Descreva as principais características de fraturas de órbita do blow out e os possíveis sinais e sintomas decorrentes?

Questão

Descreva as principais características de fraturas de órbita do blow out e os possíveis sinais e sintomas decorrentes?

Resposta

92%

Fratura “blow-out” de órbita é, em geral, uma fratura do assoalho e/ou da parede medial da órbita causada por trauma contuso (ex.: soco/bola), com “descompressão” do conteúdo orbitário para o seio maxilar (assoalho) e/ou células etmoidais (parede medial), muitas vezes com rebordo orbitário relativamente preservado.

Principais características (padrão anatômico e mecanismo):

  1. Local mais comum: assoalho orbitário (por ser fino), seguido da parede medial (lâmina papirácea).
  2. Rebordo orbitário pode estar íntegro (fratura “pura”), ou pode coexistir com fraturas do rebordo/complexo zigomático (fratura “impura”).
  3. Herniação/encarceramento de gordura orbitária e, às vezes, do músculo reto inferior (assoalho) ou reto medial (parede medial) para o seio adjacente.
  4. Possível aumento do volume orbitário (quando há defeito amplo), levando a alteração de posição do globo (especialmente enoftalmia tardia).

Sinais e sintomas possíveis (clínica típica):

  1. Diplopia, sobretudo ao olhar para cima (frequente quando há comprometimento do reto inferior) e/ou restrição de motilidade ocular.
  2. Dor à movimentação ocular e limitação do olhar (sugere encarceramento muscular/tecido).
  3. Enoftalmia (olho “afundado”) e/ou hipoglobus (globo deslocado inferiormente), muitas vezes mais evidente após reduzir o edema (dias-semanas).
  4. Hipoestesia/anestesia em território do nervo infraorbitário (V2): bochecha, pálpebra inferior, asa nasal, lábio superior e gengiva superior (muito comum no blow-out de assoalho).
  5. Equimose periorbitária e edema palpebral, podendo haver hemorragia subconjuntival.
  6. Crepitação/ enfisema subcutâneo/orbitário, especialmente se houver comunicação com seios paranasais (piora ao assoar o nariz).
  7. Epistaxe (por comunicação com seios/lesão mucosa).
  8. Náuseas, vômitos, bradicardia/síncope (reflexo óculo-cardíaco), mais associado a “trapdoor fracture” com encarceramento (especialmente em crianças) — é um sinal de alerta.
  9. Sinais de gravidade/alerta (não são “obrigatórios” do blow-out, mas podem coexistir e mudam a conduta): redução de acuidade visual, defeito pupilar aferente, dor intensa com proptose (suspeita de hematoma retrobulbar), laceração ocular, hipema.

Em resumo: o blow-out tende a acometer as paredes finas (assoalho/medial), pode causar herniação e/ou encarceramento de tecidos, e se manifesta principalmente com diplopia/restrição de motilidade, hipoestesia infraorbitária, e alterações de posição do globo (enoftalmia/hipoglobus), além de sinais associados como equimose, enfisema e epistaxe.

Explicação

Vou organizar em mecanismo → anatomia afetada → consequências clínicas.

  1. Mecanismo e definição (por que “blow-out”)
  • Um trauma contuso aumenta subitamente a pressão intraorbitária. As paredes mais finas (assoalho e parede medial) fraturam, “aliviando” essa pressão e criando um defeito por onde gordura orbitária e/ou músculos extraoculares podem herniar.
  1. Estruturas mais envolvidas e o que isso provoca
  • Assoalho orbitário: pode tracionar/encarcerar o reto inferior → limita elevação do olho e gera diplopia (pior no olhar para cima). O canal do nervo infraorbitário (V2) passa nessa região → hipoestesia em bochecha/lábio superior.
  • Parede medial: pode envolver o reto medial → limitação de adução, e comunicação com etmoide → enfisema com crepitação.
  1. Sinais e sintomas decorrentes (o que o paciente sente/mostra)
  • Diplopia e restrição de motilidade ocular (principal manifestação funcional).
  • Dor ao mover os olhos e sensação de “travamento” quando há encarceramento.
  • Enoftalmia/hipoglobus por aumento do volume orbitário e herniação de conteúdo (muitas vezes aparece melhor após o edema diminuir).
  • Hipoestesia no território do infraorbitário (V2) (padrão muito característico do blow-out do assoalho).
  • Equimose, edema, hemorragia subconjuntival por trauma local.
  • Enfisema subcutâneo/orbitário e epistaxe por comunicação com seios.
  • Reflexo óculo-cardíaco (náuseas, vômitos, bradicardia), sobretudo em fraturas tipo “trapdoor” com encarceramento — sinal de alerta por risco de isquemia muscular.

Alternativa correta: (não se aplica).

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