Leia o texto abaixo e responda a questão ao final. "Início minhas palavras com as palavras finais, as últimas três linhas, do livro Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, lançado no exílio de Santiago do Chile na primavera de 1968 onde afirma: 'Se nada ficar destas páginas, algo, pelo menos, esperamos que permaneça: nossa confiança no povo. Nossa fé nos homens, na criação de um mundo em que seja menos difícil amar'. Isso mostra porque ainda na atualidade Paulo Freire figura entre as mais destacadas personalidades no campo pedagógico mundial. O livro Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire escrito há quarenta anos permanece vigente desde a sua constante ressonância no Brasil e no exterior e aos novos tipos de oprimidos que surgem a cada dia em nossa sociedade. Prefacia esta explicita nas primeiras palavras de abertura do referido livro em que o dedica 'aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam'. [...] O livro compõe-se de quatro capítulos, sendo que no primeiro, Paulo Freire, justifica a escolha do título Pedagogia do Oprimido, onde há uma clara e radical opção pelo oprimido, parte do ponto de vista dos Oprimidos, a partir da experiência histórica dos mesmos, o que denota para a década dos anos 1960 uma virada paradigmática, uma coragem política, uma visão da mudança no que norteia todo o serviço de ensino de América Latina. Essa virada de paradigma e uma forma de reconhecer nos excluídos, como itens as novas posições sociais na casa de atenção, jamais vista em nosso contexto, pelo menos, no campo da Pedagogia. Isso constitui uma nova forma de construir a pedagogia, a partir da infraestrutura da base dominada e o que coloca Paulo Freire não só como educador, mas como grande filósofo da educação do século XX, pelo modo revolucionário e peculiar de estabelecer as suas bases pedagógicas, arrancadas na experiência histórica da dominação a que foram submetidos os nossos povos. Tarefa humanista e histórica de libertação dos nossos povos, comprometida com a práxis e a transformação da realidade opressora dos mesmos. Paulo Freire ao justificar, Pedagogia do Oprimido desde a experiência histórica dos povos, e, dita pelos oprimidos, nos diz um texto, a educação se fundamenta na ética. Não deseja, a princípio, elaborar uma ética propriamente dita, nem elaborar um discurso sobre a ética, porém seu trabalho de educador se volta para a prática educativa e, singularmente, para que o oprimido organize e liberte-se. Essa forma de conhecimento é interiorizada tendo-se, no entanto, por base, uma discussão sobre a educação, enfim, a práxis e a transformação. A Pedagogia do Oprimido que se apresentará em seguida, está centrada na experiência, especialmente do oprimido, e que deverá ser capacitado para extirpar de dentro de si, e, por ele mesmo e o opressor, a fim de resgatar seu ser livre, construir o sujeito de sua própria história. É dando a palavra que se ver o humano se faz ser humano. O que se consegue perceber é um profundo compromisso conhecido como Pedagogia da libertaçāo. Essa pedagogia, que tem sido interpretada por muitos como uma pedagogia de consciência, revela-se também como forma de construir a história e, de modo consciente, construir a sua própria história de sujeito autônomo que conquista a sua forma humana. Além da implicação da Pedagogia na Antropologia, a Ética está totalmente implicada, pois é a capacidade de indignação contra toda injustiça e formas de opressão, logo, ela é ação não passiva, mas a prática de liberdade por parte do oprimido. No segundo capítulo expõe sobre a concepção bancária de educação como instrumento de dominação, os seus pressupostos e a sua crítica. A principal crítica que Freire faz ao modelo de educação vivido nos anos em que escreve a sua obra é a de que a educação bancária consiste apenas o educador como sujeito, pois o educando será somente 'depositário' receptor de conteúdos, memorizados ingenuamente, mecanicamente sem a devida participação e dialogicidade, própria de um processo de ensino-aprendizagem, onde educadores e educandos aprendem em si, mediados pelo mundo. Além disso, a sua crítica parte de que a educação, se mantida à margem da relação dialógica, corre o risco de reproduzir a dominação social. A relação entre sujeito e objeto é posta como um processo de transformação e liberdade. Ao defender-se a educação dialógica se impõe como método de conhecimento, onde o diálogo é condição de produção do conhecimento, e não um mero instrumento. A relação entre teoria e prática é identificada com a práxis. Em suma, a pedagogia freiriana é uma pedagogia da libertação e da conscientização. [...] Ao longo do texto somos levados a conhecer a obra Pedagogia do Oprimido (1968) de Paulo Freire. Diante da estrutura do texto e do conceito de resenha apresentado neste capítulo, vejamos as seguintes alternativas: I. A presente resenha foi feita por Valdir Borges, destacando toda a sua obra, como se espera em uma resenha. II. A resenha serve para apresentar um texto-base (Pedagogia do Oprimido) aos leitores, e a resenha é da autoria de Valdir Borges. III. Na resenha há elementos descritivos, quando Borges expõe trechos do livro e analisa os capítulos; a presença da descrição é uma característica desse tipo de escrita acadêmica. IV. Os elementos intertextuais relacionados a um texto e a outro texto que já existe como em resenhas, mas não aparecem com frequência no texto em apreciação, mas são de nota na apreciação crítica. V. Ao longo da leitura o leitor consegue captar sucintamente elementos ligados ao contexto, o tempo em que a obra foi produzida, a discussão proposta pelo autor, além do enredo e do contexto da obra, características que são próprias da escrita de uma resenha. Diante do exposto, quais elementos identificam que se trata-se de uma resenha?

