Abolição da escravidão: Leia o texto a seguir e, posteriormente, observe o quadro “A Libertação dos Escravos”, do pintor Pedro Américo Documento 04: Trecho de Livro “Brasil: Uma Biografia” “Andava, pois, difícil contemporizar. Talvez por isso, redigido de modo simples, o texto da Lei Áurea saiu curto e direto: “É declarada extinta, desde a data desta lei, a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário”. O Treze de Maio redimiu 700 mil escravos que representavam, a essas alturas, um número pequeno no total da população geral, estimada em 15 milhões de pessoas. (...) A libertação tardara demais, e representou o rompimento do último laço forte da monarquia: os cafeicultores perderam a esperança de ver seus bens “ressarcidos” e divorciaram-se, de maneira litigiosa, de seu antigo aliado. Comemorada no estrangeiro como uma vitória do governo imperial, a Lei de 13 de maio foi recebida no Brasil, após a explosão inicial de júbilo, com muita expectativa, e se constituiu no ato mais popular do Império (...) De um lado, há quem diga que a ausência de d. Pedro do país fora proposital, e que ele pretendia dar a Isabel a autoria do ato popular e pavimentar sua passagem segura para o Terceiro Reinado no Brasil. E a imagem pública de Isabel seria mesmo muito valorizada com a lei, sendo ela lembrada como “a redentora dos negros”. A própria maneira como a abolição foi apresentada oficialmente — como um presente e não como uma conquista — levou a uma percepção equivocada de todo esse processo marcado pelo envolvimento decisivo dos próprios escravizados na luta. A estratégia política implicava divulgar que eles haviam sido “contemplados” com a lei, recebido uma dádiva, e mais: precisavam mostrar apenas gratidão pelo “presente”, assim como ampliar e consolidar antigas redes de dependência. Mais uma vez, a mesma perspectiva que priorizava o ressarcimento e uma liberdade apenas gradual e progressiva se inscrevia na recepção e na interpretação da nova lei, que buscava, entre outros, reconfigurar antigas estruturas de servidão, processos complexos de troca de favores e de formas de submissão.” FICHA TÉCNICA TIPO DE DOCUMENTO: Livro ORIGEM:SCHWARCZ, Lilia M; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma biografia. – 2ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2018. Créditos: Lilia Moritz Schwarcz; Heloisa Starling. PALAVRAS-CHAVE: Abolição, Brasil Império, História da arte. Documento 05: “A Libertação dos escravos”, Pedro Américo (1889) FICHA FICHA TÉCNICA TIPO DE DOCUMENTO: Quadro ORIGEM:AMÉRICO, Pedro. A Libertação dos Escravos, 1889. Óleo sobre tela, 138,5 cm x 199 cm. Acervo do Palácio dos Bandeirantes, São Paulo. Créditos: Pedro Américo. PALAVRAS-CHAVE: Abolição, Brasil Império, História da arte. De acordo com os documentos apresentados e seus conhecimentos sobre o processo de abolição da escravidão no Brasil, escolha a alternativa mais pertinente:
Leia o texto a seguir e, posteriormente, observe o quadro “A Libertação dos Escravos”, do pintor Pedro Américo
Documento 04: Trecho de Livro “Brasil: Uma Biografia”
“Andava, pois, difícil contemporizar. Talvez por isso, redigido de modo simples, o texto da Lei Áurea saiu curto e direto: “É declarada extinta, desde a data desta lei, a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário”. O Treze de Maio redimiu 700 mil escravos que representavam, a essas alturas, um número pequeno no total da população geral, estimada em 15 milhões de pessoas. (...)
