Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato. Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. A coesão é o processo que “costura” as palavras de um texto, conferindo-lhe unidade. Nesse sentido, na penúltima estrofe do poema de Bandeira, o processo coesivo responsável pela ligação dos dois últimos versos ao primeiro é a
Questão
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato.
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.
A coesão é o processo que “costura” as palavras de um texto, conferindo-lhe unidade. Nesse sentido, na penúltima estrofe do poema de Bandeira, o processo coesivo responsável pela ligação dos dois últimos versos ao primeiro é a
Alternativas
referência aos bichos, que expressa a unidade temática da estrofe em questão.
retomada do advérbio "não", que confere paralelismo aos três versos da estrofe.
repetição da forma verbal "era", que mantém a unidade de tempo e modo verbais ao conjunto de versos.
elipse da palavra "bicho", explícita no primeiro verso e subentendida nos dois seguintes.
Explicação
Na penúltima estrofe, lê-se:
- “O bicho não era um cão,”
- “Não era um gato.”
- “Não era um rato.”
O primeiro verso apresenta explicitamente o termo “O bicho”. Nos dois versos seguintes, o sujeito não aparece escrito, mas é recuperado pelo contexto: entende-se “(O bicho) não era um gato” e “(O bicho) não era um rato”.
Esse mecanismo de “deixar subentendido” um termo já mencionado para evitar repetição é um processo de coesão por elipse, que liga os dois últimos versos ao primeiro mantendo a unidade da estrofe.
Alternativa correta: (d).