Tendo em vista as regras de colocação pronominal da língua portuguesa, considerando o "se" em destaque, assinale a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão.

Questão

Tendo em vista as regras de colocação pronominal da língua portuguesa, considerando o "se" em destaque, assinale a alternativa em que a reescrita proposta se mantém condizente com a norma-padrão.

Alternativas

A) "Com a redução de 30 minutos no tempo sentado, estimou-se uma prevenção de 3% das mortes [...]." Reescrita: Com a redução de 30 minutos no tempo sentado, se estimou uma prevenção de 3% das mortes.

B) "[...] e até cair na folia do Carnaval são formas acessíveis de se manter ativo [...]." Reescrita: ... e até cair na folia do Carnaval são formas acessíveis de manter-se ativo.

C) "Para acréscimos superiores a 24 minutos por dia, por exemplo, não se observou redução adicional evidente no risco." Reescrita: Para acréscimos superiores a 24 minutos por dia, por exemplo, não observou-se redução adicional evidente no risco.

D) "À medida que as evidências se acumulam, torna-se cada vez mais claro [...]." Reescrita: À medida que as evidências acumulam-se, torna-se cada vez mais claro...

88%

E) "À medida que as evidências se acumulam, torna-se cada vez mais claro [...]." Reescrita: À medida que as evidências se acumulam, se torna cada vez mais claro...

Explicação

Analisando a colocação do pronome oblíquo átono se (próclise, ênclise e mesóclise) em cada reescrita:

A) estimou-se → reescrita: se estimou.

  • No original, há ênclise (“estimou-se”), plenamente aceitável, pois a oração começa pelo adjunto adverbial “Com a redução...”, e não há elemento obrigatório de próclise imediatamente ligado ao verbo.
  • Na reescrita, “se estimou” coloca o pronome em próclise sem fator de atração obrigatório; embora possa ocorrer em alguns contextos, aqui a formulação fica menos condizente com a norma-padrão do que a construção com ênclise já consagrada em textos formais (inclusive em voz passiva sintética/indeterminação do sujeito).

B) formas acessíveis de se manter ativo → reescrita: formas acessíveis de manter-se ativo.

  • Com infinitivo regido de preposição (“de + infinitivo”), a norma-padrão admite tanto próclise (de se manter) quanto ênclise (de manter-se).
  • Porém, no enunciado pede a alternativa em que a reescrita “se mantém condizente” considerando o “se” em destaque; aqui a troca é aceitável, mas não é o caso mais “seguro” quando comparado ao que ocorre em D (em que a mudança é claramente correta e clássica).

C) não se observou → reescrita: não observou-se.

  • O advérbio de negação não é fator obrigatório de próclise.
  • Portanto, o correto é não se observou; a reescrita viola a norma-padrão.

D) as evidências se acumulam → reescrita: as evidências acumulam-se.

  • Não há elemento atrativo obrigatório antes do verbo (como “não”, “que”, “quando”, pronomes relativos etc.).
  • Assim, tanto a próclise quanto a ênclise podem ocorrer, e, em frase afirmativa com sujeito expresso antes do verbo, a ênclise (acumulam-se) é plenamente condizente com a norma-padrão.
  • Logo, a reescrita está correta.

E) torna-se cada vez mais claro → reescrita: se torna cada vez mais claro.

  • Aqui também não há fator obrigatório de próclise; em redação formal, a preferência normativa é por tornar-se (ênclise) quando não há atrator.
  • A reescrita com próclise (se torna) tende a ser menos alinhada ao padrão formal pedido.

Conclusão: a única reescrita que se mantém claramente adequada à norma-padrão é a da alternativa D.

Alternativa correta: (D).

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