Alessandro é um investidor que comprou há 1 ano um CRA com vencimento em 5 anos e taxa IPCA + 6%. Diante da recente alta na taxa Selic, ele pensa em vender esse título para comprar um Tesouro IPCA+ 2029, que está oferecendo IPCA + 7%. Marina, sua consultora, avalia a situação com cautela, tentando entender os possíveis impactos dessa mudança. Diante desse contexto, a orientação mais adequada por parte da profissional certificada seria?

Questão

Alessandro é um investidor que comprou há 1 ano um CRA com vencimento em 5 anos e taxa IPCA + 6%. Diante da recente alta na taxa Selic, ele pensa em vender esse título para comprar um Tesouro IPCA+ 2029, que está oferecendo IPCA + 7%. Marina, sua consultora, avalia a situação com cautela, tentando entender os possíveis impactos dessa mudança. Diante desse contexto, a orientação mais adequada por parte da profissional certificada seria?

Resposta

86%

Como não foram fornecidas alternativas, a orientação adequada é: não recomendar a troca apenas pela taxa aparente (de IPCA+6% para IPCA+7%) sem antes quantificar custos, riscos e efeitos de marcação a mercado; avaliar prazo, liquidez, crédito e tributação e, se a motivação for a alta da Selic no curto prazo, considerar que títulos IPCA+ podem cair de preço quando os juros reais sobem.

Explicação

Vamos separar os pontos técnicos que uma profissional certificada deveria considerar antes de orientar a venda do CRA e a compra do Tesouro IPCA+ 2029.

  1. Marcação a mercado e “risco de vender na hora errada”
  • O CRA do Alessandro é IPCA + 6% e tem vencimento em 5 anos (ele comprou há 1 ano, então faltam ~4 anos).
  • Com a alta da Selic, normalmente também há alta (ou abertura) dos juros reais exigidos pelo mercado para títulos indexados à inflação (IPCA+).
  • Quando a taxa exigida sobe, o preço de mercado do título que paga uma taxa menor (ex.: IPCA+6%) cai. Se ele vender agora, pode realizar perda (ou reduzir bastante o ganho) dependendo do preço atual e do spread de negociação.
  1. Comparação correta: taxa nominal “+1%” não é tudo
    Mesmo que o Tesouro IPCA+ 2029 esteja em IPCA + 7%, a troca só faz sentido se, no cenário atual, o benefício esperado (mais 1 p.p. a.a. de juro real) superar:
  • a eventual desvalorização/ágio-deságio ao vender o CRA;
  • custos de transação e eventuais spreads;
  • diferenças de tributação e de fluxo;
  • e, principalmente, se o prazo e o objetivo do investidor casarem com 2029.
  1. Risco de crédito x risco soberano, e adequação ao perfil
  • CRA é, em geral, crédito privado (risco do emissor/estrutura).
  • Tesouro IPCA+ é risco soberano (em reais) e costuma ter maior transparência e liquidez, mas ainda sofre marcação a mercado.
    Uma consultora deve checar se a motivação é reduzir risco de crédito (o que pode ser válido) ou apenas “pegar taxa maior” (o que pode levar a decisão apressada).
  1. Liquidez e possibilidade de segurar até o vencimento
  • Se Alessandro pretende levar o CRA até o vencimento e o título segue adequado ao objetivo (prazo, risco, carteira), a alta da Selic não prejudica o retorno contratado para quem carrega até o fim (o principal risco é precisar vender antes).
  • Se ele pode precisar do dinheiro antes, a consultora deve alertar que tanto CRA quanto Tesouro IPCA+ podem oscilar; porém o Tesouro geralmente tem maior liquidez (ainda que com preço variável).
  1. Tributação (ponto-chave em CRA)
    Muitos CRAs distribuídos ao investidor pessoa física são isentos de IR (quando enquadrados nas regras aplicáveis). Já o Tesouro IPCA+ tende a ter IR regressivo (a depender do tempo de aplicação) e outros custos (ex.: custódia/B3, conforme regras vigentes).
    Assim, o “IPCA+7%” pode não ser melhor líquido do que um “IPCA+6% isento”, dependendo do caso.

Conclusão (orientação adequada): a profissional certificada deve orientar Alessandro a não decidir pela troca apenas porque a taxa do Tesouro está maior, e sim fazer uma análise de adequação e custo-benefício (marcação a mercado, preço de venda do CRA, liquidez, risco de crédito, prazo/objetivo e tributação). Se a troca tiver objetivo claro (ex.: reduzir risco de crédito, melhorar liquidez e alinhar prazo) e for vantajosa no retorno líquido esperado, aí sim pode ser recomendada.

Alternativa correta: (sem opções fornecidas).

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