Espectador, que palavra feia! O espectador, ser passivo, é menos que um homem e é necessário re-humanizá-lo, restituir-lhe sua capacidade de ação em toda sua plenitude. Ele deve ser também o sujeito, um ator, em igualdade de condições com os atores, que devem por sua vez ser também espectadores. Todas essas experiências de teatro popular perseguem o mesmo objetivo: a libertação do espectador, sobre quem o teatro se habituou a impor visões acabadas do mundo. E considerando que quem faz teatro, em geral, são pessoas direta ou indiretamente ligadas às classes dominantes, é lógico que essas imagens acabadas sejam as imagens da classe dominante. O espectador do teatro popular (o povo) não pode continuar sendo vítima passiva dessas imagens. Considerando o texto, para o dramaturgo Augusto Boal, o teatro popular assume importância análoga à
Questão
Espectador, que palavra feia! O espectador, ser passivo, é menos que um homem e é necessário re-humanizá-lo, restituir-lhe sua capacidade de ação em toda sua plenitude. Ele deve ser também o sujeito, um ator, em igualdade de condições com os atores, que devem por sua vez ser também espectadores. Todas essas experiências de teatro popular perseguem o mesmo objetivo: a libertação do espectador, sobre quem o teatro se habituou a impor visões acabadas do mundo. E considerando que quem faz teatro, em geral, são pessoas direta ou indiretamente ligadas às classes dominantes, é lógico que essas imagens acabadas sejam as imagens da classe dominante. O espectador do teatro popular (o povo) não pode continuar sendo vítima passiva dessas imagens.
Considerando o texto, para o dramaturgo Augusto Boal, o teatro popular assume importância análoga à
Alternativas
A) conservação de classes, com a subjugação do povo.
B) conciliação de classes, com a inclusão social do povo.
C) equidade de classes, com a participação ativa do povo.
D) inversão de classes, com o controle tomado pelo povo.
E) mobilidade de classes, com a troca entre atores e povo.
Explicação
- O texto critica a figura do “espectador” como um ser passivo, a quem o teatro tradicional “impõe visões acabadas do mundo”.
- Boal defende “re-humanizar” o espectador, isto é, devolver-lhe “capacidade de ação”, tornando-o sujeito/ator “em igualdade de condições com os atores”.
- Isso tem um sentido político: como o teatro costuma ser feito por pessoas ligadas às classes dominantes, as representações tendem a reproduzir a visão da classe dominante; o teatro popular deve “libertar” o povo dessa passividade.
- Logo, a importância do teatro popular é promover participação ativa do povo e uma relação de igualdade (não subjugação, nem conciliação, nem simples troca de lugares, nem “controle” total), rompendo a hierarquia entre quem representa e quem apenas assiste.
Alternativa correta: C.