Língua Portuguesa: Perdi a decência Ontem eu perdi a noção Perdi a compostura, a cabeça Eu perdi a razão Perdi as chaves do apê E dormi no corredor Naturalmente, eu perdi a moral Com minha mulher e com o zelador Acordei no melhor estilo Sexo, drogas e rock n' roll Não me dei por vencido E muito menos Dei alguma explicação Meti o pé na porta E dediquei essa canção Pra você que me fez perder a linha E botou fogo no meu coração (Cérebro Eletrônico, “Decência”, Tatá Aeroplano / Fernando Maranho / Gustavo Souza, Deus e o diabo no liquidificador, 2010) Marque a construção incorreta:
Perdi a decência Ontem eu perdi a noção Perdi a compostura, a cabeça Eu perdi a razão
Perdi as chaves do apê E dormi no corredor Naturalmente, eu perdi a moral Com minha mulher e com o zelador
Acordei no melhor estilo Sexo, drogas e rock n' roll Não me dei por vencido E muito menos Dei alguma explicação
Meti o pé na porta E dediquei essa canção Pra você que me fez perder a linha E botou fogo no meu coração
(Cérebro Eletrônico, “Decência”, Tatá Aeroplano / Fernando Maranho / Gustavo Souza, Deus e o diabo no liquidificador, 2010)
Marque a construção incorreta:
A) No trecho “dediquei essa canção pra você”, o termo grifado pode ser substituído pelo pronome oblíquo “a”, com função de objeto direto.
B) Em “dediquei essa canção pra você”, o termo grifado pode ser substituído pelo pronome oblíquo “lhe”, com função de objeto indireto.
C) Em “botou fogo no meu coração”, o termo grifado não pode ser substituído pelo pronome “lhe”.
D) Não é correta a construção “botou-no fogo”.
E) Todos os complementos de “perder” podem ser substituídos pelo pronome “a”, menos no verso da segunda estrofe.
A questão pede a construção incorreta.
- “dediquei essa canção pra você”
- O verbo dedicar é bitransitivo:
- objeto direto (OD): “essa canção” (o que foi dedicado)
- objeto indireto (OI): “pra você” (a quem foi dedicado)
- Portanto, “pra você” exerce função de objeto indireto.
Substituição pronominal:
- OI pode ser substituído por lhe: “Dediquei essa canção lhe.” (na norma padrão, também se prefere “Dediquei essa canção a você / a ele(a)”, mas a função de OI é a mesma).
- Já o pronome “a” substitui objeto direto feminino singular (ex.: “a canção”): “Dediquei-a.”
- Note que aqui “a” substitui “essa canção”, e não “pra você”.
Logo, é incorreto dizer que, nesse trecho, “pra você” pode ser substituído por “a” com função de objeto direto. Isso trocaria a função sintática do termo.
- Conferindo rapidamente as demais (para validar):
- B) Correta: “pra você” (OI) → pode virar “lhe” (função de objeto indireto).
- C) Correta: em “botou fogo no meu coração”, “no meu coração” é complemento preposicionado (lugar/âmbito), não é “a alguém” para caber lhe.
- D) Correta: “botou-no fogo” é construção inadequada; além da posição/próclise/ênclise, o sentido muda (seria “botou-o no fogo”, e ainda assim “fogo” não é o destino típico de um OD nesse enunciado fixo “botar fogo em”).
- E) A ideia central é que, com “perder” nos versos (“perdi a decência”, “perdi a noção”, “perdi a compostura”, “perdi a cabeça”, “perdi a razão”, “perdi as chaves”, “perdi a moral”), em geral são ODs e podem virar pronomes do caso reto oblíquos correspondentes (como “a/as”), havendo exceção quando o complemento não for OD (como construções preposicionadas). Não invalida o fato de que a única afirmação claramente errada entre as alternativas é a A.
Alternativa correta: (A).