Na segunda metade de 1974, o povo kinja se reunia na aldeia Kramna Mudî para uma celebração típica dos índios Waimiri Atroari, na margem do rio Alalaú (em Roraima). “Já tinham chegado os visitantes de Camanaú e do Baixo Alalaú. O pessoal das aldeias do Norte ainda estava a caminho. A festa já estava começando com muita gente reunida”, escreve o indigenista Egydio Schwade, um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário, a partir dos relatos de seus alunos no curso de alfabetização na aldeia. “Pelo meio-dia, um ronco de avião ou de helicóptero se aproximou. O pessoal saiu da maloca para ver. A criançada estava toda no pátio para ver. O avião derramou como que um pó. Todos menos um foram atingidos e morreram.” Quando os aldeados do Norte chegaram à aldeia, depararam-se com ao menos 33 mortos. Esse massacre também foi contado, no idioma karib, pelo sobrevivente durante uma audiência judicial do Ministério Público Federal (MPF) realizada na terra indígena (TI), em 28 de fevereiro deste ano. Na época, esse kinja – como se autodenominam os Waimiri Atroari –, ainda era adolescente e lembra de ouvir apenas o barulho da aeronave. De repente, os índios atingidos pelo veneno começaram a sentir bastante calor pelo corpo. Ficaram paralisados, impossibilitados de andar, “muito doentes”. Enquanto os parentes vinham a óbito, homens brancos invadiram a aldeia por terra, munidos de facas e revólveres. Com base no texto, assinale a alternativa correta.

Questão

Na segunda metade de 1974, o povo kinja se reunia na aldeia Kramna Mudî para uma celebração típica dos índios Waimiri Atroari, na margem do rio Alalaú (em Roraima). “Já tinham chegado os visitantes de Camanaú e do Baixo Alalaú. O pessoal das aldeias do Norte ainda estava a caminho. A festa já estava começando com muita gente reunida”, escreve o indigenista Egydio Schwade, um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário, a partir dos relatos de seus alunos no curso de alfabetização na aldeia. “Pelo meio-dia, um ronco de avião ou de helicóptero se aproximou. O pessoal saiu da maloca para ver. A criançada estava toda no pátio para ver. O avião derramou como que um pó. Todos menos um foram atingidos e morreram.” Quando os aldeados do Norte chegaram à aldeia, depararam-se com ao menos 33 mortos. Esse massacre também foi contado, no idioma karib, pelo sobrevivente durante uma audiência judicial do Ministério Público Federal (MPF) realizada na terra indígena (TI), em 28 de fevereiro deste ano. Na época, esse kinja – como se autodenominam os Waimiri Atroari –, ainda era adolescente e lembra de ouvir apenas o barulho da aeronave. De repente, os índios atingidos pelo veneno começaram a sentir bastante calor pelo corpo. Ficaram paralisados, impossibilitados de andar, “muito doentes”. Enquanto os parentes vinham a óbito, homens brancos invadiram a aldeia por terra, munidos de facas e revólveres.

Com base no texto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

A) As violências contra os Waimiri Atroari durante a abertura da BR-174, a construção da hidrelétrica de Balbina e na atuação de mineradoras ocorreram no contexto da execução do Plano de Integração Nacional (PIN) na década de 1970.

B) As graves violações de direitos humanos sofridas pelos Waimiri Atroari foram retratadas por meio de desenhos e relatos de jovens indígenas que denunciaram o uso de armas químicas e de violência armada durante a ditadura civil- militar.

86%

C) Os documentos possibilitaram a denúncia das violências sofridas contra os povos indígenas da região Norte, levando diretamente à aprovação do Estatuto do Índio como política de reparação histórica responsável por garantir a demarcação de terras indígenas.

D) Os povos indígenas, vistos como obstáculos ao desenvolvimento nacional, foram alvo de deslocamentos forçados e massacres perpetrados ou facilitados pelo Estado, resultando em 8.350 mortes, segundo a Comissão Nacional da Verdade.

Explicação

O texto relata um massacre ocorrido na segunda metade de 1974, com indícios claros de uso de substância química (“um pó”, “veneno”) lançada por aeronave, seguido de invasão por terra com facas e revólveres, resultando em diversas mortes. Além disso, a narrativa é atribuída a relatos de alunos jovens no curso de alfabetização (registrados por Egydio Schwade) e ao depoimento de um sobrevivente.

Analisando as alternativas:

  • A) Mistura fatos reais (BR-174 e grandes obras/pressões econômicas na Amazônia) com uma explicação causal específica: dizer que tudo ocorreu no contexto da execução do Plano de Integração Nacional (PIN) “na década de 1970” é uma generalização e não é sustentado diretamente pelo texto (que descreve o massacre e os meios utilizados, não a política pública do PIN como enquadramento). Além disso, a hidrelétrica de Balbina se associa sobretudo ao período posterior (anos 1980), o que enfraquece a alternativa.

  • B) Está diretamente alinhada ao texto: as violações são descritas por relatos (registrados em contexto de alfabetização) e também pelo depoimento do sobrevivente, incluindo uso de substância química e violência armada durante o período da ditadura civil-militar.

  • C) É incorreta porque o Estatuto do Índio (Lei 6.001) é de 1973 (portanto não seria “aprovado” como consequência direta de denúncias posteriores como as de 1974) e tampouco pode ser caracterizado, nesses termos, como política de “reparação histórica” que “garantiu” demarcação; a realidade histórica é mais complexa e a alternativa cria uma relação causal direta que não procede.

  • D) Embora dialogue com interpretações históricas (Estado e desenvolvimento), a alternativa traz um número específico (8.350 mortes) atribuído à Comissão Nacional da Verdade, mas isso não aparece no texto e, do modo como está formulada, a afirmação fica deslocada da base textual pedida (“Com base no texto”).

Assim, a única alternativa plenamente sustentada pelo conteúdo apresentado (uso de “pó/veneno”, invasão armada, relatos de jovens e depoimento do sobrevivente) é a B.

Alternativa correta: (B).

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