Faça uma pesquisa bibliográfica e virtual sobre este tema, em seguida, disserte sobre as teorias criacionista e evolucionista. Seria possível afirmar que esta definição acerca da natureza política do ser humano é disputada por uma visão religiosa, cultural e científica?
Questão
Faça uma pesquisa bibliográfica e virtual sobre este tema, em seguida, disserte sobre as teorias criacionista e evolucionista. Seria possível afirmar que esta definição acerca da natureza política do ser humano é disputada por uma visão religiosa, cultural e científica?
Resposta
93%(Sem alternativas — resposta dissertativa.)
Explicação
1) Pesquisa bibliográfica e virtual (síntese)
Criacionismo (visão geral)
- O criacionismo é um conjunto de crenças/posições que atribuem a origem da vida, do ser humano e/ou do universo a um ato de criação divina, frequentemente baseado em interpretações de textos sagrados. Existem variações internas (por exemplo, leituras mais literais e outras mais conciliatórias com a ciência). (pt.wikipedia.org)
- Um desdobramento moderno é o chamado “criacionismo científico”, que tenta apresentar teses criacionistas com linguagem e pretensão de cientificidade, incluindo posições como “Terra jovem”, fixismo e dilúvio como explicação geológica — pontos amplamente rejeitados pela comunidade científica por não seguirem adequadamente o método científico e por não terem suporte empírico compatível com as evidências acumuladas. (pt.wikipedia.org)
Evolucionismo (Teoria da Evolução e Síntese Moderna)
- A teoria da evolução, formulada no século XIX (Darwin/Wallace) e depois consolidada no século XX na Síntese Evolutiva Moderna, explica a diversidade dos seres vivos por processos naturais, com destaque para seleção natural e mecanismos genéticos de herança e variação. (brasilescola.uol.com.br)
- A Síntese Moderna é descrita como a integração entre a seleção natural (Darwin) e a genética (Mendel e desenvolvimentos posteriores), articulando campos como genética de populações, sistemática e paleontologia. (pt.wikipedia.org)
“Natureza política do ser humano” (base filosófica)
- A ideia clássica de que o ser humano é um “animal político” remonta a Aristóteles (zōon politikon), associada à capacidade humana de vida social organizada, linguagem, deliberação e vida na pólis (comunidade política). (cambridge.org)
2) Dissertação: teorias criacionista e evolucionista
2.1 Teoria criacionista
A perspectiva criacionista, em sentido amplo, interpreta a origem da vida e do ser humano como resultado intencional de uma divindade (ou divindades). Seu foco central não é apenas “como” a vida surgiu, mas sobretudo “por quê” e “para quê” — isto é, a atribuição de sentido, propósito e ordem moral ao mundo.
Do ponto de vista epistemológico, muitas versões do criacionismo se apoiam em autoridade revelada (textos sagrados e tradição religiosa). Quando tenta ocupar o lugar de explicação científica (como no “criacionismo científico”), acaba entrando em atrito com critérios centrais da ciência moderna — testabilidade, falseabilidade, previsibilidade e revisão por evidências — razão pela qual educadores e cientistas costumam classificá-lo como crença religiosa, não como teoria científica. (mundoeducacao.uol.com.br)
Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que há tradições religiosas que buscam compatibilização entre fé e evolução (por exemplo, aceitação de evolução e Big Bang como descrições científicas válidas, sem abandono da ideia de criação divina em nível teológico). (pt.wikipedia.org)
2.2 Teoria evolucionista
A teoria evolucionista (em sua forma científica contemporânea) explica a origem e diversificação das espécies por processos naturais cumulativos ao longo do tempo. A seleção natural atua sobre variações herdáveis, favorecendo características que aumentam sobrevivência e reprodução em determinados ambientes.
A forma hoje mais consolidada no ensino e na pesquisa é a Síntese Evolutiva Moderna (ou neodarwinismo), que integra seleção natural e genética, organizando um arcabouço explicativo robusto que conecta dados de genética, biologia molecular, paleontologia e sistemática. (brasilescola.uol.com.br)
Em termos culturais, o evolucionismo também produziu impactos fora da biologia (filosofia, sociologia, educação). Porém, é crucial separar a teoria biológica (científica) de usos ideológicos indevidos (por exemplo, “darwinismo social”), que não são consequências necessárias da biologia evolutiva.
3) A “natureza política do ser humano” é disputada por visões religiosa, cultural e científica?
Sim — é possível afirmar que essa definição é disputada e reinterpretada por diferentes matrizes (religiosa, cultural e científica), mas com um cuidado: nem sempre elas estão disputando a mesma coisa no mesmo nível.
- Visão filosófico-política (clássica/teórica)
- Em Aristóteles, chamar o humano de “animal político” é uma tese de antropologia filosófica: a vida humana tende à vida comunitária organizada, com deliberação e linguagem, e a pólis seria uma culminação “natural” desse impulso social. (cambridge.org)
- Visões religiosas e culturais
- Tradições religiosas podem sustentar que a sociabilidade humana (e a moralidade que organiza a vida comum) decorre de uma criação com propósito: a política aparece como dimensão ética/espiritual da vida coletiva.
- Já a cultura (no sentido antropológico) molda profundamente o que se entende por “político”: há sociedades com diferentes formas de autoridade, cooperação, conflito, parentesco e organização — o que relativiza definições fixas do “ser político”.
- Visão científica (biologia/evolução e ciências humanas)
- Uma leitura compatível com a evolução é interpretar a sociabilidade e a cooperação como traços selecionados e estabilizados ao longo da história evolutiva humana (incluindo linguagem, cognição social, normas e punição). Essa abordagem não precisa negar dimensões culturais; ao contrário, frequentemente entende cultura como parte do fenômeno (coevolução gene–cultura, aprendizagem social etc.).
Conclusão sobre a “disputa”
- Há disputa quando uma dessas visões tenta monopolizar a explicação (por exemplo, reduzir o político a apenas biologia, ou reduzir tudo a doutrina religiosa, ou tratar cultura como totalmente independente de qualquer base material).
- E há também complementaridade quando se aceita que:
- a ciência descreve mecanismos (como evoluímos, como cooperamos, como instituições funcionam), (pt.wikipedia.org)
- enquanto a religião e a filosofia frequentemente tratam de sentido, finalidade e normatividade (o que devemos ser, como devemos viver).
Portanto, é defensável dizer que a definição da “natureza política do ser humano” é um campo de tensão interpretativa entre visões religiosas, culturais e científicas — às vezes concorrentes, às vezes complementares — porque cada uma opera com métodos, objetivos e critérios de validação distintos.
Alternativa correta: (Sem alternativa).