Gêneros Textuais (Quadrinhos): Um dos muitos fatores responsáveis pela construção de sentidos de um texto, a inferência, é imprescindível para a construção e compreensão do texto; só existe na inter-relação entre produtor (que fornece pistas ou dicas textuais para a interpretação do receptor) e receptor do texto (que tenta apreender o que o produtor quis dizer a partir dos dados textuais presentes no texto). Com base em sua compreensão deste conceito, veja o quadrinho abaixo e assinale a alternativa correta.
Um dos muitos fatores responsáveis pela construção de sentidos de um texto, a inferência, é imprescindível para a construção e compreensão do texto; só existe na inter-relação entre produtor (que fornece pistas ou dicas textuais para a interpretação do receptor) e receptor do texto (que tenta apreender o que o produtor quis dizer a partir dos dados textuais presentes no texto). Com base em sua compreensão deste conceito, veja o quadrinho abaixo e assinale a alternativa correta.
Imagem 1
Quadrinho com três painéis, cada painel com um título: 1) 'A BANANA DO SEU NETO' (imagem: recipiente amarelo e colher), 2) 'A LARANJA DA SUA ESPOSA' (imagem: caixa de suco/caixinha laranja), 3) painel à direita com um celular parcialmente visível e título parcialmente legível 'O AMIGO DO SEU...'.
A) É preciso fazer uma inferência de base contextual para relacionar os produtos exibidos em cada quadrinho como sendo consequência da globalização e dos processos de industrialização, artificialização e virtualização de experiências naturais com a comida e os relacionamentos.
B) As inferências estão sempre presentes no texto, sendo uma operação de decodificação feita pelo leitor.
C) As inferências não necessitam ser contextuais para compreender o quadrinho, uma vez que as informações estão claramente expressas nas palavras.
D) As inferências quase sempre precisam se ancorar no conhecimento prévio dos interlocutores, contudo neste caso não é preciso conhecimento prévio algum para poder entender.
E) Trata-se de inferências sem base textual nem contextual, o que permite dizer que são inferências falseadoras.
Pelo conceito apresentado no enunciado, inferência é um sentido que não está dito de modo direto, mas é construído pelo leitor a partir de pistas do texto (aqui, do texto verbo-visual do quadrinho) + conhecimento de mundo.
No quadrinho, há três “equivalências” irônicas:
- “A banana do seu neto” não é a fruta, mas um produto industrializado (parece uma papinha/iogurte em embalagem).
- “A laranja da sua esposa” também não é a fruta, mas suco de caixinha.
- “O amigo do seu …” (pai/filho, a frase está cortada) é representado por um celular, sugerindo amizade/relacionamento mediado por tecnologia (virtualização).
Para entender o humor/crítica, o leitor precisa inferir que o autor está contrapondo o “natural” (banana/laranja/amigo presencial) ao “substituto” contemporâneo (industrializado/embalado/digital). Isso depende de inferência contextual, pois a crítica à industrialização e à virtualização não está explicitamente explicada em palavras, mas sugerida pela escolha das imagens e títulos.
Analisando as alternativas:
- A descreve exatamente essa necessidade de inferência contextual para ligar os itens a processos como industrialização/artificialização e virtualização.
- B erra ao tratar inferência como mera decodificação (inferir vai além de decodificar).
- C erra porque as informações não estão “claramente expressas nas palavras”; as imagens são decisivas.
- D erra ao dizer que não é preciso conhecimento prévio algum: é preciso saber, por exemplo, que existe suco de caixinha, papinhas industrializadas e amizade mediada por celular.
- E erra porque há, sim, base textual e contextual (títulos + imagens), não sendo inferência “falseadora”.
Alternativa correta: (A).