Paciente com diabetes mellitus apresenta úlcera infectada em antepé, com eritema e dor local. Ao exame, nota-se maceração importante interdigital após uso contínuo de calçado fechado. Sem instabilidade hemodinâmica, sem sinais de necrose, sem crepitação e sem sinais de isquemia crítica. Considerando as diretrizes vigentes sobre o tema, assinale a alternativa correta:

Questão

Paciente com diabetes mellitus apresenta úlcera infectada em antepé, com eritema e dor local. Ao exame, nota-se maceração importante interdigital após uso contínuo de calçado fechado. Sem instabilidade hemodinâmica, sem sinais de necrose, sem crepitação e sem sinais de isquemia crítica. Considerando as diretrizes vigentes sobre o tema, assinale a alternativa correta:

Alternativas

A) Trata-se de infecção leve, sendo suficiente cobertura para cocos Gram-positivos com cefalosporina de 1ª geração.

B) O quadro sugere infecção moderada a grave com possibilidade de participação de bacilos Gram-negativos, incluindo Pseudomonas, podendo ser considerada associação com ceftazidima.

78%

C) A presença de maceração torna obrigatória internação hospitalar imediata para antibioticoterapia intravenosa.

D) Na ausência de febre, todo esquema antibiótico deve ser postergado até cultura profunda e imagem avançada.

Explicação

  1. Classificação da infecção do pé diabético (critérios IDSA/IWGDF – em linhas gerais)
  • Leve: infecção superficial, eritema ao redor pequeno e sem acometimento profundo/sistêmico.
  • Moderada: infecção com maior extensão/localização mais profunda (p. ex., celulite mais ampla, acometimento de estruturas profundas), sem sinais sistêmicos.
  • Grave: infecção com sinais sistêmicos (sepse/instabilidade).
  1. Aplicando ao caso
  • úlcera infectada com eritema e dor (infecção presente).
  • Sem instabilidade hemodinâmica e sem sinais sistêmicos descritos → não é “grave”.
  • Porém o enunciado chama atenção para maceração interdigital importante após uso contínuo de calçado fechado (ambiente úmido e oclusivo), situação frequentemente associada a flora mais mista e maior probabilidade de bacilos Gram-negativos; em alguns cenários pode-se considerar risco aumentado para Pseudomonas (especialmente quando há umidade/oclusão, feridas maceradas, exposição a ambientes úmidos e história compatível).
  • Assim, o quadro é mais compatível com infecção ao menos moderada (sem sinais sistêmicos, mas com maior risco de polimicrobianos/Gram-negativos), o que muda a cobertura empírica em relação ao esquema “apenas Gram-positivos”.
  1. Análise das alternativas
  • A) Incorreta. Cobertura apenas para cocos Gram-positivos (p. ex., cefalosporina de 1ª geração) é típica de infecção leve e sem fatores que sugiram patógenos adicionais. O caso descreve cenário com risco de flora mais ampla.
  • B) Correta. Em infecção moderada pode haver necessidade de cobrir Gram-negativos; e, diante do contexto de maceração/umidade, pode-se considerar cobertura para Pseudomonas (ex.: ceftazidima em associação, conforme gravidade, risco e epidemiologia local).
  • C) Incorreta. Maceração não torna internação obrigatória; a decisão depende de gravidade, necessidade de procedimento, incapacidade de via oral/adesão, descompensações, etc.
  • D) Incorreta. Na presença de infecção clínica, não se deve postergar antibiótico “sempre” até cultura/imagem avançada; culturas profundas são desejáveis quando possível (especialmente moderada/grave), mas o tratamento empírico não deve ser adiado de forma rígida se há infecção estabelecida.

Alternativa correta: (B).

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