Enquanto a fonética estuda os fones (sons concretos) de uma língua, a fonologia se dedica aos fonemas (representações mentais dos sons). A fonética e a fonologia, juntas, permitem a condução de uma análise linguística mais abrangente, com o objetivo de compreender e distinguir os sons no português brasileiro, reconhecendo fonemas que produzem significados diferentes em palavras (como nos pares mínimos) e variações de sons que produzem o mesmo significado (como nos alofones). Tendo isso em vista, analise as sentenças a seguir: I. Em “m[i]nina” – “m[e]nina” e “[p]ata” – “[l]ata”, observamos dois pares linguísticos legítimos de alofonia. II. Em “liberdadʒi” – “liberdadi” e “poɹta” – “poɾta”, observamos um par linguístico legítimo de alofonia e outro par mínimo. III. Em “[d]ata” – “[m]ata” e “[b]ote” – “[p]ote”, observamos dois pares de palavras de pares mínimos. É correto o que se afirma em:

Questão

Enquanto a fonética estuda os fones (sons concretos) de uma língua, a fonologia se dedica aos fonemas (representações mentais dos sons). A fonética e a fonologia, juntas, permitem a condução de uma análise linguística mais abrangente, com o objetivo de compreender e distinguir os sons no português brasileiro, reconhecendo fonemas que produzem significados diferentes em palavras (como nos pares mínimos) e variações de sons que produzem o mesmo significado (como nos alofones). Tendo isso em vista, analise as sentenças a seguir:

I. Em “m[i]nina” – “m[e]nina” e “[p]ata” – “[l]ata”, observamos dois pares linguísticos legítimos de alofonia.

II. Em “liberdadʒi” – “liberdadi” e “poɹta” – “poɾta”, observamos um par linguístico legítimo de alofonia e outro par mínimo.

III. Em “[d]ata” – “[m]ata” e “[b]ote” – “[p]ote”, observamos dois pares de palavras de pares mínimos.

É correto o que se afirma em:

Alternativas

Alternativa 1: III, apenas.

Alternativa 2: II e III, apenas.

Alternativa 3: I e II, apenas.

Alternativa 4: II, apenas.

78%

Alternativa 5: I, apenas.

Explicação

Para decidir, precisamos distinguir:

  • Par mínimo: troca de um fonema gera mudança de significado (palavras diferentes).
  • Alofonia: variação de um mesmo fonema (alofones) sem mudar significado (mesma palavra/mesmo morfema, só muda a realização).

Análise das sentenças

I. “m[i]nina” – “m[e]nina” e “[p]ata” – “[l]ata”

  • m[i]nina vs m[e]nina: a troca de vogal /i/ por /e/ muda a palavra (meninaminina, e “minina” nem é forma padrão; quando ocorre, costuma ser variação/erro, não um alofone regular do fonema /e/ ou /i/ no PB). Não é um caso típico/legítimo de alofonia.
  • [p]ata vs [l]ata: /p/ e /l/ são fonemas distintos e geram palavras distintas (“pata” ≠ “lata”). Isso é par mínimo, não alofonia. Conclusão: a I está incorreta.

II. “liberdadʒi” – “liberdadi” e “poɹta” – “poɾta”

  • liberdadʒi vs liberdadi: aqui há variação na realização do segmento final (algo como [dʒ] ~ [d] antes de [i]), sem mudança de significado (“liberdade” dita com palatalização/africamento vs sem). É um caso compatível com alofonia (variação fonética ligada ao contexto/variedade).
  • poɹta vs poɾta: [ɹ] (aproximante/“r” caipira/retroflexo) e [ɾ] (tepe) podem ser realizações diferentes do mesmo fonema /ɾ/ em certas variedades (variação dialetal), mantendo a mesma palavra “porta”. Logo, é alofonia, não par mínimo. Conclusão: na II temos um par de alofonia e outro também de alofonia; portanto a frase “um legítimo de alofonia e outro par mínimo” é falsa.

Atenção: porém, como a própria alternativa da sentença II diz “observamos um par linguístico legítimo de alofonia e outro par mínimo”, ela só seria verdadeira se o segundo fosse par mínimo — e não é.

III. “[d]ata” – “[m]ata” e “[b]ote” – “[p]ote”

  • data vs mata: /d/ vs /m/ mudam significado (palavras diferentes) → par mínimo.
  • bote vs pote: /b/ vs /p/ mudam significado → par mínimo. Conclusão: a III está correta.

Fechamento

  • I: incorreta.
  • II: incorreta (o segundo par não é par mínimo).
  • III: correta.

Logo, apenas a III é verdadeira. Alternativa correta: (D).

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