Leia o texto a seguir. Em tempos de pandemia e de marketing digital, em busca de organização pessoal e de serenidade na saúde física, foi documentado que a procura por obras da filosofia estoica cresceu. Especificamente a obra “Meditações” de Marco Aurélio (28%) e as “Cartas” de Sêneca (356%) na Inglaterra chegaram a ter aumento significativo em vendas. Palavras da moda, tais como resiliência, reinvenção de si, acolher, gratidão, entre outras, tanto criam um ambiente de empatia, como reforçam um discurso simbólico impositivo. A filosofia reaparece em momentos de crise, sobretudo, quando a ressignificação surge como produto de venda na autoajuda. Matéria disponível em “Procura por obras do estoicismo cresce na pandemia - YouTube” A promessa de autorecriação contínua é também um argumento típico dos atuais coaches e gurus influenciadores nas redes sociais. O que é importante? Qual a missão do intelectual, que se diz filósofo, de acordo com a tese de Johann Gottlieb Fichte?

Questão

Leia o texto a seguir. Em tempos de pandemia e de marketing digital, em busca de organização pessoal e de serenidade na saúde física, foi documentado que a procura por obras da filosofia estoica cresceu. Especificamente a obra “Meditações” de Marco Aurélio (28%) e as “Cartas” de Sêneca (356%) na Inglaterra chegaram a ter aumento significativo em vendas. Palavras da moda, tais como resiliência, reinvenção de si, acolher, gratidão, entre outras, tanto criam um ambiente de empatia, como reforçam um discurso simbólico impositivo. A filosofia reaparece em momentos de crise, sobretudo, quando a ressignificação surge como produto de venda na autoajuda. Matéria disponível em “Procura por obras do estoicismo cresce na pandemia - YouTube” A promessa de autorecriação contínua é também um argumento típico dos atuais coaches e gurus influenciadores nas redes sociais. O que é importante? Qual a missão do intelectual, que se diz filósofo, de acordo com a tese de Johann Gottlieb Fichte?

Resposta

78%

De acordo com Johann Gottlieb Fichte, a missão do intelectual (o “sábio”, o filósofo) não é vender “ressignificação” como autoajuda nem prometer uma autocriação contínua no sentido mercadológico; sua tarefa é educar e elevar moralmente a humanidade, atuando como guia crítico e formador.

Em termos centrais da tese fichteana:

  1. O intelectual tem uma função pública e ética: ele existe para servir ao aperfeiçoamento humano, não para autopromoção ou para agradar o público.
  2. Ele deve orientar a ação pela razão e pela liberdade: sua autoridade vem do compromisso com a verdade e com a autonomia racional, ajudando os outros a se tornarem sujeitos livres, e não dependentes de “gurus”.
  3. Sua missão é formativa (Bildung): promover esclarecimento, consciência moral e fortalecimento do caráter, contribuindo para o progresso da comunidade/humanidade.
  4. Ele critica e desmascara discursos ideológicos: quando aparecem modas e discursos “impositivos” (mesmo com linguagem de empatia), cabe ao filósofo examinar, julgar e esclarecer, para que a vida coletiva não seja guiada por manipulação simbólica.

Assim, para Fichte, o filósofo-intelectual é um educador moral e crítico da sociedade, comprometido com a emancipação racional e ética das pessoas — não um coach que comercializa promessas de reinvenção.

Alternativa correta: (sem alternativas).

Explicação

O texto descreve um cenário em que, em momentos de crise, a filosofia pode ser “reempacotada” como produto (autoajuda, marketing digital, gurus/coach), com promessas de transformação individual contínua.

A pergunta pede a missão do intelectual segundo Fichte. Na concepção fichteana (muito associada à ideia do “sábio”/intelectual como figura social), o intelectual tem uma tarefa normativa: ele não está a serviço do entretenimento, do consumo ou do sucesso individual de curto prazo, mas do aperfeiçoamento moral e racional da humanidade.

Passo a passo do raciocínio:

  1. Se o problema é a mercantilização de “sentidos” (ressignificação vendida), então a missão do filósofo não pode ser reforçar esse circuito.
  2. Para Fichte, o intelectual é um agente de formação (Bildung): orienta a comunidade pela razão, promove esclarecimento, fortalece a autonomia.
  3. Isso implica uma atitude crítica e educativa: esclarecer o público, sustentar a verdade e a liberdade como fins, e contribuir para o progresso ético coletivo.

Portanto, a missão do intelectual, em Fichte, é agir como educador/guia moral e crítico, elevando a humanidade e defendendo a autonomia racional — em contraste com a lógica de “gurus” e “coaches” focada em promessa e venda.

Alternativa correta: (sem alternativas).

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