Questão

Leia o texto abaixo e responda a questão ao final.

"Início minhas palavras com as palavras finais, as últimas três linhas, do livro Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, lançado no exílio de Santiago do Chile na primavera de 1968 onde afirma: 'Se nada ficar destas páginas, algo, pelo menos, esperamos que permaneça: nossa confiança no povo. Nossa fé nos homens, na criação de um mundo em que seja menos difícil amar'. Isso mostra porque ainda na atualidade Paulo Freire figura entre as mais destacadas personalidades no campo pedagógico mundial.

O livro Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire escrito há quarenta anos permanece vigente desde a sua constante ressonância no Brasil e no exterior e aos novos tipos de oprimidos que surgem a cada dia em nossa sociedade. Prefacia esta explicita nas primeiras palavras de abertura do referido livro em que o dedica 'aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam'.

[...]

O livro compõe-se de quatro capítulos, sendo que no primeiro, Paulo Freire, justifica a escolha do título Pedagogia do Oprimido, onde há uma clara e radical opção pelo oprimido, parte do ponto de vista dos Oprimidos, a partir da experiência histórica dos mesmos, o que denota para a década dos anos 1960 uma virada paradigmática, uma coragem política, uma visão da mudança no que norteia todo o serviço de ensino de América Latina. Essa virada de paradigma e uma forma de reconhecer nos excluídos, como itens as novas posições sociais na casa de atenção, jamais vista em nosso contexto, pelo menos, no campo da Pedagogia. Isso constitui uma nova forma de construir a pedagogia, a partir da infraestrutura da base dominada e o que coloca Paulo Freire não só como educador, mas como grande filósofo da educação do século XX, pelo modo revolucionário e peculiar de estabelecer as suas bases pedagógicas, arrancadas na experiência histórica da dominação a que foram submetidos os nossos povos. Tarefa humanista e histórica de libertação dos nossos povos, comprometida com a práxis e a transformação da realidade opressora dos mesmos.

Paulo Freire ao justificar, Pedagogia do Oprimido desde a experiência histórica dos povos, e, dita pelos oprimidos, nos diz um texto, a educação se fundamenta na ética. Não deseja, a princípio, elaborar uma ética propriamente dita, nem elaborar um discurso sobre a ética, porém seu trabalho de educador se volta para a prática educativa e, singularmente, para que o oprimido organize e liberte-se. Essa forma de conhecimento é interiorizada tendo-se, no entanto, por base, uma discussão sobre a educação, enfim, a práxis e a transformação. A Pedagogia do Oprimido que se apresentará em seguida, está centrada na experiência, especialmente do oprimido, e que deverá ser capacitado para extirpar de dentro de si, e, por ele mesmo e o opressor, a fim de resgatar seu ser livre, construir o sujeito de sua própria história. É dando a palavra que se ver o humano se faz ser humano. O que se consegue perceber é um profundo compromisso conhecido como Pedagogia da libertaçāo. Essa pedagogia, que tem sido interpretada por muitos como uma pedagogia de consciência, revela-se também como forma de construir a história e, de modo consciente, construir a sua própria história de sujeito autônomo que conquista a sua forma humana. Além da implicação da Pedagogia na Antropologia, a Ética está totalmente implicada, pois é a capacidade de indignação contra toda injustiça e formas de opressão, logo, ela é ação não passiva, mas a prática de liberdade por parte do oprimido.

