Marcelo, 28 anos, levado pelos familiares à UBS com insuficiência respiratória aguda. Rx de tórax com infiltrado intersticial difuso. Realizado teste rápido anti-HIV positivo e confirmado por método ELISA. Qual é a conduta CORRETA em relação ao início de tratamento antirretroviral específico?

Questão

Marcelo, 28 anos, levado pelos familiares à UBS com insuficiência respiratória aguda. Rx de tórax com infiltrado intersticial difuso. Realizado teste rápido anti-HIV positivo e confirmado por método ELISA. Qual é a conduta CORRETA em relação ao início de tratamento antirretroviral específico?

Alternativas

A) Iniciar coquetel com antirretrovirais imediatamente.

B) Introduzir antirretrovirais após a melhora do quadro clínico.

86%

C) Iniciar tratamento para HIV quando o número estimado de células CD4< 50/mm3.

D) Começar tratamento somente quando a carga viral for detectável.

E) Não há indicação para tratamento antirretroviral neste caso clínico ainda.

Explicação

  1. Interpretação do caso
  • Homem de 28 anos com insuficiência respiratória aguda e Rx com infiltrado intersticial difuso.
  • Em paciente com diagnóstico recente de HIV, esse quadro é altamente sugestivo de infecção oportunista pulmonar, especialmente pneumocistose (Pneumocystis jirovecii), que tipicamente cursa com infiltrado intersticial difuso e hipoxemia.
  1. Conduta quanto ao início de TARV (antirretroviral)
  • Em geral, a terapia antirretroviral (TARV) é indicada para todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente de CD4 ou carga viral.
  • Porém, na presença de infecção oportunista aguda grave (como pneumocistose com insuficiência respiratória), a prioridade inicial é estabilizar e tratar a infecção oportunista.
  • Nessa situação, a TARV não deve ser iniciada “imediatamente” no momento de instabilidade respiratória; costuma-se iniciar após melhora clínica inicial do quadro agudo (em prática, após alguns dias de tratamento da infecção oportunista e estabilização), para reduzir risco de complicações como síndrome inflamatória de reconstituição imune (IRIS) e dificuldades de adesão/interações no pico da gravidade clínica.
  1. Análise das alternativas A) Incorreta: “imediatamente” durante insuficiência respiratória aguda por provável infecção oportunista grave não é a melhor conduta. B) Correta: iniciar TARV após melhora do quadro clínico agudo (após estabilização e início do tratamento da infecção oportunista). C) Incorreta: não se deve esperar CD4 < 50/mm³ para iniciar TARV. D) Incorreta: não depende de “carga viral detectável” para indicar TARV. E) Incorreta: há indicação de TARV (apenas não de forma imediata em plena gravidade respiratória).

Alternativa correta: (B).

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