De acordo com o texto “Presença”, de Mario Quintana, podemos afirmar que: “Presença” “É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.”

Questão

De acordo com o texto “Presença”, de Mario Quintana, podemos afirmar que:

“Presença” “É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.”

Alternativas

a) Os avanços tecnológicos aos poucos aproximam as pessoas.

b) O sentimento de falta exige constante atenção, mas não reduz a saudade.

90%

c) Sentir saudade é relembrar sempre.

d) Deixar de sentir saudade é um fato da vida.

e) Sentir saudade reflete problemas de comunicação.

Explicação

O eu lírico afirma repetidamente “É preciso...”, destacando que a saudade é necessária para reconstruir, na imaginação, a pessoa ausente (“desenhe tuas linhas perfeitas”, “teu perfil exato”) e até para perceber a “presença misteriosa da vida”. Ou seja, a falta mobiliza um cuidado/atenção contínua da memória e da sensibilidade.

Ao mesmo tempo, o poema mostra que essa reconstrução não elimina o sentimento: quando a pessoa “surge”, ela é “tão outra e múltipla e imprevista” que não coincide com o “retrato” criado pela saudade, e o eu lírico precisa “fechar meus olhos para ver-te” — sinal de que a saudade permanece como experiência interior, não sendo “reduzida” pela simples lembrança ou pela presença real.

As demais alternativas não se sustentam no texto: não há tema de tecnologia ou comunicação, nem a ideia de que deixar de sentir saudade seja um “fato da vida”, e o poema não reduz saudade a “relembrar sempre”, mas a um processo sensorial e afetivo mais profundo.

Alternativa correta: (b).

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