Bruna é inventariante do espólio do seu pai. Os herdeiros são ela (25%), seu irmão (25%) e sua mãe (50%). Bruna quer construir sua própria carteira, o irmão prefere receber em dinheiro, enquanto a mãe deseja obter renda passiva. Bruna pergunta se é necessário vender todos os ativos para dividir os investimentos (ações, FIIs, títulos Selic, CDBs e LCI/LCA) ou se há outra forma mais eficiente, evitando custos. Qual recomendação você daria?

Questão

Bruna é inventariante do espólio do seu pai. Os herdeiros são ela (25%), seu irmão (25%) e sua mãe (50%). Bruna quer construir sua própria carteira, o irmão prefere receber em dinheiro, enquanto a mãe deseja obter renda passiva. Bruna pergunta se é necessário vender todos os ativos para dividir os investimentos (ações, FIIs, títulos Selic, CDBs e LCI/LCA) ou se há outra forma mais eficiente, evitando custos. Qual recomendação você daria?

Alternativas

transferir apenas ações e fundos imobiliários diretamente aos herdeiros, já que esses ativos não geram tributação na transferência, e obrigatoriamente liquidar toda renda fixa, já que esses títulos sempre geram incidência de IR ao serem repassados.

liquidar integralmente todos os investimentos para distribuir o valor em dinheiro proporcionalmente, garantindo assim a mesma tributação para todos os herdeiros e facilitando a divisão imediata dos recursos. Isso facilitará a criação das novas carteiras de investimentos.

transferir os ativos via portabilidade interna, com Bruna assumindo ações com maior potencial de valorização e renda fixa de prazos longos, a mãe recebendo ações de dividendos, FIIs e ativos geradores de renda e o irmão recebendo o resgate dos títulos mais líquidos (como Selic e CDB).

86%

realizar transferência dos investimentos por portabilidade externa para outra instituição financeira, buscando melhores taxas e condições, o que facilita reorganizar os ativos individualmente para cada herdeiro, apesar de possíveis custos adicionais com corretagem e tributos.

Explicação

Vamos separar o problema em: (i) necessidade (ou não) de vender tudo no inventário e (ii) como fazer uma divisão eficiente alinhada aos objetivos de cada herdeiro.

  1. Não é obrigatório liquidar todos os ativos Em geral, no inventário/partilha, é possível atribuir bens e investimentos “in natura” (ou seja, sem vender), desde que:
  • os percentuais de cada herdeiro sejam respeitados (Bruna 25%, irmão 25%, mãe 50%);
  • haja concordância/planejamento para eventuais “ajustes” (se algum ficar com mais de um tipo de ativo, outro compensa com outro ativo ou com dinheiro);
  • a instituição/corretora permita a transferência por sucessão/partilha para as contas dos herdeiros. Vender tudo costuma ser ineficiente porque pode gerar custos e fricções (spread, taxas, eventual perda de posição e timing), além de “forçar” a realização financeira desnecessária.
  1. O jeito mais eficiente é direcionar os ativos conforme o perfil/objetivo
  • Bruna quer construir a própria carteira: faz sentido receber ativos de maior potencial de valorização e/ou posições que ela queira manter e rebalancear com calma (ex.: ações mais growth, renda fixa com prazos mais longos se ela aceitar o carrego).
  • Mãe quer renda passiva: faz sentido receber ativos geradores de renda, como FIIs e ações de dividendos, além de eventualmente algum pós-fixado/caixa para estabilidade.
  • Irmão quer dinheiro: o mais coerente é que ele fique com a parte que pode virar dinheiro com menor atrito, resgatando títulos mais líquidos (ex.: Tesouro Selic e CDBs com liquidez/baixa penalidade), em vez de obrigar todo o espólio a vender tudo.
  1. “Portabilidade interna”/transferência na própria instituição é o caminho prático A alternativa que melhor traduz essa solução é fazer a transferência/atribuição dos ativos na partilha (muitas vezes operacionalizada pela própria corretora/banco) e só resgatar/vender aquilo que for necessário para:
  • pagar despesas do inventário/ITCMD, se aplicável; e/ou
  • entregar a parte em dinheiro ao herdeiro que quer liquidez.
  1. Por que as outras alternativas são piores?
  • (A) está errada por generalizar: não é verdade que “obrigatoriamente” toda renda fixa precise ser liquidada, nem que a lógica tributária seja sempre essa na transferência.
  • (B) liquidar tudo “para facilitar” geralmente aumenta custo e atrito e pode contrariar o objetivo da mãe (renda) e o da Bruna (montar carteira).
  • (D) portabilidade externa pode ser útil em alguns casos, mas não é o ponto central da eficiência da partilha e adiciona complexidade operacional; não é necessário para resolver o problema proposto.

Portanto, a recomendação mais eficiente é partilhar os ativos de forma direcionada e resgatar apenas o necessário, alinhando ativos de renda para a mãe, ativos de crescimento/estrutura para Bruna e liquidez para o irmão.

Alternativa correta: (C).

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