No segundo capítulo expõe sobre a concepção bancária de educação como instrumento de dominação, os seus pressupostos e a sua crítica.

A principal crítica que Freire faz ao modelo de educação vivido nos anos em que escreve a sua obra é a de que a educação bancária consiste apenas o educador como sujeito, pois o educando será somente 'depositário' receptor de conteúdos, memorizados ingenuamente, mecanicamente sem a devida participação e dialogicidade, própria de um processo de ensino-aprendizagem, onde educadores e educandos aprendem em si, mediados pelo mundo.

Além disso, a sua crítica parte de que a educação, se mantida à margem da relação dialógica, corre o risco de reproduzir a dominação social. A relação entre sujeito e objeto é posta como um processo de transformação e liberdade. Ao defender-se a educação dialógica se impõe como método de conhecimento, onde o diálogo é condição de produção do conhecimento, e não um mero instrumento. A relação entre teoria e prática é identificada com a práxis. Em suma, a pedagogia freiriana é uma pedagogia da libertação e da conscientização.

[...]

Ao longo do texto somos levados a conhecer a obra Pedagogia do Oprimido (1968) de Paulo Freire. Diante da estrutura do texto e do conceito de resenha apresentado neste capítulo, vejamos as seguintes alternativas:

I. A presente resenha foi feita por Valdir Borges, destacando toda a sua obra, como se espera em uma resenha.

II. A resenha serve para apresentar um texto-base (Pedagogia do Oprimido) aos leitores, e a resenha é da autoria de Valdir Borges.

III. Na resenha há elementos descritivos, quando Borges expõe trechos do livro e analisa os capítulos; a presença da descrição é uma característica desse tipo de escrita acadêmica.

IV. Os elementos intertextuais relacionados a um texto e a outro texto que já existe como em resenhas, mas não aparecem com frequência no texto em apreciação, mas são de nota na apreciação crítica.

V. Ao longo da leitura o leitor consegue captar sucintamente elementos ligados ao contexto, o tempo em que a obra foi produzida, a discussão proposta pelo autor, além do enredo e do contexto da obra, características que são próprias da escrita de uma resenha.

Diante do exposto, quais elementos identificam que se trata-se de uma resenha?

Alternativas

I, III, V.

92%

I.

II, III, V.

II, III, IV, V.

Explicação

Para identificar que o texto é uma resenha, buscamos marcas típicas desse gênero: apresentação da obra resenhada, informações de contextualização, descrição/ síntese do conteúdo (ex.: capítulos) e comentários avaliativos/analíticos.

Analisando as afirmações:

I. Incorreta. Diz que a resenha “destaca toda a sua obra” (isto é, toda a obra de Valdir Borges), mas o texto trata do livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Uma resenha não precisa “destacar toda a obra” do resenhista; ela se volta à obra resenhada.

II. Correta. Uma resenha tem como função apresentar um texto-base ao leitor (aqui, Pedagogia do Oprimido) e o trecho indica a autoria/voz resenhista (Valdir Borges), o que é compatível com o gênero.

III. Correta. Há elementos descritivos (o texto resume a organização do livro e comenta o conteúdo dos capítulos), e essa mistura de descrição + análise é característica central de resenha acadêmica.

IV. Incorreta. A intertextualidade aparece com frequência no texto (há citações diretas e referência explícita à obra de Freire). Além disso, a frase é confusa ao sugerir que tais elementos “não aparecem com frequência” no texto, o que contradiz o que se observa.

V. Correta. O leitor consegue captar contexto de produção (1968, exílio no Chile), tema discutido, síntese do conteúdo e encaminhamento crítico — aspectos típicos de resenha.

Logo, os elementos que identificam tratar-se de uma resenha são II, III e V.

Alternativa correta: (C).

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