Baseado no gráfico abaixo, discutir a influência e mecanismos de interação medicamentosa (fármaco-fármaco e fármaco-fitoterápico).
Questão
Baseado no gráfico abaixo, discutir a influência e mecanismos de interação medicamentosa (fármaco-fármaco e fármaco-fitoterápico).
Gráfico (a): Curva concentração-tempo de indinavir (ng/mL) vs Time (h). Pontos cheios: Indinavir; círculos vazados: Indinavir + St John's Wort (redução da concentração e área sob a curva).
Gráfico (b): Curva concentração-tempo de nifedipine (ng/L) vs Time (h). Pontos cheios: Nifedipine; círculos vazados: Nifedipine + rifampicin (redução acentuada da concentração e AUC).
Legenda/Legenda da figura (direita): "Fig. 2. Selected examples demonstrating the effect of induction of cytochrome P450 3A and P-glycoprotein on drug pharmacokinetics following oral administration. From: Doherty: Clin Pharmacokinet, Volume 41(4).2002.235-253. From: Clin. Pharmacokin. 41(4): 235-253, 2002"
Resposta
92%Sem alternativas (resposta discursiva).
Explicação
Pelo que se observa nos dois painéis, as coadministrações reduzem de forma importante a exposição sistêmica (menor e menor ) dos fármacos administrados por via oral. Isso caracteriza interação farmacocinética por indução enzimática e/ou de transportadores, levando a “subdosagem” clínica.
1) Interação fármaco–fitoterápico: Indinavir + Hypericum perforatum (St John’s wort)
O que o gráfico mostra
No painel (a), a curva com St John’s wort (círculos vazados) fica abaixo da curva de indinavir isolado em praticamente todo o intervalo de tempo → queda de e .
Mecanismo provável
- Indução de CYP3A4 (CYP3A): o indinavir é amplamente metabolizado por CYP3A. Ao induzir CYP3A4, o fitoterápico aumenta o metabolismo de primeira passagem (intestinal/hepático) e o clearance, reduzindo concentrações plasmáticas.
- Indução de P-glicoproteína (P-gp/ABCB1) no intestino: aumenta o efluxo do indinavir de volta para o lúmen intestinal, diminuindo a absorção efetiva/biodisponibilidade.
Consequência clínica
- Risco de falha terapêutica do antirretroviral e seleção de resistência por exposição subterapêutica.
- É uma interação relevante mesmo sendo “natural”, porque o efeito indutor do Hypericum é forte e pode persistir por dias após suspensão (tempo de “desindução”).
2) Interação fármaco–fármaco: Nifedipina + rifampicina
O que o gráfico mostra
No painel (b), com rifampicina (círculos vazados) há uma redução acentuada (quase “colapso” da curva) das concentrações de nifedipina → grande diminuição de e, principalmente, do .
Mecanismo provável
- Rifampicina é um potente indutor de CYP3A4: a nifedipina é substrato clássico de CYP3A4; com indução, ocorre metabolismo acelerado (primeira passagem e sistêmico).
- Indução de P-gp também pode contribuir (menor absorção e maior efluxo intestinal), reforçando a queda de exposição.
Consequência clínica
- Risco de perda do efeito anti-hipertensivo/antianginoso (falha terapêutica), exigindo evitar a combinação ou ajustar para alternativa não dependente de CYP3A.
3) Síntese (influência e “regra geral” que o gráfico ilustra)
- Indutores (rifampicina; St John’s wort) → ↑ CYP3A/P-gp → ↓ biodisponibilidade oral e/ou ↑ depuração → ↓ e ↓ .
- A interação é farmacocinética, não é “antagonismo farmacodinâmico”: o fármaco ainda funciona, porém não atinge concentração suficiente.
- É mais crítica em fármacos com janela terapêutica estreita (ex.: antirretrovirais) e em medicamentos muito dependentes de CYP3A/P-gp.
Alternativa correta: (não se aplica).