O termo "evasão" aparece em algumas políticas públicas para o Ensino Superior no Brasil, evidenciando a caracterização de um fenômeno cuja problemática deve ser combatida e cujos índices devem ser reduzidos. No entanto, Coimbra, Silva e Costa (2021) revelam que as análises de especialistas e os documentos oficiais são insuficientes no que se refere à apresentação de uma definição apropriada do fenômeno. Considerando isso, de acordo com os(as) autores(as), é INCORRETO afirmar:
Questão
O termo "evasão" aparece em algumas políticas públicas para o Ensino Superior no Brasil, evidenciando a caracterização de um fenômeno cuja problemática deve ser combatida e cujos índices devem ser reduzidos. No entanto, Coimbra, Silva e Costa (2021) revelam que as análises de especialistas e os documentos oficiais são insuficientes no que se refere à apresentação de uma definição apropriada do fenômeno. Considerando isso, de acordo com os(as) autores(as), é INCORRETO afirmar:
Alternativas
A maioria das definições utiliza expressões diferentes, mas alinha-se na descrição da evasão como sendo simplesmente a perda do vínculo, a saída da instituição, o abandono do curso, o "desligamento" — do curso, instituição ou sistema, sejam eles atos voluntários ou não.
A bibliografia e os documentos oficiais mostram divergências quanto à definição de evasão, reunindo fenômenos de naturezas distintas. Via de regra, são enfatizadas as formas e negligenciadas as razões que motivam o desligamento.
Uma descrição genérica do fenômeno da evasão no Ensino Superior não contribui para a mensuração de dados consistentes para a compreensão e a resolução do problema.
"Evasão por exclusão" é um termo sugerido pelos(as) autores(as) para definir o fenômeno da evasão como perda do vínculo com o curso, a instituição ou o sistema, caracterizando os problemas sociais a serem combatidos pelas políticas públicas, entre eles, o problema recorrente do trânsito de discentes entre cursos e instituições de Ensino Superior.
Para suprir a lacuna a respeito da ausência de apresentação de causalidades para o fenômeno da evasão, um caminho possível seria a realização de pesquisas com amostras significativas de evadidos.
Explicação
A alternativa está INCORRETA porque mistura categorias que os(as) autores(as) diferenciam explicitamente.
- O que Coimbra, Silva e Costa (2021) propõem
- Eles reconhecem que, de modo geral, “evasão” vem sendo definida de forma ampla como qualquer perda de vínculo (desligamento do curso/instituição/sistema), mas defendem que isso é insuficiente para políticas públicas, pois junta fenômenos de naturezas distintas.
- Por isso, propõem uma tipologia baseada nas causalidades.
- Como fica a tipologia (ponto-chave para a questão)
- Evasão por exclusão: perda de vínculo causada por distorções institucionais (estruturas didáticas/curriculares) ou por incapacidade institucional de enfrentar vulnerabilidades e garantir o direito à educação; isto é, quando a perda de vínculo configura problema social/fracasso institucional.
- Evasão para inserção: é o trânsito de discentes entre cursos/instituições/sistemas motivado por busca de novas oportunidades; os(as) autores(as) afirmam que esse movimento não deve ser tomado como problema (não exigiria iniciativas de correção).
- Onde a alternativa erra Ela afirma que “evasão por exclusão” incluiria “o problema recorrente do trânsito de discentes entre cursos e instituições”. Porém, no texto, esse trânsito é classificado como evasão para inserção, e não como evasão por exclusão.
Portanto, a alternativa incorreta é a que atribui ao conceito de “evasão por exclusão” algo que os(as) autores(as) separam e nomeiam como “evasão para inserção”.