Interpretação de Texto: Leia o poema “Parada cardíaca”, de Paulo Leminski: Essa minha secura essa falta de sentimento não tem ninguém que segure, vem de dentro. Vem da zona escura donde vem o que sinto. Sinto muito, sentir é muito lento. O poema de Paulo Leminski, poeta contemporâneo, transita entre uma linguagem com termo técnico e, ao mesmo tempo, simples, e a construção de sentidos do texto. Considerando a composição e os sentidos do texto, assinale a alternativa correta:
Leia o poema “Parada cardíaca”, de Paulo Leminski:
Essa minha secura essa falta de sentimento não tem ninguém que segure, vem de dentro.
Vem da zona escura donde vem o que sinto. Sinto muito, sentir é muito lento.
O poema de Paulo Leminski, poeta contemporâneo, transita entre uma linguagem com termo técnico e, ao mesmo tempo, simples, e a construção de sentidos do texto. Considerando a composição e os sentidos do texto, assinale a alternativa correta:
A) O poema apresenta um neologismo semântico da expressão "parada cardíaca", ao conferir um novo significado a ela dentro do texto poético.
B) O poema reforça a imagem de sofrimento e dor que a pessoa que sofre uma parada cardíaca sente no momento dessa dificuldade física.
C) O poema brinca com o gênero bula de remédio e constrói uma reconfiguração dos efeitos que o remédio pode causar em uma pessoa que sofreu uma parada cardíaca.
D) O poema descreve objetivamente as sensações físicas que a pessoa sente ao sofrer uma parada cardíaca, por isso é tão profundo.
E) O texto não é um poema; apesar de ser escrito em versos, ele não conserva o lirismo característico do gênero lírico.
O título “Parada cardíaca” traz um termo técnico ligado a um evento médico (interrupção do funcionamento do coração). No entanto, ao ler os versos, percebe-se que o eu lírico não descreve uma situação clínica nem sintomas corporais; ele fala de uma “secura”, de “falta de sentimento” e de um movimento interior (“vem de dentro”, “zona escura”).
Assim, o poema constrói o sentido de “parada” não como falência física do coração, mas como uma espécie de bloqueio afetivo/emocional, uma interrupção da capacidade de sentir plenamente. Isso fica ainda mais evidente no fecho: “Sinto muito, / sentir é muito lento”, em que o jogo com “sinto” aponta para a dificuldade de sentir (afetivamente), não para uma dor imediata de um mal súbito.
Esse deslocamento de significado de uma expressão já existente (do campo médico para o campo emocional/psíquico) caracteriza um neologismo semântico: não se cria uma palavra nova, mas se atribui um novo sentido a uma expressão em contexto poético.
Logo:
- (B) e (D) estão erradas porque pressupõem descrição de sofrimento/sensações físicas de uma parada cardíaca, o que não ocorre no texto.
- (C) está errada porque o poema não dialoga com o gênero “bula de remédio”.
- (E) está errada porque o texto mantém lirismo e subjetividade típicos do gênero lírico.
Alternativa correta: (A).