Doença de Crohn: Paciente de 30 anos é diagnosticado com Doença de Crohn ileocolônica com manifestações clínicas graves: dor abdominal, diarreia intensa, febre, perda ponderal significativa e calprotectina fecal >1000 µg/g. Há história de fístula perianal recente e elevação de proteína C reativa. Qual das estratégias abaixo é a mais apropriada para indução de remissão deste paciente neste momento?

Questão

Paciente de 30 anos é diagnosticado com Doença de Crohn ileocolônica com manifestações clínicas graves: dor abdominal, diarreia intensa, febre, perda ponderal significativa e calprotectina fecal >1000 µg/g. Há história de fístula perianal recente e elevação de proteína C reativa. Qual das estratégias abaixo é a mais apropriada para indução de remissão deste paciente neste momento?

Alternativas

A) Mesalazina oral e dieta sem resíduos, com reavaliação em 2 meses.

B) Prednisona oral em monoterapia, com início de azatioprina após melhora clínica.

C) Terapia combinada com biológico anti-TNF (ex: infliximabe) e imunomodulador (ex: azatioprina).

92%

D) Indicação de tratamento cirúrgico para fístula perianal antes de qualquer terapia medicamentosa.

E) O início de biológico anti-TNF é obrigatório e pode ser feito independentemente do resultado do PPD (prova tuberculínica) ou raio-x de tórax.

Explicação
  1. Gravidade e alto risco de curso complicado
  • O paciente tem doença de Crohn ileocolônica com atividade grave (dor importante, diarreia intensa, febre, perda ponderal), além de marcadores inflamatórios muito elevados (calprotectina fecal > 1000 µg/g e PCR elevada).
  • A presença de fístula perianal recente indica doença penetrante/fistulizante, um fenótipo de maior gravidade e pior prognóstico, que costuma exigir estratégia de “top-down” (terapia avançada precoce), e não escalonamento lento.
  1. Melhor estratégia para indução de remissão neste momento
  • Para Crohn grave e especialmente fistulizante perianal, a terapia com anti-TNF (ex.: infliximabe) é uma das opções mais eficazes para induzir remissão clínica e promover resposta de fístula.
  • Em casos de maior risco/gravidade, a terapia combinada (anti-TNF + imunomodulador como azatioprina) é frequentemente a estratégia mais apropriada, pois tende a:
    • aumentar a eficácia clínica em comparação à monoterapia em muitos cenários;
    • reduzir formação de anticorpos anti-droga e perda secundária de resposta.
  1. Por que as outras alternativas não são as melhores
  • A) Mesalazina tem papel limitado em Crohn e não é adequada para doença grave com fenótipo fistulizante.
  • B) Corticoide pode melhorar sintomas, mas não trata adequadamente fístula perianal e não é a melhor opção como estratégia principal (além de não ser terapia de manutenção). Postergar biológico em doença grave/fistulizante costuma ser inadequado.
  • D) Cirurgia/abordagem local (ex.: drenagem de abscesso e seton quando indicado) pode ser necessária, mas não deve substituir a indução medicamentosa sistêmica; em geral é complementar ao anti-TNF, não “antes de qualquer terapia”.
  • E) É obrigatória a triagem para tuberculose (PPD/IGRA e RX de tórax, conforme protocolo) antes de anti-TNF; iniciar independentemente disso aumenta risco de reativação de TB.

Assim, a opção mais apropriada para indução de remissão agora é terapia combinada com anti-TNF + imunomodulador.

Alternativa correta: (C).

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