Leia o poema “Apanhador de desperdícios”, de Manoel de Barros. Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios. O professor de língua portuguesa discutiu o poema de Manoel de Barros com a turma do Ensino Médio, trabalhou a temática, estrutura e intertextualidades. Avisou que cobraria o poema na prova. Conforme o que for condizente com uma prática de avaliação formativa, analise as sentenças a seguir: I. A prova continha dez questões de múltipla escolha cobrando aspectos estruturais. II. As questões da prova só abordaram a relação da vida com a obra do autor. III. Duas questões da prova relacionaram o sonho do eu-lírico, ser fraseador, com o sonho do aluno. IV. Uma questão discursiva pediu para identificar e explicar os neologismos presentes no poema. É correto o que se afirma em:

Questão

Leia o poema “Apanhador de desperdícios”, de Manoel de Barros.

Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios.

O professor de língua portuguesa discutiu o poema de Manoel de Barros com a turma do Ensino Médio, trabalhou a temática, estrutura e intertextualidades. Avisou que cobraria o poema na prova.

Conforme o que for condizente com uma prática de avaliação formativa, analise as sentenças a seguir:

I. A prova continha dez questões de múltipla escolha cobrando aspectos estruturais. II. As questões da prova só abordaram a relação da vida com a obra do autor. III. Duas questões da prova relacionaram o sonho do eu-lírico, ser fraseador, com o sonho do aluno. IV. Uma questão discursiva pediu para identificar e explicar os neologismos presentes no poema.

É correto o que se afirma em:

Alternativas

A) I, apenas.

B) II e IV, apenas.

C) III e IV, apenas.

86%

D) I, II e III, apenas.

E) I, II, III e IV.

Explicação

Para uma avaliação formativa, espera-se que a prova verifique compreensão e construção de sentido, favoreça reflexão, aplicação, relação com a experiência do estudante e permita observar processos (não só memorização/identificação mecânica). Também é comum privilegiar itens que abram espaço para interpretação e argumentação (por exemplo, questões discursivas), além de conexões com o que foi trabalhado em sala (temática, estrutura, intertextualidades).

Analisando as sentenças:

I. “A prova continha dez questões de múltipla escolha cobrando aspectos estruturais.”

  • Uma prova somente com múltipla escolha e focada em “aspectos estruturais” tende a ser mais somativa/classificatória, pois favorece marcação de alternativa e checagem pontual, com menor espaço para explicitar raciocínio e construção de resposta. Não é o que mais se alinha à lógica formativa.
  • Portanto, não é condizente (como prática de avaliação formativa).

II. “As questões da prova só abordaram a relação da vida com a obra do autor.”

  • Focar apenas em biografia/vida do autor reduz o trabalho com o texto e com as leituras construídas em sala (temática, estrutura, intertextualidade). Além disso, é um recorte estreito e pouco coerente com o que o professor disse ter trabalhado.
  • Portanto, não é condizente.

III. “Duas questões da prova relacionaram o sonho do eu-lírico, ser fraseador, com o sonho do aluno.”

  • Esse tipo de questão promove apropriação e sentido, conectando o texto ao universo do estudante, o que favorece a avaliação como parte do processo de aprendizagem (característica formativa).
  • Portanto, é condizente.

IV. “Uma questão discursiva pediu para identificar e explicar os neologismos presentes no poema.”

  • A questão discursiva exige que o aluno identifique e explique (por exemplo, “invencionática”, “informática” em oposição, efeitos de sentido), evidenciando compreensão e capacidade de análise — algo bem alinhado à avaliação formativa.
  • Portanto, é condizente.

Logo, estão corretas apenas III e IV.

Alternativa correta: (C).

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