"Ali ficamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dela, entre esse arvoredo, que é tanto, tamanho, tão basto e de tantas prumagens, que homens as não podem contar. Há entre elle muitas palmas, de que colhemos muitos e bons palmitos." "Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, serião logo christãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem nenhuma crença. E, portanto, se os degradados, que aqui hão de ficar, aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer christãos e creem na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque, certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. É imprimido como a bons homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa." "Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, de dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nécios, que o não somos nós tanto, com quão tanto trigo e legumes comemos." Partindo da leitura das três citações da Carta de Pero Vaz de Caminha, analise os itens a seguir: I. Trata-se de um documento histórico que exalta a terra descoberta mediante o uso de expressões valorativas dos hábitos e costumes de seus habitantes, o que, de um lado, revela a surpresa dos portugueses recém-chegados, de outro, tem a intenção de instigar o rei a dar início à colonização. II. Ao afirmar que os habitantes da nova terra não têm nenhuma crença, Caminha faz uma avaliação que denota seu desconhecimento sobre a cultura daqueles que habitam a terra descoberta, pois todos os grupos sociais, primitivos ou não, têm suas crenças e mitos. III. Caminha usa a conversão dos gentios como argumento para atrair a atenção do Rei Dom Manuel sobre a terra descoberta, colocando, mais uma vez, a expansão da fé cristã como bandeira dos conquistadores portugueses. IV. Ao afirmar que os habitantes da terra descoberta não lavram nem criam, alimentam-se do que a natureza lhes oferece, Caminha tece uma crítica à inaptidão e inércia daqueles que vivem mal, utilizando, por desconhecimento, as riquezas naturais da região. V. As citações revelam que a Carta do Achamento do Brasil tem por objetivo descrever a nova terra de modo a atrair os que estão distantes pela riqueza e beleza de que é possuidora. Estão CORRETOS, apenas:

Questão

"Ali ficamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dela, entre esse arvoredo, que é tanto, tamanho, tão basto e de tantas prumagens, que homens as não podem contar. Há entre elle muitas palmas, de que colhemos muitos e bons palmitos."

"Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, serião logo christãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem nenhuma crença. E, portanto, se os degradados, que aqui hão de ficar, aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer christãos e creem na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque, certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. É imprimido como a bons homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa."

"Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, de dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nécios, que o não somos nós tanto, com quão tanto trigo e legumes comemos."

Partindo da leitura das três citações da Carta de Pero Vaz de Caminha, analise os itens a seguir:

I. Trata-se de um documento histórico que exalta a terra descoberta mediante o uso de expressões valorativas dos hábitos e costumes de seus habitantes, o que, de um lado, revela a surpresa dos portugueses recém-chegados, de outro, tem a intenção de instigar o rei a dar início à colonização.

II. Ao afirmar que os habitantes da nova terra não têm nenhuma crença, Caminha faz uma avaliação que denota seu desconhecimento sobre a cultura daqueles que habitam a terra descoberta, pois todos os grupos sociais, primitivos ou não, têm suas crenças e mitos.

III. Caminha usa a conversão dos gentios como argumento para atrair a atenção do Rei Dom Manuel sobre a terra descoberta, colocando, mais uma vez, a expansão da fé cristã como bandeira dos conquistadores portugueses.

IV. Ao afirmar que os habitantes da terra descoberta não lavram nem criam, alimentam-se do que a natureza lhes oferece, Caminha tece uma crítica à inaptidão e inércia daqueles que vivem mal, utilizando, por desconhecimento, as riquezas naturais da região.

V. As citações revelam que a Carta do Achamento do Brasil tem por objetivo descrever a nova terra de modo a atrair os que estão distantes pela riqueza e beleza de que é possuidora.

Estão CORRETOS, apenas:

Alternativas

a) I, II e IV.

b) I, II, III e V.

92%

c) I, II e III.

d) II e IV.

e) I e II.

Explicação

Vamos avaliar cada item a partir do teor das citações (exaltação da terra, visão etnocêntrica sobre os indígenas e objetivo de informar/convencer o rei).

I. Correto. A Carta é um documento histórico que valoriza a terra (“tanto, tamanho, tão basto...”) e descreve hábitos dos habitantes com avaliações (“boa simplicidade”, “inocência”). Esse tom elogioso também funciona como estratégia de interesse junto ao rei, indicando potencial para ocupação/colonização.

II. Correto. Ao dizer que “não têm, nem entendem nenhuma crença”, Caminha revela desconhecimento (ou incapacidade de reconhecer) as formas religiosas e míticas indígenas, avaliando-as a partir do parâmetro cristão-europeu. Ou seja: ele interpreta como “sem crença” aquilo que não se enquadra na crença europeia.

III. Correto. A conversão aparece como argumento político-religioso: Caminha afirma que, se houver comunicação, “serião logo christãos” e reforça a “santa intenção” do rei. Isso coloca a expansão da fé cristã como justificativa e bandeira da presença portuguesa.

IV. Incorreto. Embora Caminha diga que “não lavram, nem criam”, o trecho não constrói uma crítica moral de inaptidão/inércia. Pelo contrário, ele chega a enfatizar que, mesmo sem agricultura e criação nos moldes europeus, “andam tais e tão rijos” (fortes), sugerindo admiração e comparação favorável, e não censura por “viver mal”.

V. Correto. As passagens descrevem abundância natural (arvoredo, palmas, frutos) e traços dos habitantes, com claro efeito de tornar a terra atraente para quem está distante (o rei e a Coroa), destacando riqueza e beleza.

Logo, estão corretos apenas I, II, III e V.

Alternativa correta: (b).

Questões relacionadas

Ver últimas questões

Comece a estudar de forma inteligente hoje mesmo

Resolva questões de concursos e vestibulares com IA, gere simulados personalizados e domine os conteúdos que mais caem nas provas.

Cancele quando quiser.