Destino Pastora de nuvens, fui posta a serviço por uma campina desamparada que não principia e também não termina, onde nunca é noite e nunca madrugada. (Pastores da terra, vós tendes sossego, que olhais para o sol e encontrais direção. Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo. Eu, não.) Esse trecho faz parte de um poema de Cecília Meireles, intitulado "Destino", uma espécie de profissão de fé da autora. Considerando-se as figuras de linguagem utilizadas no texto, pode-se dizer que
Questão
Destino
Pastora de nuvens, fui posta a serviço por uma campina desamparada que não principia e também não termina, onde nunca é noite e nunca madrugada.
(Pastores da terra, vós tendes sossego, que olhais para o sol e encontrais direção. Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo. Eu, não.)
Esse trecho faz parte de um poema de Cecília Meireles, intitulado "Destino", uma espécie de profissão de fé da autora. Considerando-se as figuras de linguagem utilizadas no texto, pode-se dizer que
Alternativas
A) as duas estrofes são uma metáfora de um pleno sentimento de paz.
B) o texto revela eufemismo e paradoxo entre dois universos de atuação, com as mesmas implicações.
C) há, nos versos, comparação entre atividades agrícolas e outras, voltadas à pecuária.
D) o verso "Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo." contém uma antítese.
E) as estrofes apresentam, em sentido figurado, a defesa da preservação das ocupações voltadas ao campo.
Explicação
- Leitura das imagens/figuras do trecho
- A voz lírica se define como “Pastora de nuvens”: isso é uma metáfora (não se pastoreiam nuvens literalmente), indicando uma atividade simbólica/poética, ligada ao imaterial.
- O espaço em que ela atua é uma “campina” “que não principia e também não termina, / onde nunca é noite e nunca madrugada”: há aí a ideia de um lugar fora das referências comuns de tempo e orientação, reforçando um sentido de desamparo e indeterminação.
- Contraste entre dois universos
- Na segunda estrofe, a autora contrapõe “Pastores da terra” (que têm direção pelo sol, sabem “tarde” e “cedo”) ao eu lírico (“Eu, não.”), que não encontra essas marcas.
- O verso “Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo.” coloca em oposição dois termos/ideias contrárias: tarde × cedo.
- Identificação da figura de linguagem pedida
- A oposição direta entre termos contrários caracteriza antítese.
- Portanto, a alternativa correta é a que reconhece essa antítese no verso indicado.
- Por que as outras não são as melhores?
- (A) não há “pleno sentimento de paz”; o texto sugere desamparo e falta de direção.
- (B) até há contraste e elementos paradoxais no poema (ex.: “nunca é noite e nunca madrugada”), mas a alternativa diz “eufemismo” e conclui “com as mesmas implicações”, o que não se sustenta bem.
- (C) não é comparação entre agricultura e pecuária; é contraste entre o concreto (terra/sol/horas) e o simbólico (nuvens/indeterminação).
- (E) não é defesa da preservação de ocupações do campo, mas uma reflexão existencial/poética.
Alternativa correta: (D).