Gil Vicente: A atitude do Anjo relativamente ao Fidalgo evolui ao longo da cena. Por que razão se deu essa mudança?
A atitude do Anjo relativamente ao Fidalgo evolui ao longo da cena. Por que razão se deu essa mudança?
A atitude do Anjo muda porque, ao longo do diálogo, fica claro que o Fidalgo não tem méritos espirituais nem humildade: chega cheio de soberba e confiança no seu estatuto social, tenta “comprar” ou impor a entrada no Paraíso, e não se arrepende dos pecados (abuso de poder, injustiças, vida mundana). Assim, o Anjo passa de uma receção inicialmente protocolar/atenta para uma recusa firme, pois o julgamento é moral e não depende da nobreza.
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No início da cena, o Anjo reage de forma mais contida porque o Fidalgo chega com grande aparato (título, criados, símbolos de riqueza) e espera ser tratado com deferência, como se o estatuto social valesse como “credencial” para a salvação.
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À medida que o Fidalgo fala, ele próprio revela o seu verdadeiro perfil moral: orgulho, prepotência e ausência de arrependimento. Em vez de reconhecer faltas, tenta justificar-se pela nobreza e pelos privilégios que teve em vida.
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Quando o Anjo percebe (pelas palavras e atitudes do Fidalgo) que não há humildade nem penitência e que a vida dele foi marcada por injustiças e abuso do poder, a atitude muda para recusa e distanciamento: no juízo, o critério é ético/religioso e não social.
Alternativa correta: não se aplica (questão aberta, sem opções).