"Há, porém, algo de fundamentalmente novo na maneira como os Gregos puseram a serviço do seu problema último — da origem e essência das coisas — as observações empíricas que receberam do Oriente e enriqueceram com as suas próprias, bem como no modo de submeter ao pensamento teórico e causal o reino dos mitos, fundado na observação das realidades aparentes do mundo sensível: os mitos sobre o nascimento do mundo." (JAEGER, W. Paideia. Tradução de Artur M. Parreira. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p.197.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a relação entre mito e filosofia na Grécia, é correto afirmar:
Questão
"Há, porém, algo de fundamentalmente novo na maneira como os Gregos puseram a serviço do seu problema último — da origem e essência das coisas — as observações empíricas que receberam do Oriente e enriqueceram com as suas próprias, bem como no modo de submeter ao pensamento teórico e causal o reino dos mitos, fundado na observação das realidades aparentes do mundo sensível: os mitos sobre o nascimento do mundo." (JAEGER, W. Paideia. Tradução de Artur M. Parreira. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p.197.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a relação entre mito e filosofia na Grécia, é correto afirmar:
Alternativas
a) Em que pese ser considerada como criação dos gregos, a filosofia se origina no Oriente sob o influxo da religião e apenas posteriormente chega à Grécia.
b) A filosofia representa uma ruptura radical em relação aos mitos, representando uma nova forma de pensamento plenamente racional desde as suas origens, que ocorrem no Oriente.
c) Apesar de ser pensamento racional, a filosofia se desvincula dos mitos de forma gradual.
d) Filosofia e mito sempre mantiveram uma relação de interdependência, uma vez que o pensamento filosófico necessita do mito para se expressar.
e) O mito já era filosofia, uma vez que buscava respostas para problemas que até hoje são objeto da pesquisa filosófica.
Explicação
O texto de Jaeger destaca que os gregos receberam observações empíricas do Oriente, mas fizeram algo novo: submeteram o “reino dos mitos” ao pensamento teórico e causal, isto é, passaram a buscar explicações por causas e argumentos, e não apenas por narrativas sagradas.
Isso indica que não houve uma “troca instantânea” do mito por uma racionalidade plena desde o início. Ao contrário:
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O mito permanece como ponto de partida e horizonte cultural: os primeiros pensadores ainda dialogam com temas míticos (origem do mundo, arché, cosmogonias), mas começam a reinterpretá-los.
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A passagem ao logos é processual: a filosofia nasce em um contexto em que mito e investigação racional coexistem; a novidade grega é transformar essas questões em explicações teóricas e causais, o que caracteriza uma ruptura, mas não necessariamente “radical e imediata”.
Analisando as alternativas:
- (a) e (b) erram ao afirmar que a origem da filosofia “ocorre no Oriente”; o texto fala em contribuições orientais, mas enfatiza a novidade do modo grego de elaborar teoricamente o problema.
- (d) exagera ao dizer que a filosofia “necessita” do mito para se expressar (isso pode ocorrer em alguns autores, como recurso pedagógico, mas não é condição necessária).
- (e) confunde: mito e filosofia podem tratar de questões semelhantes, mas não são a mesma coisa, pois diferem no tipo de explicação e justificação.
Portanto, a afirmação correta é a de que a filosofia, embora racional, vai se desvinculando dos mitos gradualmente.
Alternativa correta: (c).