Quanto ao diagnóstico e tratamento da Hipertensão Arterial sistêmica, é incorreto afirmar:

Questão

Quanto ao diagnóstico e tratamento da Hipertensão Arterial sistêmica, é incorreto afirmar:

Alternativas

A) Considera-se a HA primária uma doença multifatorial, mas com forte componente genético. Estudos em famílias e em gêmeos demonstram uma herdabilidade de 30 a 50%.

B) Uma estimativa confiável do risco cardiovascular pode ser feita de forma prática por meio da identificação de fatores de risco, como idade > 55 anos, sexo (homens > mulheres), frequência cardíaca (> 80 bpm), aumento do peso corporal, diabetes melito, elevação do LDL-c, história familiar de doença cardiovascular, história familiar de HAS, tabagismo e fatores psicossociais e/ou socioeconômicos; de lesões de órgão alvo: presença de Hipertrofia ventricular direita, doença renal crônica ou de outra avaliação que confirme presença de lesões de órgão alvo e de doenças prévias.

92%

C) A monoterapia pode ser a estratégia anti-hipertensiva inicial para pacientes com HA estágio 1 com risco cardiovascular baixo ou com PA 130-139/85-89 mmHg de risco cardiovascular alto ou para indivíduos idosos e/ou frágeis. Nesses perfis de pacientes, a redução da PA desejada é pequena ou deve ser feita de maneira gradual, de modo a evitar eventos adversos.

D) O início do tratamento com combinação de dois fármacos deve ser feito com um Inibidores da enzima de conversão da angiotensina, ou Bloqueadores dos receptores AT1 da angiotensina, associado a diurético tiazídico ou similar ou Bloqueador de canal de cálcio. Em pacientes de alto risco não obesos, as combinações com Bloqueadores de Canais de Cálcio são as preferenciais.

E) A HAS é caracterizada por elevação persistente da pressão arterial (PA), ou seja, PA sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg e/ou PA diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmHg, medida com a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva.

Explicação

Analisando as alternativas à luz das diretrizes usuais de HAS:

  • A) Correta. A hipertensão arterial primária (essencial) é multifatorial e tem importante componente genético; estudos familiares e com gêmeos apontam herdabilidade em torno de 30–50%.

  • B) Incorreta. A estratificação de risco cardiovascular realmente considera fatores de risco, lesão de órgão-alvo e doença cardiovascular estabelecida. Porém, a alternativa cita “hipertrofia ventricular direita” como lesão de órgão-alvo típica da HAS. Na prática, o achado clássico relacionado à hipertensão sistêmica é hipertrofia ventricular esquerda (HVE) (por sobrecarga de pressão do ventrículo esquerdo), e não hipertrofia ventricular direita (mais associada a hipertensão pulmonar e outras condições).

  • C) Correta. Monoterapia pode ser opção inicial em HA estágio 1 e baixo risco, em limítrofes com alto risco (dependendo do contexto) e em idosos/frágeis, visando redução mais gradual para evitar eventos adversos.

  • D) Correta em termos gerais: combinação inicial preferencial costuma envolver IECA ou BRA associados a BCC e/ou diurético tiazídico/tiazídico-like; frequentemente se prioriza IECA/BRA + BCC em muitos perfis (inclusive alto risco), por boa eficácia e tolerabilidade.

  • E) Correta. Definição clássica de HAS em consultório: PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg, em pelo menos duas ocasiões, com técnica adequada e sem uso de anti-hipertensivos.

Alternativa correta: (B).

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