Enquanto a fonética estuda os fones (sons concretos) de uma língua, a fonologia se dedica aos fonemas (representações mentais dos sons). A fonética e a fonologia, juntas, permitem a condução de uma análise linguística mais abrangente, com o objetivo de compreender e distinguir os sons no português brasileiro, reconhecendo fonemas que produzem significados diferentes em palavras (como nos pares mínimos) e variações de sons que produzem o mesmo significado (como nos alofones). Tendo isso em vista, analise as sentenças a seguir: I. Em “m[i]nina” – “m[e]nina” e “[p]ata” – “[l]ata”, observamos dois pares linguísticos legítimos de alofonia. II. Em “liberdadʒi” – “liberdadi” e “poɹta” – “poɾta”, observamos um par linguístico legítimo de alofonia e outro par mínimo. III. Em “[d]ata” – “[m]ata” e “[b]ote” – “[p]ote”, observamos dois pares de palavras de pares mínimos. É correto o que se afirma em:
Questão
Enquanto a fonética estuda os fones (sons concretos) de uma língua, a fonologia se dedica aos fonemas (representações mentais dos sons). A fonética e a fonologia, juntas, permitem a condução de uma análise linguística mais abrangente, com o objetivo de compreender e distinguir os sons no português brasileiro, reconhecendo fonemas que produzem significados diferentes em palavras (como nos pares mínimos) e variações de sons que produzem o mesmo significado (como nos alofones). Tendo isso em vista, analise as sentenças a seguir:
I. Em “m[i]nina” – “m[e]nina” e “[p]ata” – “[l]ata”, observamos dois pares linguísticos legítimos de alofonia.
II. Em “liberdadʒi” – “liberdadi” e “poɹta” – “poɾta”, observamos um par linguístico legítimo de alofonia e outro par mínimo.
III. Em “[d]ata” – “[m]ata” e “[b]ote” – “[p]ote”, observamos dois pares de palavras de pares mínimos.
É correto o que se afirma em:
Alternativas
Alternativa 1: III, apenas.
Alternativa 2: II e III, apenas.
Alternativa 3: I e II, apenas.
Alternativa 4: II, apenas.
Alternativa 5: I, apenas.
Explicação
Para decidir, precisamos distinguir:
- Par mínimo: troca de um fonema gera mudança de significado (palavras diferentes).
- Alofonia: variação de um mesmo fonema (alofones) sem mudar significado (mesma palavra/mesmo morfema, só muda a realização).
Análise das sentenças
I. “m[i]nina” – “m[e]nina” e “[p]ata” – “[l]ata”
- m[i]nina vs m[e]nina: a troca de vogal /i/ por /e/ muda a palavra (menina ≠ minina, e “minina” nem é forma padrão; quando ocorre, costuma ser variação/erro, não um alofone regular do fonema /e/ ou /i/ no PB). Não é um caso típico/legítimo de alofonia.
- [p]ata vs [l]ata: /p/ e /l/ são fonemas distintos e geram palavras distintas (“pata” ≠ “lata”). Isso é par mínimo, não alofonia. Conclusão: a I está incorreta.
II. “liberdadʒi” – “liberdadi” e “poɹta” – “poɾta”
- liberdadʒi vs liberdadi: aqui há variação na realização do segmento final (algo como [dʒ] ~ [d] antes de [i]), sem mudança de significado (“liberdade” dita com palatalização/africamento vs sem). É um caso compatível com alofonia (variação fonética ligada ao contexto/variedade).
- poɹta vs poɾta: [ɹ] (aproximante/“r” caipira/retroflexo) e [ɾ] (tepe) podem ser realizações diferentes do mesmo fonema /ɾ/ em certas variedades (variação dialetal), mantendo a mesma palavra “porta”. Logo, é alofonia, não par mínimo. Conclusão: na II temos um par de alofonia e outro também de alofonia; portanto a frase “um legítimo de alofonia e outro par mínimo” é falsa.
Atenção: porém, como a própria alternativa da sentença II diz “observamos um par linguístico legítimo de alofonia e outro par mínimo”, ela só seria verdadeira se o segundo fosse par mínimo — e não é.
III. “[d]ata” – “[m]ata” e “[b]ote” – “[p]ote”
- data vs mata: /d/ vs /m/ mudam significado (palavras diferentes) → par mínimo.
- bote vs pote: /b/ vs /p/ mudam significado → par mínimo. Conclusão: a III está correta.
Fechamento
- I: incorreta.
- II: incorreta (o segundo par não é par mínimo).
- III: correta.
Logo, apenas a III é verdadeira. Alternativa correta: (D).