Gil Vicente: Assim que morreu, o Fidalgo encontrou-se frente ao Diabo. Com base no teu conhecimento da obra, refere as intenções do Fidalgo quando chegou ao cais e explica qual é a intenção de crítica social associada à cena.
Assim que morreu, o Fidalgo encontrou-se frente ao Diabo. Com base no teu conhecimento da obra, refere as intenções do Fidalgo quando chegou ao cais e explica qual é a intenção de crítica social associada à cena.
Intenções do Fidalgo ao chegar ao cais (no Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente):
- Ser recebido com honra e privilégios: o Fidalgo chega convencido de que, pelo seu título, linhagem e estatuto, merece automaticamente um lugar na barca “boa” (a do Anjo). Age como alguém habituado a mandar e a ser servido.
- Impor-se pela aparência e pelo poder social: ele procura fazer valer a autoridade que tinha em vida (arrogância, superioridade, vaidade), esperando que isso funcione também no além.
- Justificar-se sem verdadeira consciência moral: em vez de reconhecer faltas e pedir perdão com humildade, tenta desculpar-se e normalizar o seu modo de vida, como se a posição social fosse garantia de salvação.
Intenção de crítica social associada à cena:
- A cena critica a nobreza/fidalguia e, de modo mais amplo, a sociedade que confunde classe social com virtude. Gil Vicente mostra que o Fidalgo, apesar do prestígio, é moralmente reprovável: viveu com soberba, abuso de poder, ostentação e desprezo pelos outros, e por isso não tem mérito para a barca do Anjo.
- A crítica também atinge a ideia de impunidade dos poderosos: o Fidalgo acredita que, como sempre foi privilegiado em vida, continuará a ser privilegiado depois da morte. A peça desmonta essa lógica ao mostrar que, no juízo final, contam as ações, não os títulos.
Alternativa correta: (sem alternativas).
Vamos ligar a cena ao sentido global do Auto da Barca do Inferno.
- O que o Fidalgo pretende quando chega ao cais
- Em vida, o Fidalgo ocupava um lugar de privilégio; por isso, ao morrer, ele não chega para ser julgado, mas quase como quem chega para ser atendido.
- A sua intenção é embarcar na barca do Anjo (a barca que conduz à salvação) com a mesma “naturalidade” com que, em vida, recebia honras e vantagens.
- Ele tenta transformar o julgamento numa questão de categoria social: acha que o título e a aparência (ostentação, postura de mando, vaidade) devem bastar para garantir passagem.
- Importante: não há, nele, um arrependimento genuíno; há antes autoconfiança, arrogância e tentativa de legitimar o seu comportamento como algo aceitável para alguém “da sua condição”.
- Qual é a intenção de crítica social dessa cena
- Gil Vicente constrói o Fidalgo como um “tipo social” para denunciar a fidalguia/nobreza que vive de privilégios, de aparência e, muitas vezes, de abuso de poder.
- A crítica central é: título não é virtude. A peça expõe o erro (muito presente na sociedade da época) de confundir posição social com mérito moral.
- Além disso, critica-se a sensação de impunidade: o Fidalgo comporta-se como se estivesse acima de qualquer lei (até da lei divina). Ao ser recusado pelo Anjo e encaminhado para o Inferno, a obra afirma que, no fim, o critério é ético e espiritual: valem as ações, não o estatuto.
Assim, a cena usa o ridículo e o confronto com o Diabo/Anjo para desmascarar a soberba e a corrupção moral dos privilegiados.
Alternativa correta: (sem alternativas).