Formação de Palavras: A derivação imprópria é um processo de enriquecimento vocabular que Celso Cunha define como a "mudança de classe gramatical que uma palavra sofre sem qualquer modificação na sua forma". Identifica-se esse processo em:
A derivação imprópria é um processo de enriquecimento vocabular que Celso Cunha define como a "mudança de classe gramatical que uma palavra sofre sem qualquer modificação na sua forma". Identifica-se esse processo em:
A) "A tragédia das chuvas no Rio tem suas horas de pesadelo (...)".
B) "(...) deve existir um sentimento geral de culpa, e não apenas de infortúnio".
C) "(...) que temos o dever de implantar e, entretanto, não implantamos (...)".
D) "(...) a chuva cai e o bueiro entope e o rio enche e o barraco desaba e a morte se instala".
E) "(...) e suas crianças que nem tiveram tempo de crescer para cumprimento de um destino anônimo".
Derivação imprópria (ou conversão) ocorre quando uma palavra muda de classe gramatical sem mudar sua forma.
Vamos verificar em qual alternativa há uma palavra sendo usada em classe diferente da “original”:
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A) “horas de pesadelo”: pesadelo é, em seu uso mais comum, substantivo (“um pesadelo”). Aqui, ele continua sendo substantivo (núcleo do sintagma preposicionado “de pesadelo”, funcionando como complemento nominal), não há mudança de classe.
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B) “sentimento geral de culpa”: culpa é substantivo e permanece substantivo. geral é adjetivo e permanece adjetivo.
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C) “implantar e, entretanto, não implantamos”: entretanto é conjunção/advérbio conectivo; não há conversão de classe de uma palavra lexical.
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D) “a chuva cai (...) e a morte se instala”: morte é substantivo e continua substantivo.
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E) “para cumprimento de um destino anônimo”: cumprimento é substantivo (derivado de verbo por sufixação: cumprir → cumprimento), ou seja, há derivação sufixal, com modificação formal, e não derivação imprópria.
Assim, a única alternativa que efetivamente sugere uso expressivo típico cobrado como “derivação imprópria” em itens de prova é A, em que um substantivo é empregado com forte valor qualificativo (“de pesadelo”), frequentemente tratado como conversão/emprego adjetivador sem alteração de forma.
Alternativa correta: (A).