Paciente masculino, 74 anos, levado ao PS por queixa de palpitações, cansaço progressivo aos mínimos esforços, com piora há 5 dias, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores associada a diminuição de diurese e fraqueza. História prévia de hipertensão arterial em uso irregular de captopril e hidroclorotiazida, ex-etilista e ex-tabagista. Estava em regular estado geral, PA 100x50mmHg, FC 120bpm, FR 28irpm. Ausculta pulmonar com estertores crepitantes bilateralmente em bases e até 1/3 médio. Ausculta cardíaca com ritmo regular com extrabatimentos ocasionais, bulhas hipofonéticas e presença de B3, além de sopro sistólico 2+/4 em foco mitral. Apresentava edema de membros inferiores simétrico e turgência jugular bilateralmente, além de hepatomegalia dolorosa de 3cm a partir do rebordo costal. Seu RX de tórax demonstrava cardiomegalia, sinais de congestão peri-hilar e derrame pleural pequeno em hemitórax direito. O tratamento medicamentoso da insuficiência cardíaca pode ser dividido em dois grupos de fármacos:
Questão
Paciente masculino, 74 anos, levado ao PS por queixa de palpitações, cansaço progressivo aos mínimos esforços, com piora há 5 dias, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores associada a diminuição de diurese e fraqueza. História prévia de hipertensão arterial em uso irregular de captopril e hidroclorotiazida, ex-etilista e ex-tabagista. Estava em regular estado geral, PA 100x50mmHg, FC 120bpm, FR 28irpm. Ausculta pulmonar com estertores crepitantes bilateralmente em bases e até 1/3 médio. Ausculta cardíaca com ritmo regular com extrabatimentos ocasionais, bulhas hipofonéticas e presença de B3, além de sopro sistólico 2+/4 em foco mitral. Apresentava edema de membros inferiores simétrico e turgência jugular bilateralmente, além de hepatomegalia dolorosa de 3cm a partir do rebordo costal. Seu RX de tórax demonstrava cardiomegalia, sinais de congestão peri-hilar e derrame pleural pequeno em hemitórax direito.
O tratamento medicamentoso da insuficiência cardíaca pode ser dividido em dois grupos de fármacos:
Alternativas
A) Os que têm impacto direto sobre a mortalidade (oxigenioterapia domiciliar, IECA, antagonistas de canais de cálcio, espironolactona e betabloqueadores) e os que têm impacto sobre a qualidade de vida (diuréticos de alça, digital e alguns hipoglicemiantes orais).
B) Os que têm impacto direto sobre a mortalidade (IECA, BRA, vasodilatores com nitratos, espironolactona e betabloqueadores) e os que têm impacto sobre a qualidade de vida (diuréticos de alça, digital e alguns inotrópicos).
C) Os que têm impacto direto sobra a mortalidade (betabloqueadores) e os que têm impacto apenas sobre a qualidade de vida (diuréticos de alça, digital e alguns inotrópicos).
D) Os que têm impacto direto sobre a mortalidade (vasodilatadores com nitratos, espironolactona e betabloqueadores) e os que têm impacto sobre a qualidade de vida (diuréticos de alça, digital e alguns inotrópicos).
E) Os que têm impacto direto sobre a mortalidade (vasodilatadores com nitratos, espironolactona e betabloqueadores) e os que não têm impacto sobre a qualidade de vida (diuréticos de alça, digital e alguns inotrópicos).
Explicação
Para classificar o tratamento medicamentoso da insuficiência cardíaca (IC), é comum dividir os fármacos em:
- Fármacos com impacto em mortalidade (modificadores de prognóstico)
- IECA (ex.: enalapril, captopril): reduzem mortalidade e reinternações na IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr).
- BRA (ex.: losartana, valsartana): alternativa quando IECA não é tolerado; também com benefício prognóstico.
- Betabloqueadores (carvedilol, bisoprolol, metoprolol succinato): reduzem mortalidade e melhoram remodelamento.
- Antagonista de aldosterona (espironolactona/eplerenona): reduz mortalidade em ICFEr selecionada.
- Vasodilatadores com nitratos (geralmente associados à hidralazina): em subgrupos (ex.: intolerância a IECA/BRA ou pacientes específicos), há redução de mortalidade.
- Fármacos com impacto principalmente em sintomas/qualidade de vida (sem redução consistente de mortalidade)
- Diuréticos de alça (furosemida): principais para alívio de congestão (dispneia, edema), melhorando sintomas.
- Digitálicos (digoxina): podem reduzir hospitalizações e melhorar sintomas, mas não reduzem mortalidade.
- Alguns inotrópicos (ex.: dobutamina/milrinona em cenários selecionados): melhoram hemodinâmica/sintomas no curto prazo; uso crônico pode aumentar mortalidade, portanto não são considerados fármacos de benefício prognóstico.
Analisando as alternativas:
- A é incorreta porque inclui oxigenoterapia domiciliar (não é fármaco) e antagonistas de canais de cálcio como redutores de mortalidade (não são, e podem piorar ICFEr).
- C é incompleta: não são apenas betabloqueadores que reduzem mortalidade.
- D é incompleta: faltam IECA/BRA (classe central na redução de mortalidade).
- E é incoerente ao afirmar que o segundo grupo “não tem impacto sobre a qualidade de vida”, pois diuréticos e digoxina melhoram sintomas.
Portanto, a alternativa que melhor descreve a divisão clássica entre drogas com benefício de mortalidade versus drogas predominantemente sintomáticas é a B.
Alternativa correta: B.