Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas [...] Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. “Poética”, de Manuel Bandeira, foi considerado um ‘poema manifesto’ do Modernismo, por quê?
Questão
Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
[...]
Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
“Poética”, de Manuel Bandeira, foi considerado um ‘poema manifesto’ do Modernismo, por quê?
Alternativas
Alternativa 1: O poeta prioriza a liberdade, tanto formal quanto temática, algo que foi recorrente no Modernismo brasileiro.
Alternativa 2: O poema prioriza a utilização de rimas perfeitas como algo decisivo para o período modernista.
Alternativa 3: O poema valoriza o uso dos sonetos como o principal tipo de poesia modernista.
Alternativa 4: O poeta valoriza o uso das palavras rebuscadas e difíceis, a linguagem informal não encontra espaço no modernismo.
Alternativa 5: O poema menciona que o modernismo é uma crítica aos períodos anteriores que não davam valor à metrificação regular e ao uso de rimas.
Explicação
O poema é considerado um “poema manifesto” do Modernismo porque funciona como uma declaração explícita de princípios estéticos: ele rejeita o lirismo tradicional, “bem comportado”, burocrático e preso a regras (purismo, correção vocabular, formalismo), e defende uma poesia como libertação.
Isso aparece quando o eu lírico afirma estar “farto” de:
- um lirismo comedido e protocolar (associado à tradição/parnasianismo e ao academicismo);
- um lirismo que interrompe o impulso poético para “averiguar no dicionário” (culto à norma/purismo);
- a postura dos puristas (“Abaixo os puristas”).
Em oposição, ele reivindica:
- um lirismo livre, espontâneo e antiacadêmico (“dos loucos”, “dos bêbedos”, “difícil e pungente”);
- a ideia central modernista de liberdade formal e temática, rompendo com modelos fixos (métrica rígida, rimas obrigatórias, linguagem rebuscada como regra);
- o fecho resume o programa: “não quero mais saber do lirismo que não é libertação”, isto é, a poesia deve romper amarras e renovar a expressão.
Analisando as alternativas:
- (1) corresponde exatamente a essa defesa modernista de liberdade.
- (2) e (3) contrariam o texto, pois ele não propõe rima perfeita nem soneto como norma.
- (4) também contraria: o poema critica o purismo e a linguagem controlada/rebuscada.
- (5) está incoerente: o Modernismo criticou justamente períodos que valorizavam metrificação e rimas regulares (não o contrário).
Alternativa correta: (1).