Paciente com diabetes mellitus apresenta úlcera infectada em antepé, com eritema e dor local. Ao exame, nota-se maceração importante interdigital após uso contínuo de calçado fechado. Sem instabilidade hemodinâmica, sem sinais de necrose, sem crepitação e sem sinais de isquemia crítica. Considerando as diretrizes vigentes sobre o tema, assinale a alternativa correta:
Questão
Paciente com diabetes mellitus apresenta úlcera infectada em antepé, com eritema e dor local. Ao exame, nota-se maceração importante interdigital após uso contínuo de calçado fechado. Sem instabilidade hemodinâmica, sem sinais de necrose, sem crepitação e sem sinais de isquemia crítica. Considerando as diretrizes vigentes sobre o tema, assinale a alternativa correta:
Alternativas
A) Trata-se de infecção leve, sendo suficiente cobertura para cocos Gram-positivos com cefalosporina de 1ª geração.
B) O quadro sugere infecção moderada a grave com possibilidade de participação de bacilos Gram-negativos, incluindo Pseudomonas, podendo ser considerada associação com ceftazidima.
C) A presença de maceração torna obrigatória internação hospitalar imediata para antibioticoterapia intravenosa.
D) Na ausência de febre, todo esquema antibiótico deve ser postergado até cultura profunda e imagem avançada.
Explicação
- Classificação da infecção do pé diabético (critérios IDSA/IWGDF – em linhas gerais)
- Leve: infecção superficial, eritema ao redor pequeno e sem acometimento profundo/sistêmico.
- Moderada: infecção com maior extensão/localização mais profunda (p. ex., celulite mais ampla, acometimento de estruturas profundas), sem sinais sistêmicos.
- Grave: infecção com sinais sistêmicos (sepse/instabilidade).
- Aplicando ao caso
- Há úlcera infectada com eritema e dor (infecção presente).
- Sem instabilidade hemodinâmica e sem sinais sistêmicos descritos → não é “grave”.
- Porém o enunciado chama atenção para maceração interdigital importante após uso contínuo de calçado fechado (ambiente úmido e oclusivo), situação frequentemente associada a flora mais mista e maior probabilidade de bacilos Gram-negativos; em alguns cenários pode-se considerar risco aumentado para Pseudomonas (especialmente quando há umidade/oclusão, feridas maceradas, exposição a ambientes úmidos e história compatível).
- Assim, o quadro é mais compatível com infecção ao menos moderada (sem sinais sistêmicos, mas com maior risco de polimicrobianos/Gram-negativos), o que muda a cobertura empírica em relação ao esquema “apenas Gram-positivos”.
- Análise das alternativas
- A) Incorreta. Cobertura apenas para cocos Gram-positivos (p. ex., cefalosporina de 1ª geração) é típica de infecção leve e sem fatores que sugiram patógenos adicionais. O caso descreve cenário com risco de flora mais ampla.
- B) Correta. Em infecção moderada pode haver necessidade de cobrir Gram-negativos; e, diante do contexto de maceração/umidade, pode-se considerar cobertura para Pseudomonas (ex.: ceftazidima em associação, conforme gravidade, risco e epidemiologia local).
- C) Incorreta. Maceração não torna internação obrigatória; a decisão depende de gravidade, necessidade de procedimento, incapacidade de via oral/adesão, descompensações, etc.
- D) Incorreta. Na presença de infecção clínica, não se deve postergar antibiótico “sempre” até cultura/imagem avançada; culturas profundas são desejáveis quando possível (especialmente moderada/grave), mas o tratamento empírico não deve ser adiado de forma rígida se há infecção estabelecida.
Alternativa correta: (B).