Émile Benveniste reintroduziu a subjetividade nos estudos linguísticos, destacando que esta está enraizada na capacidade do locutor se posicionar como sujeito de seu próprio discurso através do uso da primeira pessoa. Para Benveniste, o pronome "eu" não apenas refere ao falante, mas também indica sua autoridade e responsabilidade sobre o que é dito. Ele ressaltou a importância do contexto na enunciação, argumentando que este não é determinado apenas pelo conteúdo do discurso, mas também pela identidade do locutor, seu interlocutor, e o contexto situacional em que ocorre. Benveniste também introduziu o conceito de "instâncias de discurso", que envolve a alternância entre o discurso relatado e o discurso do enunciador, permitindo uma variedade de perspectivas e vozes dentro do discurso, enriquecendo sua complexidade e profundidade. Qual das seguintes situações exemplifica melhor a aplicação da teoria da enunciação?
Questão
Émile Benveniste reintroduziu a subjetividade nos estudos linguísticos, destacando que esta está enraizada na capacidade do locutor se posicionar como sujeito de seu próprio discurso através do uso da primeira pessoa. Para Benveniste, o pronome "eu" não apenas refere ao falante, mas também indica sua autoridade e responsabilidade sobre o que é dito. Ele ressaltou a importância do contexto na enunciação, argumentando que este não é determinado apenas pelo conteúdo do discurso, mas também pela identidade do locutor, seu interlocutor, e o contexto situacional em que ocorre. Benveniste também introduziu o conceito de "instâncias de discurso", que envolve a alternância entre o discurso relatado e o discurso do enunciador, permitindo uma variedade de perspectivas e vozes dentro do discurso, enriquecendo sua complexidade e profundidade.
Qual das seguintes situações exemplifica melhor a aplicação da teoria da enunciação?
Alternativas
Alternativa 1: Uma conversa entre amigos em um café, onde o contexto social e histórico influencia na interpretação das falas e na construção do significado das interações.
Alternativa 2: Um político fazendo um discurso em um comício, utilizando pronome "eu" para se posicionar como sujeito de seu discurso e demonstrar autoridade sobre suas afirmações.
Alternativa 3: Um narrador em terceira pessoa descrevendo os pensamentos e sentimentos de um personagem em um romance, alternando entre o discurso do narrador e o discurso dos personagens.
Alternativa 4: Um artigo acadêmico escrito por um pesquisador, no qual a objetividade é priorizada, excluindo-se qualquer vestígio de subjetividade do discurso.
Alternativa 5: Um comercial de televisão que utiliza um narrador em primeira pessoa para criar empatia com o público-alvo e persuadi-los a comprar um produto.
Explicação
A teoria da enunciação em Benveniste enfatiza que a subjetividade se manifesta linguisticamente quando o locutor se instaura como sujeito no ato de dizer, sobretudo por meio de marcas de pessoa (como o pronome “eu”), assumindo autoridade e responsabilidade pelo enunciado. Além disso, o sentido depende da situação de enunciação (quem fala, a quem se fala e em que contexto).
Analisando as alternativas:
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Alternativa 1: fala de “contexto social e histórico” influenciando a interpretação, o que é verdadeiro em várias abordagens (pragmática, análise do discurso), mas não destaca de forma central a instauração do sujeito na enunciação por marcas como “eu/tu”.
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Alternativa 2: descreve exatamente um caso em que o locutor usa “eu” para se colocar como sujeito do discurso e assumir posição/autoridade diante do público (interlocutor) no contexto situacional (comício). Isso exemplifica diretamente a noção benvenistiana de subjetividade ligada às categorias de pessoa na enunciação.
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Alternativa 3: trata de alternância entre narrador e personagens (algo próximo de “vozes”), mas aqui o foco está em técnica narrativa e discurso indireto/relato em literatura, sem evidenciar com clareza o ponto central benvenistiano: o ato de enunciar ancorado nas categorias eu/tu, no aqui-agora da situação de fala.
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Alternativa 4: prioriza objetividade e exclusão de subjetividade, o que vai contra a ênfase de Benveniste na inevitável presença do sujeito na linguagem quando há enunciação.
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Alternativa 5: também usa 1ª pessoa, mas o elemento mais diretamente alinhado ao enunciado do problema (“eu” como marca de posição e autoridade/responsabilidade do locutor no ato de dizer) aparece de modo mais nítido e típico na situação do discurso político, em que o “eu” se liga explicitamente à tomada de posição e compromisso público.
Portanto, a situação que melhor exemplifica a aplicação da teoria da enunciação, conforme descrita no enunciado, é a do locutor que se marca como sujeito por meio do pronome “eu” em uma situação concreta de interlocução.
Alternativa correta: (2).