As dificuldades de investigar o que as pessoas querem, a maneira como agem ou a maneira como fazem suas escolhas eram conhecidas muito antes do surgimento do neuromarketing. Mesmo quando as pessoas honestas tendem a agradar o entrevistador, elas descrevem a maneira como acreditam que agem e, elas têm memória seletiva para manipular os outros e proteger-se. Isso levou à falta de confiabilidade das respostas dos sujeitos. O neuromarketing se beneficiou dessa lacuna de confiabilidade e preencheu tal lacuna. O neuromarketing é um campo interdisciplinar baseado em pesquisa neuroeconômica, mas com objetivos pragmáticos, como aumento de vendas, aprimoramento de técnicas de marketing ou publicidade. O acesso direto às reações inconscientes do corpo ou às estruturas neurais, não filtradas pela mente consciente, foi considerado mais digno de confiança do que qualquer fala. Além disso, essa abordagem pode permitir entendermos não apenas o que as pessoas querem, mas também como seus desejos são construídos. O processo de conhecimento começa com a coleta de dados, a interpretação dos resultados, o desenvolvimento de uma teoria e a validação das previsões feitas. Qualquer campo científico maduro atende a essas etapas em maior medida. Infelizmente, o neuromarketing não consegue cumprir essas etapas todas as vezes. Mas o neuromarketing não deve ser considerado ciência, embora algumas de suas descobertas possam contribuir para o campo científico. O neuromarketing tenta ir além das limitações do rigor acadêmico. O foco no neuromarketing está nos resultados preditivos, e não na explicação deles. As explicações são úteis desde que suportem melhores previsões. Dessa forma, as questões éticas serão mais facilmente evitadas. Mas, para ver as aplicações, precisamos entender bem as possibilidades do neuromarketing. THOMAS, A. R. et al. Ethics and Neuromarketing. Cham: Springer International Publishing, 2017. A partir do exposto, assinale a alternativa correta.
Questão
As dificuldades de investigar o que as pessoas querem, a maneira como agem ou a maneira como fazem suas escolhas eram conhecidas muito antes do surgimento do neuromarketing. Mesmo quando as pessoas honestas tendem a agradar o entrevistador, elas descrevem a maneira como acreditam que agem e, elas têm memória seletiva para manipular os outros e proteger-se. Isso levou à falta de confiabilidade das respostas dos sujeitos. O neuromarketing se beneficiou dessa lacuna de confiabilidade e preencheu tal lacuna. O neuromarketing é um campo interdisciplinar baseado em pesquisa neuroeconômica, mas com objetivos pragmáticos, como aumento de vendas, aprimoramento de técnicas de marketing ou publicidade. O acesso direto às reações inconscientes do corpo ou às estruturas neurais, não filtradas pela mente consciente, foi considerado mais digno de confiança do que qualquer fala. Além disso, essa abordagem pode permitir entendermos não apenas o que as pessoas querem, mas também como seus desejos são construídos. O processo de conhecimento começa com a coleta de dados, a interpretação dos resultados, o desenvolvimento de uma teoria e a validação das previsões feitas. Qualquer campo científico maduro atende a essas etapas em maior medida. Infelizmente, o neuromarketing não consegue cumprir essas etapas todas as vezes. Mas o neuromarketing não deve ser considerado ciência, embora algumas de suas descobertas possam contribuir para o campo científico. O neuromarketing tenta ir além das limitações do rigor acadêmico. O foco no neuromarketing está nos resultados preditivos, e não na explicação deles. As explicações são úteis desde que suportem melhores previsões. Dessa forma, as questões éticas serão mais facilmente evitadas. Mas, para ver as aplicações, precisamos entender bem as possibilidades do neuromarketing.
THOMAS, A. R. et al. Ethics and Neuromarketing. Cham: Springer International Publishing, 2017.
A partir do exposto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Os principais objetivos do neuromarketing concentram-se no campo da subjetividade que pode ser interpretado, por exemplo, por meio da análise do discurso de um consumidor.
O texto deixa evidente os limites e as possibilidades do neuromarketing e como deve-se tratar as questões éticas nessa área.
O neuromarketing está mais preocupado em entender que decisão o consumidor tomará do que compreender o motivo da tomada daquela decisão.
Uma das contribuições do neuromarketing foi mostrar para as empresas a grande dificuldade de descobrir como as pessoas se comportam e como tomam decisões.
De acordo com o texto, neuromarketing é considerado uma ciência já que suas descobertas contribuem significativamente para o campo científico.
Explicação
O texto afirma que o neuromarketing tem objetivos pragmáticos (aumentar vendas, melhorar marketing/publicidade) e que ele busca acessar reações inconscientes consideradas “mais confiáveis” do que relatos verbais.
Em seguida, o trecho diz explicitamente que, embora exista um “processo de conhecimento” típico de campos científicos maduros (coleta de dados → interpretação → teoria → validação), o neuromarketing não consegue cumprir essas etapas todas as vezes e, por isso, não deve ser considerado ciência. Além disso, o texto destaca um ponto central:
- “O foco no neuromarketing está nos resultados preditivos, e não na explicação deles.”
Ou seja, ele prioriza prever o que o consumidor fará (qual decisão tomará), mais do que explicar em profundidade o porquê daquela decisão.
Analisando as alternativas:
- (A) incorreta: o texto justamente critica a confiabilidade do discurso e valoriza reações inconscientes, não a “subjetividade interpretada por discurso”.
- (B) é genérica e ainda sugere “como deve-se tratar” ética, mas o texto diz que, nessa lógica preditiva, questões éticas podem ser “evitadas” (não apresenta um guia de tratamento ético).
- (C) correta: corresponde diretamente à ideia de foco em previsão em vez de explicação.
- (D) incorreta: o texto diz que essa dificuldade era conhecida antes; não é “uma contribuição do neuromarketing” revelar isso.
- (E) incorreta: o texto diz que não deve ser considerado ciência.
Alternativa correta: (C).