A libertação tardara demais, e representou o rompimento do último laço forte da monarquia: os cafeicultores perderam a esperança de ver seus bens “ressarcidos” e divorciaram-se, de maneira litigiosa, de seu antigo aliado. Comemorada no estrangeiro como uma vitória do governo imperial, a Lei de 13 de maio foi recebida no Brasil, após a explosão inicial de júbilo, com muita expectativa, e se constituiu no ato mais popular do Império (...) De um lado, há quem diga que a ausência de d. Pedro do país fora proposital, e que ele pretendia dar a Isabel a autoria do ato popular e pavimentar sua passagem segura para o Terceiro Reinado no Brasil. E a imagem pública de Isabel seria mesmo muito valorizada com a lei, sendo ela lembrada como “a redentora dos negros”. A própria maneira como a abolição foi apresentada oficialmente — como um presente e não como uma conquista — levou a uma percepção equivocada de todo esse processo marcado pelo envolvimento decisivo dos próprios escravizados na luta. A estratégia política implicava divulgar que eles haviam sido “contemplados” com a lei, recebido uma dádiva, e mais: precisavam mostrar apenas gratidão pelo “presente”, assim como ampliar e consolidar antigas redes de dependência. Mais uma vez, a mesma perspectiva que priorizava o ressarcimento e uma liberdade apenas gradual e progressiva se inscrevia na recepção e na interpretação da nova lei, que buscava, entre outros, reconfigurar antigas estruturas de servidão, processos complexos de troca de favores e de formas de submissão.”
FICHA TÉCNICA TIPO DE DOCUMENTO: Livro ORIGEM:SCHWARCZ, Lilia M; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma biografia. – 2ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2018. Créditos: Lilia Moritz Schwarcz; Heloisa Starling.
PALAVRAS-CHAVE: Abolição, Brasil Império, História da arte.
Documento 05: “A Libertação dos escravos”, Pedro Américo (1889)
FICHA
FICHA TÉCNICA TIPO DE DOCUMENTO: Quadro ORIGEM:AMÉRICO, Pedro. A Libertação dos Escravos, 1889. Óleo sobre tela, 138,5 cm x 199 cm. Acervo do Palácio dos Bandeirantes, São Paulo. Créditos: Pedro Américo. PALAVRAS-CHAVE: Abolição, Brasil Império, História da arte.
De acordo com os documentos apresentados e seus conhecimentos sobre o processo de abolição da escravidão no Brasil, escolha a alternativa mais pertinente:
A) Também autor do quadro “Independência ou Morte”, o paraibano Pedro Américo foi um dos artistas mais influentes do Brasil Império, responsável por construir representações imagéticas que exaltavam personagens da família imperial, como D. Pedro I e a princesa Isabel, associando-os à imagem de heróis nacionais.
B) Composto por um elaborado jogo de luzes, o quadro “A Libertação dos Escravos” destaca no centro símbolos associados ao Império, ao catolicismo e à branquitude, relegando às figuras negras o papel de suplicantes e espectadores da própria libertação.
C) A representação da abolição como um gesto de concessão e da princesa Isabel como “redentora”, integrou uma estratégia política do Império voltada à invisibilização do protagonismo das lutas negras e à manutenção de antigas hierarquias sob novas configurações de submissão.
D) A abolição foi resultado direto das pressões britânicas a e representou uma ruptura com a estrutura escravista, sendo comemorada por todos os setores da sociedade como o início de um novo tempo social marcado pela igualdade e liberdade.
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O Documento 04 (Schwarcz e Starling) afirma que a abolição foi apresentada oficialmente como um “presente”, e não como uma conquista, o que produziu uma percepção equivocada do processo, apesar do envolvimento decisivo dos próprios escravizados.
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O texto também explica a estratégia política por trás dessa narrativa: reforçar a imagem pública de Isabel como “redentora”, exigir gratidão pela “dádiva” e reconfigurar antigas redes de dependência, mantendo hierarquias e formas de submissão sob novas roupagens.
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Entre as alternativas, a única que sintetiza diretamente esses pontos centrais do documento (concessão/dádiva, invisibilização do protagonismo negro e manutenção de hierarquias) é a alternativa C.
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As demais:
- A fala do papel geral de Pedro Américo e de representações heroicas, mas não é a inferência mais pertinente ao debate do texto sobre a estratégia política da “dádiva”.
- B exige uma leitura detalhada da composição do quadro (luz, símbolos e posições), algo que não foi descrito no enunciado; já o texto base dá suporte direto à ideia de “concessão”.
- D é incorreta por simplificar o processo (não foi “resultado direto” apenas de pressão britânica) e por afirmar comemoração geral e igualdade, o que contraria a discussão sobre expectativas, conflitos e permanências.
Alternativa correta: (C).