A doença inflamatória intestinal, que abrange a doença de Crohn e a Colite Ulcerativa, é um quadro recidivante caracterizado pela inflamação crônica em vários locais do trato gastrintestinal, que resulta em diarreia e dor abdominal. Sobre este assunto analise as alternativas e assinale a incorreta:

Questão

A doença inflamatória intestinal, que abrange a doença de Crohn e a Colite Ulcerativa, é um quadro recidivante caracterizado pela inflamação crônica em vários locais do trato gastrintestinal, que resulta em diarreia e dor abdominal. Sobre este assunto analise as alternativas e assinale a incorreta:

Alternativas

A) A etiologia precisa da doença inflamatória intestinal é desconhecida, mas evidências sugerem que a flora intestinal normal desencadeia inapropriadamente uma reação imunitária em pacientes com predisposição genética multifatorial (talvez envolvendo barreiras epiteliais anormais e defesas imunitárias da mucosa). Não se identificou qualquer fator dietético, ambiental ou infeccioso. A reação imunitária envolve a liberação dos mediadores inflamatórios, incluindo citocinas, interleucinas e fator de necrose tumoral (FNT).

B) A doença inflamatória intestinal é mais comum na população do norte da Europa e de origem anglo-saxônica e é 2 a 4 vezes mais comum em judeus asquenazes do que não judeus brancos. A incidência é baixa na Europa central e do sul e ainda mais baixa na América do Sul, Ásia e África. Entretanto, a incidência vem aumentando em negros e latino-americanos que vivem na América do Norte. Ambos os sexos são igualmente afetados. Parentes de primeiro grau dos pacientes com doença inflamatória intestinaltêm um risco 4 a 20 vezes maior; seu risco absoluto pode chegar a 7%. A tendência familiar é muito maior na doença de Crohn do que na colite ulcerativa. Várias mutações gênicas conferem um risco maior da doença de Crohn (e algumas possivelmente relacionadas à colite ulcerativa) foram identificadas.

C) O tabagismo parece contribuir para o desenvolvimento e a exacerbação da doença de Crohn bem como aumenta o risco de colite ulcerativa.

92%

D) Doenças que claramente estão associadas com doença inflamatória intestinal, mas aparecem de modo independente da atividade da doença inflamatória intestinal: essas doenças incluem espondilite anquilosante, sacroileíte, uveíte pioderma grangrenoso e colangite esclerosante primária.

E) Deve-se monitorar nas pacientes que não estão recebendo terapia imunossupressora câncer do colo do útero com um teste de Papanicolau (Pap) a cada 3 anos. Pacientes que estão recebendo terapia imunossupressora devem ser submetidas a teste de Papanicolau anualmente.

Explicação

Vamos identificar a alternativa incorreta sobre Doença Inflamatória Intestinal (DII).

A) Correta. A etiologia exata é multifatorial e ainda não totalmente definida. Há forte evidência de desregulação imune frente à microbiota intestinal em indivíduos geneticamente predispostos, com participação de mediadores inflamatórios como TNF, interleucinas e citocinas.

B) Correta. A epidemiologia clássica descreve maior frequência em populações do norte da Europa e em judeus asquenazes, com agregação familiar importante (especialmente na Doença de Crohn) e associação com múltiplos genes de suscetibilidade.

C) Incorreta. O tabagismo realmente aumenta o risco e piora o curso da Doença de Crohn (mais recaídas, maior necessidade de cirurgia etc.). Porém, para Colite Ulcerativa, o padrão clássico é o oposto: tabagismo está associado a menor risco de desenvolver colite ulcerativa (e a cessação do tabagismo pode precipitar/aparecer com a doença em alguns casos). Portanto, está errado dizer que o tabagismo “aumenta o risco” de colite ulcerativa.

D) Correta. Há manifestações extraintestinais que podem ocorrer com curso relativamente independente da atividade intestinal, como uveíte e colangite esclerosante primária, além de associações com espondiloartrites (p. ex., sacroileíte/espondilite anquilosante) e pioderma gangrenoso.

E) Correta como regra de prova: em geral, pacientes imunossuprimidas requerem rastreamento cervical mais frequente (anual), enquanto as não imunossuprimidas seguem intervalo maior (como 3 anos após exames iniciais adequados, conforme diretrizes de rastreio).

Alternativa correta: (C).

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