miocárdica no atendimento inicial. a) O quadro clínico apresentado é compatível com qual Síndrome Coronariana Aguda?
Questão
Sexo feminino, 58 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, procura atendimento relatando dor torácica retroesternal em aperto, com irradiação para o ombro esquerdo. Refere que há cerca de dois meses apresentava dor apenas aos esforços moderados, com alívio completo após repouso em poucos minutos. Entretanto, nos últimos cinco dias, passou a apresentar crises mais frequentes, desencadeadas por esforços progressivamente menores, sem aumento importante da duração da dor e com alívio após repouso. Nega episódios prolongados de dor em repouso. Ao exame físico, encontra-se consciente, orientada, corada, com pressão arterial de 145/90 mmHg, frequência cardíaca de 84 bpm, sem sinais de insuficiência cardíaca. O eletrocardiograma inicial não mostra supradesnivelamento do segmento ST, e não há informações de elevação de marcadores de necrose miocárdica no atendimento inicial.
a) O quadro clínico apresentado é compatível com qual Síndrome Coronariana Aguda?
Resposta
90%O quadro é compatível com angina instável (SCA sem supradesnivelamento do segmento ST — SCASSST), na forma de angina em crescendo/progressiva (aumento de frequência e ocorrência com esforços menores, sem dor prolongada em repouso e sem evidência inicial de supra de ST).
Explicação
A paciente descreve dor anginosa típica, inicialmente estável (aos esforços moderados, aliviando com repouso), mas com piora nos últimos 5 dias, passando a ocorrer com esforços progressivamente menores e mais frequentemente. Esse padrão caracteriza angina em crescendo, que é um critério clínico de angina instável, enquadrada dentro das síndromes coronarianas agudas sem supra de ST (SCASSST).
Pontos-chave do caso:
- Piora recente do limiar de esforço e aumento da frequência das crises → sugere instabilidade da placa (SCA).
- Sem episódios prolongados em repouso e sem informação de elevação de marcadores ainda → favorece angina instável (se houver troponina elevada, reclassifica como IAM sem supra de ST).
- ECG sem supra de ST → afasta, no momento, IAM com supra de ST (IAMCSST), mas não exclui SCASSST.
Assim, a melhor classificação clínica inicial é angina instável (SCASSST).