O texto "Não há mais relógios bobos", publicado na seção "Opinião" da Folha de S. Paulo, articula elementos argumentativos e referências culturais para comentar a mudança no uso de relógios na sociedade contemporânea. Considerando a especificidade, as características próprias, o tipo de discurso empregado e sua função dentro do contexto do jornal, é correto afirmar que

Questão

O texto "Não há mais relógios bobos", publicado na seção "Opinião" da Folha de S. Paulo, articula elementos argumentativos e referências culturais para comentar a mudança no uso de relógios na sociedade contemporânea. Considerando a especificidade, as características próprias, o tipo de discurso empregado e sua função dentro do contexto do jornal, é correto afirmar que

Alternativas

a) configura-se como um relato memorialístico, pois retoma lembranças e experiências do passado à maneira de uma autobiografia, com foco na reconstrução de memórias pessoais.

b) enquadra-se no gênero resenha crítica, uma vez que avalia obras cinematográficas e musicais mencionadas, oferecendo ao leitor recomendações e análise dessas produções.

c) caracteriza-se como um ensaio literário, marcado pelo uso de linguagem metafórica, estrutura livre e aprofundamento filosófico sobre o tempo, sem compromisso com o contexto jornalístico.

d) trata-se de um artigo de opinião, pois traz a visão subjetiva do autor, utiliza humor e referências culturais, para sustentar um argumento sobre a perda de relevância dos relógios tradicionais, a fim de influenciar a reflexão do leitor.

92%

e) classifica-se como uma crônica narrativa, pois apresenta um enredo estruturado, com personagens, marcas temporais e conflitos fictícios, cujo objetivo principal é entreter o leitor com uma história inventada.

Explicação

Como o texto foi publicado na seção “Opinião” e, segundo o enunciado, articula elementos argumentativos e referências culturais para comentar uma mudança social (o uso de relógios na contemporaneidade), a caracterização mais adequada é a de artigo de opinião.

Por que é artigo de opinião (alternativa d):

  1. Finalidade argumentativa/persuasiva: o foco é defender uma tese/posição (a perda de relevância dos relógios tradicionais) e conduzir o leitor à reflexão, o que é típico do artigo opinativo.
  2. Subjetividade do autor: esse gênero assume um “eu” avaliativo, com juízos e interpretações sobre um tema social/cultural.
  3. Estratégias de convencimento: o enunciado destaca o uso de humor e referências culturais como recursos de sustentação do ponto de vista — elementos frequentes em textos opinativos de jornal.
  4. Adequação ao contexto jornalístico: a seção “Opinião” é precisamente o espaço em que o jornal publica textos cujo objetivo central é opinar e argumentar, não narrar ficções nem avaliar obras como função principal.

Por que as demais estão inadequadas:

  • a) Relato memorialístico: pode até haver lembranças, mas o núcleo do texto (como descrito) é interpretar e argumentar sobre um fenômeno contemporâneo, não reconstruir uma autobiografia/memórias como fim principal.
  • b) Resenha crítica: mencionar filmes/músicas não basta; resenha avalia uma obra específica (ou conjunto) com intenção de análise/recomendação. Aqui, as referências culturais funcionam como exemplos para a tese.
  • c) Ensaio literário: embora possa ter linguagem mais livre, o enunciado enfatiza a função no jornal e o comentário social; além disso, o artigo de opinião não exige aprofundamento filosófico “sem compromisso com o contexto jornalístico”.
  • e) Crônica narrativa: crônicas podem ser do cotidiano e até opinativas, mas a alternativa exige enredo com personagens e conflitos fictícios, o que não é o foco indicado; o enunciado aponta predominância de argumentação, não de narrativa ficcional.

Portanto, a alternativa correta é d.

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