“O discurso público frequentemente exalta a transparência, e multiplica campanhas institucionais que prometem acesso irrestrito à informação, mas, na prática, os dados permanecem fragmentados ou inacessíveis. O cidadão, por sua vez, tenta acompanhar tais iniciativas, ora acreditando nos anúncios oficiais, ora desconfiando da distância entre discurso e realidade; por isso, cresce a sensação de descrédito nas instituições.” Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa. (Adaptado para fins pedagógicos). Considerando as relações estabelecidas pelas conjunções coordenativas:
Questão
“O discurso público frequentemente exalta a transparência, e multiplica campanhas institucionais que prometem acesso irrestrito à informação, mas, na prática, os dados permanecem fragmentados ou inacessíveis. O cidadão, por sua vez, tenta acompanhar tais iniciativas, ora acreditando nos anúncios oficiais, ora desconfiando da distância entre discurso e realidade; por isso, cresce a sensação de descrédito nas instituições.” Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa. (Adaptado para fins pedagógicos).
Considerando as relações estabelecidas pelas conjunções coordenativas:
Alternativas
A) “e” introduz adição com valor de reforço argumentativo, “mas” marca oposição concessiva e “por isso” indica consequência inferida do conjunto anterior.
B) “e” estabelece soma neutra, “mas” introduz explicação contrastiva e “por isso” expressa causa implícita do enunciado subsequente.
C) “e” sugere progressão causal, “mas” sinaliza quebra de expectativa e “por isso” indica conclusão interpretativa derivada do conflito exposto.
D) “e” indica continuidade temática, “mas” introduz contraste restritivo e “por isso” apresenta consequência lógica do encadeamento discursivo.
E) “e” funciona como operador conclusivo implícito, “mas” marca oposição enfática e “por isso” retoma justificativamente a informação anterior.
Explicação
Vamos identificar o valor semântico-discursivo de cada conectivo no trecho.
- “e” em: “exalta a transparência, e multiplica campanhas institucionais...”
- Aqui, coordena duas ações do mesmo sujeito (“o discurso público”) dentro do mesmo tópico (transparência / campanhas). É um encadeamento aditivo que mantém a continuidade temática (não é conclusão nem causa; é simplesmente a sequência de informações sobre o mesmo fenômeno).
- “mas” em: “...prometem acesso irrestrito à informação, mas, na prática, os dados permanecem fragmentados ou inacessíveis.”
- “Mas” introduz contraste/ressalva entre a promessa (acesso irrestrito) e o fato real (dados inacessíveis). Isso é o uso típico de oposição adversativa, frequentemente descrita como contraste restritivo (restringe/limita a expectativa criada pelo segmento anterior).
- “por isso” em: “...ora acreditando..., ora desconfiando...; por isso, cresce a sensação de descrédito...”
- “Por isso” funciona como conector conclusivo/consecutivo, introduzindo um efeito/resultado: devido à oscilação entre crença e desconfiança (motivada pela distância entre discurso e prática), a consequência é o crescimento do descrédito.
Analisando as alternativas:
- (A) erra ao dizer que “mas” é “oposição concessiva” (concessão seria mais típica de “embora”, “ainda que” etc.).
- (B) erra ao chamar “mas” de explicação e “por isso” de causa.
- (C) força “e” como progressão causal (não é o caso) e troca a natureza de “por isso” (que é consequência/conclusão, não apenas “conclusão interpretativa do conflito” como foco principal).
- (E) erra ao atribuir a “e” valor conclusivo.
A alternativa que descreve corretamente: continuidade com “e”, contraste adversativo restritivo com “mas” e consequência com “por isso” é a letra D.
Alternativa correta: (D).