O escravismo no Brasil perdurou até o ano de 1888, sendo o país uma economia agrícola, basicamente centrada no açúcar e no café. No entanto, neste período, na Inglaterra e em outros países do mundo, ocorria a Revolução Industrial capitalista. Diante disso, como explicar a existência de dois modos de produção concomitantes? Como um está fadado a desaparecer?

Questão

O escravismo no Brasil perdurou até o ano de 1888, sendo o país uma economia agrícola, basicamente centrada no açúcar e no café. No entanto, neste período, na Inglaterra e em outros países do mundo, ocorria a Revolução Industrial capitalista. Diante disso, como explicar a existência de dois modos de produção concomitantes? Como um está fadado a desaparecer?

Resposta

90%

A coexistência do escravismo no Brasil (até 1888) com o capitalismo industrial em expansão na Inglaterra e em outros países se explica pela divisão internacional do trabalho e pelo caráter desigual e combinado do desenvolvimento do capitalismo no mundo.

1) Dois “modos de produção” podem coexistir porque o sistema econômico mundial é articulado

  • A Revolução Industrial consolidou um capitalismo industrial nos países centrais, que passou a demandar:
    • matérias-primas e alimentos baratos;
    • mercados consumidores para seus manufaturados;
    • e áreas de investimento e crédito.
  • Nesse arranjo, regiões como o Brasil foram integradas como economias agroexportadoras, com estruturas de trabalho coercitivas (como a escravidão) funcionando como meio de baratear custos e garantir grande produção para exportação (açúcar, café etc.).
  • Assim, não são “dois mundos separados”: a escravidão e a economia exportadora se conectavam ao capitalismo industrial via comércio externo, finanças, transporte, seguros e compra de equipamentos.

2) Por que um modo tende a desaparecer (a escravidão), e qual é o sentido dessa “superação”? A escravidão tende a desaparecer porque, com o avanço do capitalismo mundial, ela passa a entrar em contradição com novas necessidades econômicas e políticas:

  • Formação de mercado interno e de consumidores: a indústria precisa ampliar mercados; o trabalho livre assalariado tende a criar consumidores (ainda que pobres) e dinamizar a circulação de mercadorias.
  • Maior flexibilidade do trabalho: o capitalismo favorece força de trabalho “livre” (juridicamente) para contratar/demitir, deslocar, pagar salários, intensificar ritmos etc.
  • Pressão internacional (sobretudo britânica) contra o tráfico e, depois, contra a escravidão: não apenas por razões humanitárias, mas também por interesses econômicos e geopolíticos.
  • Mudanças internas: crescimento do café, urbanização parcial, imigração e aumento das tensões sociais e políticas (resistência escrava, abolicionismo, crise de legitimidade do regime escravista).

3) O que “substitui” a escravidão no Brasil? A transição se dá para formas de trabalho livre (principalmente assalariado), mas de modo conservador e desigual:

  • o fim jurídico da escravidão não significou igualdade social;
  • foram criadas e ampliadas formas de exploração do trabalho com baixa remuneração e poucas garantias (além de mecanismos de exclusão dos libertos).

Em síntese: há concomitância porque o capitalismo, ao se expandir, articula regiões com diferentes formas de organizar a produção, usando-as de acordo com sua função na economia mundial. A escravidão fica fadada a desaparecer quando passa a ser menos funcional (econômica e politicamente) do que o trabalho livre para a reprodução ampliada do capitalismo, sendo substituída por relações de trabalho predominantemente assalariadas.

confidence: 90, slug: "coexistencia-escravismo-capitalismo-revolucao-industrial", categories: ["História", "Brasil Império", "Escravidão e Abolição", "Revolução Industrial"]}}}<<< END OF OUTPUT >>>}

Explicação

A coexistência do escravismo no Brasil (até 1888) com o capitalismo industrial em expansão na Inglaterra e em outros países se explica pela divisão internacional do trabalho e pelo caráter desigual e combinado do desenvolvimento do capitalismo no mundo.

1) Dois “modos de produção” podem coexistir porque o sistema econômico mundial é articulado

  • A Revolução Industrial consolidou um capitalismo industrial nos países centrais, que passou a demandar:
    • matérias-primas e alimentos baratos;
    • mercados consumidores para seus manufaturados;
    • e áreas de investimento e crédito.
  • Nesse arranjo, regiões como o Brasil foram integradas como economias agroexportadoras, com estruturas de trabalho coercitivas (como a escravidão) funcionando como meio de baratear custos e garantir grande produção para exportação (açúcar, café etc.).
  • Assim, não são “dois mundos separados”: a escravidão e a economia exportadora se conectavam ao capitalismo industrial via comércio externo, finanças, transporte, seguros e compra de equipamentos.

2) Por que um modo tende a desaparecer (a escravidão), e qual é o sentido dessa “superação”? A escravidão tende a desaparecer porque, com o avanço do capitalismo mundial, ela passa a entrar em contradição com novas necessidades econômicas e políticas:

  • Formação de mercado interno e de consumidores: a indústria precisa ampliar mercados; o trabalho livre assalariado tende a criar consumidores (ainda que pobres) e dinamizar a circulação de mercadorias.
  • Maior flexibilidade do trabalho: o capitalismo favorece força de trabalho “livre” (juridicamente) para contratar/demitir, deslocar, pagar salários, intensificar ritmos etc.
  • Pressão internacional (sobretudo britânica) contra o tráfico e, depois, contra a escravidão: não apenas por razões humanitárias, mas também por interesses econômicos e geopolíticos.
  • Mudanças internas: crescimento do café, urbanização parcial, imigração e aumento das tensões sociais e políticas (resistência escrava, abolicionismo, crise de legitimidade do regime escravista).

3) O que “substitui” a escravidão no Brasil? A transição se dá para formas de trabalho livre (principalmente assalariado), mas de modo conservador e desigual:

  • o fim jurídico da escravidão não significou igualdade social;
  • foram criadas e ampliadas formas de exploração do trabalho com baixa remuneração e poucas garantias (além de mecanismos de exclusão dos libertos).

Em síntese: há concomitância porque o capitalismo, ao se expandir, articula regiões com diferentes formas de organizar a produção, usando-as de acordo com sua função na economia mundial. A escravidão fica fadada a desaparecer quando passa a ser menos funcional (econômica e politicamente) do que o trabalho livre para a reprodução ampliada do capitalismo, sendo substituída por relações de trabalho predominantemente assalariadas.

Alternativa correta: (sem alternativas).

Questões relacionadas

Ver últimas questões

Comece a estudar de forma inteligente hoje mesmo

Resolva questões de concursos e vestibulares com IA, gere simulados personalizados e domine os conteúdos que mais caem nas provas.

Cancele quando quiser.